Análise: Viewfinder é um dos jogos mais inovadores dos últimos anos

Desde o lançamento de Portal, lá em 2007, uma nova onda de jogos com quebra-cabeças inventivos começou a ganhar um palco especial do público e da mídia. Muitos tentaram replicar o sucesso estrondoso que o masterpiece da Valve fez e, de fato, alguns conseguiram. The Witness, Antichamber, The Talos Principle e Superliminal são alguns exemplos que me vem à mente quando falo sobre esses “walking simulators” com mecânicas de puzzle diferentes.

Todos esses jogos fazem algo de especial, seja um gimmick diferentão ou um jeito único de contar uma história. Viewfinder, entretanto, foi um dos únicos que eu tive aquela famosa sensação de “wow” constantemente. Cada puzzle resolvido conseguia ser de alguma forma memorável, seja pela solução enganosamente complexa ou pelo jeito que o quebra-cabeça foi pensado.

Mesmo contando com uma história (ao meu ver) dispensável, meu tempo com os puzzles e o charme sem fim do mundo de Viewfinder foi o bastante para eu considerá-lo um dos jogos mais inovadores não só de 2023 mas dos últimos anos.

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O jogo inteiro se passa dentro de uma simulação. Enquanto o mundo real vive em um estado cyberpunk meio apocalíptico, o universo de Viewfinder é charmoso e colorido, ornado com flores e diversos outros enfeites. A simulação foi criada por um grupo de cientistas que se desafiaram a estudar novas tecnologias ambientais, motivados pelo estado do mundo real.

Dividido por capítulos, cada uma das seções em Viewfinder tem um tema relacionado ao cientista que a criou – tanto em estética quanto em quebra-cabeças. Durante a jornada, uma inteligência artificial chamada CAIT (que tem a forma de um gatinho gordo cinza) te acompanha e conta histórias desses personagens, ambientando mais o jogador sobre o mundo e os envolvidos.

Infelizmente, a dublagem de CAIT não é das melhores e pode se tornar uma chatice ouvir o personagem ficar balbuciando por minutos a fio. A narrativa em si também não ter despertado o meu interesse ajudou a complicar mais as coisas nesse aspecto – minha maior motivação era o gameplay e os puzzles.

A questão da narração e dublagem também se estende para alguns outros personagens, principalmente quando tentam ser engraçadinhos. Pra mim, a performance simplesmente não entrega e deixa bastante a desejar, considerando que o meio principal do jogo contextualizar as coisas são por meio de logs de áudio e texto.

Dito isso, apesar de não ter me prendido, não consideraria os personagens e a história um grande problema já que o enfoque está em outro departamento. Nesse sentido, o jogo deixou um gostinho agridoce na minha boca visto que o pacote poderia ter sido completo.

Tudo depende da perspectiva

Viewfinder é brilhante ao brincar com perspectiva. Todo o gimmick da coisa orbita ao redor de como você posiciona fotos e figuras no cenário, trazendo o que está no papel para o ‘mundo real’. Por exemplo: você precisa atravessar uma brecha ou um buraco para o outro lado. Usando a câmera fotográfica, é possível tirar foto de algo que possa servir como ponte, alinhar por cima da brecha e confirmar a ação, transpondo o que estava na foto para o mundo do jogo.

E esse é só um dos exemplos mais básicos que eu consegui lembrar. O desafio evolui exponencialmente, sendo possível combinar várias fotos para dar agência ao jogador a melhor forma de resolver o quebra-cabeça. Geralmente os puzzles em Viewfinder possuem uma forma padrão de resolvê-los (não pense que aqui as coisas funcionam como as shrines em Zelda: Tears of the Kingdom), mas ainda existe uma pequena sensação de escolha em como organizar os elementos e solucionar o problema.

Tem algo mágico em trazer essas fotos e desenhos “à vida” e tudo o que conseguia pensar é como a lógica e a programação desse jogo deve ter sido um pesadelo. Objetos que se sobrepõe, outros que não permanecem no mesmo lugar ao tirar foto – enfim, uma infinidade de possibilidades para dar errado, mas que acabou dando super certo.

Os momentos mais brilhantes pra mim foram fugindo da história e do quebra-cabeça principal. De vez em quando o jogo esconde uns easter eggs em objetos que você pode pegar e trazer pro mundo do jogo: seja uma pintura de desenho de criança, um código de barras que se transforma numa floresta ou um quadro do Mondrian que vira um labirinto.

Concluindo

Viewfinder prendeu minha atenção no segundo que assisti o trailer de anúncio. Mesmo que outros jogos tivessem mecânicas parecidas, nunca tinha visto outro tão bonito quanto ele. Agora que lançou, fico feliz que o game não parou apenas na estética e realmente trouxe algo de original para a mesa.

Se você tem um cantinho reservado para jogos indie que gostam de ousar e, claro, gosta de jogos de puzzle como os que eu citei no começo da análise, considere jogar Viewfinder.


O jogo foi analisado com base na versão de PC cedido gentilmente pela publisher.

CONCLUSÃO
Viewfinder é um dos jogos mais inovadores dos últimos tempos. Só não espere uma história envolvente.
POSITIVOS
Puzzles bem construídos
Mecânicas inovadoras
Direção de arte espetacular
NEGATIVOS
História esquecível
Personagens bem enjoados
8.5