Em dezembro de 2005 chegava ao Japão o primeiro título da franquia Yakuza, conhecido por lá como Ryū ga Gotoku – que traduzido livremente significa “como um dragão“. O jogo era exclusivo para o PlayStation 2 e colocava o jogador no controle de um membro da infame máfia japonesa, Kazuma Kiryu (conhecido como “O Dragão de Dojima”), em um mundo aberto beat ‘em up – leia-se “joguinho de descer a porrada”.

Depois disso a série virou uma das queridinhas da SEGA e começou a ganhar novos títulos praticamente todos os anos, mas isso no Japão. Graças a uma dublagem bizarra (com direito a Mark Hamill no elenco), problemas nas traduções e diversos cortes por “diferenças culturais”, a franquia nunca emplacou no ocidente, isso pelo menos até 2017.

Em 2015, para comemorar os dez anos de franquia, foi anunciado Yakuza 0, um prelúdio para a história de Kiryu e de Goro Majima – um dos personagens mais icônicos e amados pelos fãs. O game só chegou em 2017 no ocidente, mas dessa vez teve uma localização bem feita, o que permitiu que Yakuza caísse no gosto do público e da crítica.

Das lágrimas às gargalhadas

Situado no bairro de Kamurocho (recriação ficcional do bairro Kabukicho de Tóquio), a franquia traz os conflitos do Clã Tojo e suas Famílias. O enredo de Yakuza é digno de um bom filme de máfia, cheio de intrigas e reviravoltas, e é impossível não querer acompanhar as histórias do honrado Dragão de Dojima.

Com a mesma facilidade que os jogos conseguem te deixar triste e tenso, seja com cenas de violência, viradas repentinas de rumo e até mortes extremamente emocionantes, a franquia nunca deixa o bom humor de lado e consegue sempre amenizar as coisas com missões secundarias hilárias, que vão desde a fingir ser o namorado de uma garota que você acabou de conhecer até a treinar uma Dominatrix que é boazinha demais.

Majima é um personagem que trás essa dualidade em seu DNA: conhecido como o “Cão Louco de Shimano”, ele é uma verdadeira pedra no sapato de Kiryu e sempre que pode aparece pra arrumar briga com o coitado. Totalmente volátil, Majima vai de piadinhas e gargalhadas à espancamentos e mutilações em um piscar de olhos. Geralmente visto como um alívio cômico, o personagem impressionou muita gente com sua versão mais jovem e séria de Yakuza 0, antes dele abraçar sua alcunha de Cão Louco.

Mas o que realmente importa é descer a mão numa galera, não é mesmo?

Já escutei muita gente dizer coisas como “Yakuza é tipo GTA”. Não, não é. Aqui você não tem a opção de dirigir nenhum tipo de veículo e suas opções de combate se sustentam, basicamente, no combate corpo a corpo. Existem armas de fogo, mas não é muito viável adquirir munição e o jogo só brilha mesmo quando você resolve usar seus punhos.

Nos jogos mais recentes, como Yakuza 0 e Yakuza Kiwami, os personagens possuem quatro estilos de luta distintos, cada um com seus pontos fortes e fracos. Os controles e combos são bem simples, mas as lutas contra os chefes exigem um certo domínio sobre os estilos e conseguem ser desafiadoras e divertidas em sua grande maioria.

Você também pode equipar diversas armas brancas como katanas, facas, tacos de baseball, nunchakus, marretas e por ai vai, mas se isso ainda não é o bastante pra você, nada te impede de pegar objetos do cenário e acabar com seus inimigos usando mesas, cadeiras, letreiros de lojas e… motos.

Há uma espécie de “barra de especial” que enche conforme você vai acertando golpes, e diminui se você é acertado. Ao encher essa barra o personagem pode desferir uma Heat Action, que é basicamente um golpe bem poderoso (e aparentemente dolorido, diga-se de passagem) que usa o ambiente e qualquer coisa que seu personagem esteja usando para dar um bom dano no inimigo.

Apesar de ser considerado um jogo de “mundo aberto”, os bairros de Yakuza não se comparam em tamanho com os mundos criados pela Rockstar e Ubisoft, mas não se deixe enganar, o que não faltam são atividades extras que são ótimas para passar o tempo ou tirar a sanidade de quem esteja querendo o Troféu de Platina, já que a franquia é conhecida por colocar desafios absurdos em seus mini games.

Você pode dar uma passada nos Arcades da SEGA pra jogar versões emuladas de clássicos como Out Run e Fantasy Zone, treinar suas rebatidas no baseball, jogar bilhar e dardos, ir no cassino e apostar na roleta e testar suas habilidades no Poker e Blackjack, ou então experimentar jogos típicos do Japão, como Shogi, Koi-Koi e Mahjong. Eu recomendo o Karaokê, diversão garantida.

Kiwami significa… EXTREMO!!

Se você se interessou pela franquia, saiba que atualmente é o melhor momento para começar a seguir os passos de Kiryu. Além do já citado Yakuza 0, que funciona magistralmente como uma porta de entrada para quem nunca jogou um game da série, toda a franquia está sendo refeita para o PlayStation 4.

Yakuza Kiwami chegou no ocidente em agosto de 2017 e nada mais é do que um remake do primeiro jogo da série lançado em 2005. Esqueça esses remasters que estamos cansados de ver, aqui todo o jogo foi refeito usando a mesma game engine de Yakuza 0 e conta com muito mais conteúdo do que a versão original do PlayStation 2.

Eu particularmente recomendo começar com o prequel e partir para Kiwami, tudo parece mais orgânico dessa maneira, porém vale ressaltar que Yakuza 0 possui muito mais conteúdo que seu sucessor, então não estranhe terminar tudo que o jogo oferece na metade do tempo gasto em seu antecessor.

Gostou e quer mais? Então esse é seu ano de sorte…

Depois dessa longa declaração de amor pela franquia Yakuza, vale lembrar que em 2018 temos mais DOIS jogos a caminho do PlayStation 4.

O primeiro deles, Yakuza 6: The Song of Life, promete encerrar a história do nosso querido Dragão de Dojima e já estará entre nós dia 17 de abril.

Já no dia 28 de agosto temos o lançamento ocidental de Yakuza Kiwami 2, remake do segundo jogo da franquia, que dessa vez será refeito utilizado a Dragon Engine, a mesma que foi utilizada em Yakuza 6.