Desenvolvido pela Sucker Punch e publicado pela Sony Computer Entertainment, inFamous: Second Son é um jogo de ação-aventura em terceira pessoa lançado dia 21 de Março de 2014, exclusivo para PlayStation 4.

Inicialmente anunciado como título de lançamento do novo console da Sony, o jogo teve seu lançamento adiado em 4 meses para ser aprimorado. Sábia decisão, Sony. Finalmente posso encher a boca e dizer que chegamos à oitava geração de consoles.

A recepção de inFamous: Second Son foi tão positiva que impulsionou a venda de consoles PlayStation 4 no Reino Unido. Se não bastasse o sucesso de público, Second Son também foi bem avaliado pela crítica especializada, e conseguiu a pontuação 80/100 no Metacritic.

InFamous: Second Son é o terceiro jogo da franquia inFamous, mas não é necessário que você tenha jogado os episódios anteriores para entender a sua história: Second Son possui eventos e personagens totalmente independentes.

Com o jogo em mãos há pelo menos 2 semanas, deixo aqui as minhas impressões e considerações sobre o jogo. Essa análise não contém spoilers, leia sem moderação.

História

A história de inFamous: Second Son se passa em Seattle, sete anos após os acontecimentos de inFamous 2. A cidade de Seattle vive em estado de quarentena, e é controlada pelo DUP (Departamento de Proteção Unificada), uma organização que monitora atos de bioterrorismo e protege a população de qualquer ameaça dos condutores.

[quote align=’right’]Condutores são pessoas com mutações no DNA, capazes de conduzir energia. O DUP classifica os condutores como bioterroristas, pois os consideram uma ameaça à segurança da população.[/quote]

No jogo, controlamos o protagonista Delsin Rowe, um jovem grafiteiro de 24 anos que cresceu nos arredores de Seattle. O seu irmão mais velho, Reggie Rowe, é o xerife local, e Delsin não tem uma boa relação com ele, visto que o irmão já o prendeu uma série de vezes por causa de vandalismo. Delsin não sabe, mas o seu DNA possui genes de condutor.

Certo dia, um ônibus do DUP que transportava prisioneiros condutores se envolve em um acidente. Delsin vai checar o acidente, e acaba tocando em um dos prisioneiros, absorvendo a habilidade de conduzir fumaça deste fugitivo. A líder do DUP e antagonista do jogo, Brooke Augustine, vai ao local do acidente para recapturar os bioterroristas fugitivos, e revela ser uma condutora de concreto, uma habilidade poderosa capaz de imobilizar pessoas.

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[one_half_last]Augustine é cruel e implacável. Ela usa os poderes de concreto em Delsin e seus amigos, pois acredita que eles estão escondendo informações sobre a localização dos fugitivos. Dias após o ataque, Delsin consegue se recuperar dos ferimentos devido a sua habilidade recém-adquirida; mas seus amigos ficam gravemente doentes, pois o concreto só pode ser retirado de seus corpos por quem possui a habilidade de conduzi-lo.

Delsin, sabendo que é capaz de absorver os poderes de outros condutores, parte para Seattle e inicia a sua aventura em busca de Augustine, para absorver os seus poderes e curar o seu povo. Nesse momento entra em prática o sistema de Karma que, baseado nas escolhas do jogador, define se Delsin será um vilão ou um herói.[/one_half_last]

Na busca por Augustine, Delsin será auxiliado por seu irmão Reggie, e também conhecerá outros condutores, de quem ele aprenderá novas habilidades.

A história é simples, se comparada com a complexidade da trama de inFamous 2, mas é muito bem contada. Os personagens principais são carismáticos e bem construídos, introduzindo uma carga emocional nunca antes vista em um jogo da série inFamous. Os personagens secundários, entretanto, são estereotipados e poderiam ser melhor explorados.

Gameplay

O sistema de gameplay é muito semelhante aos jogos anteriores da série: é possível andar, pular, bater, realizar movimentos de parkour, e utilizar os poderes de Delsin para mirar e atirar. Delsin aprenderá novos poderes no decorrer do jogo, e todos podem ser evoluídos na árvore de habilidades no menu do jogo. Para isso, entretanto, é necessário coletar fontes de energia espalhados pelo mapa. A árvore de habilidades é mais extensa que dos jogos anteriores, e há habilidades específicas desbloqueáveis para cada um dos Karmas.

Leia: Trailer de inFamous: Second Son da E3 2013

O mapa de Seattle é um mundo aberto, subdividido em distritos, e todos estão sob o domínio do DUP. Para tomar o distrito do DUP, é necessário realizar missões secundárias daquele local, por exemplo, eliminar as tropas do DUP, libertar condutores aprisionados, destruir drones e câmeras de segurança, fazer grafites nas paredes, etc.

[quote align=’left’]Cair na água é um aborrecimento. Delsin não pode nadar, mas ele também não morre afogado, e precisamos apertar um botão para voltar para a margem.[/quote]

As ruas de Seattle estão repletas de atividades secundárias que influenciam no Karma do personagem, como eliminar pontos de venda de drogas ou dispersar manifestantes. As ações do protagonista repercutem nas televisões espalhadas pela cidade; e a população interage com Delsin, fotografando-o com o celular e pedindo-o em casamento.

Para não dizer que o gameplay é perfeito, algumas decisões de game design me decepcionaram, quebrando a imersão no jogo. Em uma cutscene específica, Augustine consegue imobilizar as mãos de Delsin com o seu poder de concreto, e Delsin precisa pedir ajuda ao irmão para se livrar do concreto; mas durante as batalhas a vilã não tem o mesmo poder, e eles lutam de igual para igual.

Áudio e Gráficos

Sabemos que os jogos não devem ser enaltecidos apenas pelos seus gráficos, mas não posso deixar de mencionar que inFamous: Second Son é lindo. O jogo não tem nenhuma CG, todos os diálogos e animações rodam em tempo real com resolução de 1080p a 30 quadros por segundo. O jogo tem um sistema de passagem do tempo que não é dinâmico: algumas missões acontecem de manhã e outras à noite, mas se você não fizer nenhum progresso na história, o tempo não é alterado.

[one_half]Durante a manhã, o que predomina é tom vermelho alaranjado do nascer do sol ao horizonte, um visual belíssimo. À noite, os raios de sol dão lugar às luzes fluorecentes dos letreiros de neon espalhados pelas vitrines e outdoors de Seattle. As habilidades de Delsin são um show à parte, principalmente o poder de neon, que deixa rastros de luz por onde ele passa.

Troy Baker, conhecido por interpretar Joel em The Last of Us, e Booker em Bioshock Infinite, é quem empresta o rosto e a voz para fazer Delsin. Não só as expressões faciais dos personagens são excelentes, como também a sua caracterização. Percebe-se uma química entre os atores, pois os diálogos fluem de forma bastante natural entre os personagens, principalmente entre Delsin e seu irmão Reggie.[/one_half]

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A música do jogo é bastante característica, voltada para o rock com uma pegada eletrônica. Não é muito marcante, como a trilha de The Last of Us, mas ainda assim possui bastante personalidade. Enquanto o personagem anda livremente pelo mapa, o que predomina é o silêncio e efeitos sonoros (que são excelentes), mas durante as batalhas o rock come solto, embalando as porradas e deixando o jogo bem frenético.

Ouso dizer que é a melhor tradução de um jogo da Sony feita até hoje para o português brasileiro.

Replay

Algumas missões podem ser completadas de duas formas diferentes: a boa ou a má. Dependendo da sua escolha, você vai acumular Karma positivo ou negativo, e mudar a inclinação moral do seu personagem, transformando-o em herói ou vilão. Ainda assim, talvez poderiam ter colocado mais atividades para serem realizadas, ou deixar as atuais menos repetitivas.

[quote align=’right’]A campanha tem duração média de 12 horas, mas se você jogar novamente (e eu recomendo que você faça isso), serão outras 12 horas de muita diversão. [/quote]

Muitas vezes me questionei ao matar cidadãos inocentes de Seattle, já que o objetivo do jogo seria curar os amigos de Delsin que foram atacados por Augustine. As escolhas entre o bem e o mal às vezes são um pouco desconexas com o objetivo principal do jogo.

A variedade de habilidades de Delsin não só deixa as batalhas mais divertidas, como também incentiva o replay do jogo, para tentar combinações diferentes. Há habilidades específicas para cada um dos Karmas, então você fatalmente terá que zerar o jogo duas vezes para aproveitar todo o potencial (se vale a dica, as habilidades de vilão são mais legais).

Conclusão

Talvez a ausência de bons títulos para o PlayStation 4 tenha favorecido inFamous: Second Son, mas não podemos negar que o jogo é tecnicamente impecável e possui visuais deslumbrantes. O jogo faz uso inteligente dos recursos do Dualshock 4, principalmente nas missões de grafite (diferente de Killzone Shadow Fall, onde o uso do touchpad mais atrapalha do que ajuda).

InFamous: Second Son é puro entretenimento. Apesar da história ser simples, ela é bem contada. Os personagens secundários poderiam ser melhor explorados sim, mas o protagonista é muito carismático. Se você gosta de jogos deste gênero, e estava esperando sair um jogo que valesse a pena para comprar um PlayStation 4, talvez esse seja o momento.

infamous second son review

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Pontos positivos

  • Visuais incríveis e boa localização para o português.
  • Enredo envolvente e protagonista carismático.
  • Combate divertido e com diversas habilidades que estimulam o replay.

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Pontos negativos

  • Personagens secundários estereotipados e pouco explorados.
  • Quebra de imersão em alguns momentos por decisões de game design.
  • Ausência de multiplayer e outras modalidades de jogo.

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