Depois de mais de 90 horas quase ininterruptas vou tomar um café e já já a gente conversa.

Pronto, deixa só eu tomar um fôlego aqui… Ok, vamo lá.

Há 5 meses atrás Fallout 4 não era o jogo mais esperado do ano. Quanto mais o hiato se aproximava de completar uma década, mais os boatos sobre o novo título se tornavam repetitivos e sem graça. Pode perguntar a qualquer fã, FO4 estava lentamente chegando ao status mitológico de Half Life 3. Com o anúncio explosivo de uma data breve na E3 2015 e toneladas de hype por meses a fio fica a pergunta:

Valeu a pena esperar tanto tempo?

Te respondo com uma loading screen (tela de carregamento):

Me atarei a falar apenas das coisas novas que o título traz para o texto não ficar (inda mais) quilométrico. E sem spoilers, claro!

Welcome home

Que a Bethesda é referência na criação de mundos abertos densos isso a gente já sabe. O novo passo gigante da empresa com seu novo jogo é se aproveitar de vários mods RTS dos Fallout anteriores que já são consagrados na comunidade para criar uma nova forma de interagir (e pela primeira vez dominar) o mapa. Por mais que tenha enfatizado incisivamente que é um feature opcional, construir assentamentos tem um impacto bem relevante à jogatina. Em todos os seus jogos (e na maioria esmagadora dos openworld) você é só uma pessoa que perambula de um lado ao outro do mapa. Em Fallout 4 você é um general com poder que se alastra por Boston, conquistando território e imponto sua presença (bom… pelo menos é assim que tô levando o jogo, haha ). Quase tudo em FO4 toma uma nova dimensão e essa forma de interagir com o mapa só influencia essa sensação.

Fallout 4

Não me recordo de ter vivenciado alguma experiência de domínio territorial tão instigante em um jogo de mundo aberto – o que não quer dizer que não exista, caso lembre de alguns compartilha pra gente nos comentários! 😀 – E se você pensou “Ei! O De Far Cry é super legal e bem pensado!” pode parar de ler esse texto por aqui, ok? Sério.

Quando você junta isso ao crafting massivo de equipamento – armas, substâncias químicas, alimentos, seringas, medicamentos e até a power armor (que finalmente é uma power amor de verdade!) –  fica claro que a Bethesda não está satisfeita apenas em fazer o público jogar seu jogo, mas quer que o jogador vivencie e sinta o mundo do jogo até o ponto de se sentir em casa. A maior prova disso é o slogan escolhido  “Bem vinda(o) ao lar“.

Diálogos péssimos, Nota 8

aaaaaaaaaaaaaaaa

Complexas instruções para super mutantes saquearem o local que eu protegia. obs: super mutantes não falar muito bom.

Sim, é verdade. Uma das maiores características da série foi limada do novo título: diálogos extensos, numerosos, variados e extremamente divertidos. Por saber que um erro de narrativa tão sério poderia ser algo que realmente destruiria o jogo fiquei bem receoso, mas na prática a realidade é outra: Fallout 4 tem um ritmo bem rápido. Só pelo combate nota-se que a grande produtora acordou pra vida e investiu um bom tempo desenhando uma jogabilidade bem superior aos títulos anteriores da franquia – que venhamos e convenhamos, era bem problemática.

Não só o combate foi lapidado, mas as próprias conversações também. Agora você pode começar a papear com alguém, puxar assunto com outra pessoa por perto e voltar ao assunto anterior exatamente onde parou, sem recortes. Isso significa que você pode deixar alguém sem resposta caso ainda não tenha uma. Além disso, a história não deixou de ser bem contada nem os diálogos de ter destaque – toneladas de holodiscos, entradas em terminais da Vault-Tec, cartas, anotações e livros que explicam o que tá acontecendo são facilmente encontrados.

Outra coisa que me faz perceber que os diálogos ‘pioraram, mas melhoraram’ é a quantidade de linhas que os NPCs tem. Perdi a conta de quantas vezes me aproximei sorrateiramente e escutei um longo bate papo, seja sobre pedaços do lore ou informações sobre começar aquele embate bem.

Wasteland mais… Wasteland

Sinceramente não sei se é consenso, mas pelo menos eu e todo mundo que conheço concorda que os Fallout da Bethesda eram bem fáceis comparados aos da Black Isle Studios, criadora da franquia. Os isométricos da famosa empresa dos anos 80 eram propositalmente difíceis, como boa parte dos jogos da época – para aumentar suas vidas úteis. Um dos motivos dos saudosistas mais criticarem a repaginada “bethesdística” de Fallout era que a Wasteland não era um local tão perigoso assim. Principalmente por causa da radiação nuclear, que não tinha um impacto muito relevante na vida do jogador.

Fallout 4 (2)

Aparentemente isso foi levado em consideração no quarto capítulo da franquia. Em sua dificuldade padrão (Normal), explorar e lutar normalmente é bem complicado, principalmente no começo do jogo. Boas horas são investidas até que um o jogador consiga um equipamento que realmente lhe deixe mais efetivo e confortável em combate. E isso se você sacar muito bem o que saquear e já tiver as perks certas para um bom crafting de armas e power armor. Já a radiação agora tem o poder de diminuir a sua vida máxima, então definitivamente não é mais legal ficar sambando em poça de césio 137, caras.

Um jogador médio, acostumado com tutoriais e videoaulas de mecânicas pode ser facilmente empalado por um escorpião rei radioativo.

Essa proximidade de dificuldade com as origens da franquia caiu bem em Fallout 4, que agora é bem mais desafiador e consequentemente, mais divertido. Tô realmente adorando jogar no Very Hard, principalmente por que agora isso tem um impacto positivo no gameplay: quanto mais difícil o jogo, maior a quantidade de inimigos legendários, uma novidade na franquia.  Esses inimigos são “mini bosses”, de dano e vida elevados e o mais importante: dropam equipamentos raros. A dificuldade do jogo não é como a péssima de Skyrim onde o único impacto no gameplay era amplificando o dano recebido e reduzindo o dano aplicado. Essa foi outra grata surpresa, fazendo Fallout 4 ser quanto mais difícil, mais saboroso.

Tá valendo a pena?

Olha, numa escala de 0 a 10 eu diria TÁ VALENDO PRA CACETE.

O jogo não é perfeito. Definitivamente os bugs chegam a irritar e a influenciar negativamente o gameplay numa frequência pouco aceitável. Os companions são muito mais impessoais e tem os motivos mais ridículos pra te seguir (nesse ponto a Bethesda foi bem irresponsável com a narrativa), o crafting de assentamentos é simples, mas é bem limitado e problemático. Os loadings são muito mais frequentes e demorados (até no PC) quanto deveriam. Mas quando você coloca na balança vê que o jogo acerta muito mais do que erra. E num mundo onde DLCs é a carne do hambúrguer, Fallout 4 é um clássico X-AVC.