Análise – Shenmue I & II

Lançado originalmente em 1999 para o Dreamcast, o primeiro Shenmue se tornou facilmente um clássico e é considerado por muitos como a obra máxima da SEGA.

Shenmue: Guia rápido para as conquistas e troféus

Apesar de estar cheio de ideias interessantes e mecânicas inovadoras, Shenmue acabou gerando prejuízo para a empresa japonesa e por muito tempo foi considerado o jogo com a produção mais cara da história, recorde esse que só foi batido em 2008 por Grand Theft Auto IV. Infelizmente, esse fator deixou a SEGA meio desencorajada em bancar a ideia do diretor Yu Suzuki, que planejava 11 capítulos para a franquia. Pois é, ONZE.

Em 2001 tivemos o lançamento de Shenmue II, compilando os capítulos 3, 4 e 5 da ideia geral de Suzuki. O jogo inovou ainda mais e melhorou tudo o que tivemos no título original, mas infelizmente a franquia caiu no limbo e só retornou em 2015, na “E3 dos sonhos”, onde Shenmue III foi anunciado por meio de uma campanha no Kickstarter.

Aproveitando o hype e dando uma chance para os jogadores mais jovens, uma coletânea desenvolvida pela D3T e distribuída pela SEGA chegou no último dia 21 de agosto trazendo os dois primeiros jogos com versões para PlayStation 4, Xbox One e PC.

Um mundo aberto e uma jornada de vingança

Situado na cidade de Yokosuka no Japão, o primeiro Shenmue tem inicio no dia 29 de novembro de 1986, quando nosso protagonista Ryo Hazuki presencia o assassinato de seu pai pelas mãos do misterioso Lan Di. Dotado de habilidades marciais absurdas, Lan Di não só elimina o pai de Ryo e o derrota facilmente, como também leva consigo um estranho espelho, que possui uma gravura de dragão do dojo da família Hazuki.

Possuído não só por um desejo de vingança, mas também com a ideia de restabelecer a honra de sua família, Ryo parte em busca do assassino de seu pai enquanto aprimora suas técnicas marciais. E assim começa a jornada idealizada por Yu Suzuki.

Enquanto o primeiro jogo basicamente se passa nos bairros de Yokosuka, sua sequencia expande os locais e concede ao jogador uma maior liberdade, porém em ambos os jogos os cenários transpiram realidade, principalmente pelos NPCs: praticamente todos possuem nomes e vivem tranquilamente em suas rotinas. É possível ficar o dia inteiro seguindo algum desses personagens “sem importância” e os observar indo trabalhar, fazendo uma pausa na hora do almoço e depois indo de volta para suas casas.

Apesar de que hoje as áreas para se explorar em Shenmue possam ser consideradas pequenas, o jogo apresentou um mundo aberto coeso e com uma atmosfera incrível, algo fundamental, já que em grande parte do tempo o jogador precisa dar uma de detetive e interrogar as pessoas para descobrir novas pistas que o levem mais perto de seu objetivo principal, além de possuir um modo em primeira pessoa que permite ao jogador investigar melhor os cenários e procurar itens em armários e gavetas.

Não foi só na parte de mundo aberto que a franquia ditou regra, seus sistemas de combate também merecem destaque e se dividem entre QTEs, os hoje famosos Quick Time Events, e as lutas tradicionais. Enquanto os QTEs são utilizados para dar um maior dinamismo em cenas de ação como perseguições, as batalhas utilizam comandos simples e alguns combos. Bem inspirado em jogos de luta, na hora da pancadaria existem botões para soco, chute, esquiva, agarrão e, ao utilizar os comandos direcionais em conjunto com esses botões, diferentes técnicas são utilizadas.

O game também conta com um sistema de passagem de tempo que não se restringe apenas em transições de dia para noite, os dias vão passando e caso o jogador enrole muito (mas muito MESMO) em prosseguir com a história, em determinado dia Lan Di resolve fazer uma visita e traz consigo a tela de Game Over.

Se você é fã da franquia Yakuza, fique sabendo que foi de Shenmue que vieram várias inspirações para a série do Dragão de Dojima, em especial os mini games. Enquanto não está por ai batendo em marmanjos e interrogando pobres donos de lojas, Ryo Hazuki pode gastar seu tempo treinando seus golpes em parques e em estacionamentos, ou então gastar seu dinheiro em jogos arcades como Space Harrier, Out Run e Hang On.

E eu não poderia deixar de mencionar a extraordinária trilha sonora da franquia que consegue dar o clima certo para todos os momentos da trama, em especial Sedge Tree, que fez muita gente surtar durante a E3 2015 que eu sei.

Novo de novo

O pacote Shenmue I & II é, sem sombra de dúvidas, a melhor maneira de se conhecer essa maravilhosa franquia, mas infelizmente nem tudo são flores.

As novas versões contam com diversos bugs, na maioria das vezes inofensivos, que podem facilmente te tirar do sério. De vez em quando os efeitos sonoros resolvem parar de funcionar e, constantemente na hora de carregar um save, o jogo trava e é necessário reiniciar o aplicativo do game. Enquanto na parte visual apenas alguns retoques foram dados, todo o áudio de ambos os jogos não foram remasterizados e te lembram a todo o instante de que você está jogando algo de quase vinte anos atrás. Mas o pior mesmo é ficar horas repetindo o mesmo golpe, na esperança de aprimorar suas técnicas, e perder todo o progresso. Por que? Também queria saber.

Obviamente toda aquela dor de cabeça de ter que trocar de CDs durante a partida foi deixada de lado e junto dela as demoradas telas de loading, agora quase não dá mais tempo de ler o que está escrito nas telas de transição. A possibilidade de salvar o progresso a qualquer momento também é muito bem vinda, mas a cereja do bolo é poder jogar com áudio em japonês e legendas em inglês. Fuja da dublagem americana.

Dois clássicos essenciais

Arte é algo que está em constante mudança, mas as vezes surge algo que redefine todo um tipo de mídia, seja Cidadão Kane ou Tubarão nos cinemas, ou então Watchmen e Maus nos quadrinhos. De tempos e tempos surge algo que precisa ser apreciado e, caso você goste de videogames não apenas como uma forma de entretenimento, mas como mídia e como arte, então Shenmue é obrigatório para entender como Yu Suzuki e a SEGA mudaram a industria dos games para sempre.

Mas caso queira apenas se divertir, tolere os gráficos antigos e o clima um pouco lento da história e garanto pra você que Shenmue I & II vai te conquistar bem rápido.

Análise: O retorno dos clássicos obrigatórios em Shenmue I & II
História e cenários envolventesJogabilidade diversificadaTrilha sonora emocionante
Bugs irritantesÁudio em baixa qualidade
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