Análise: Man of Medan é um bom jogo de terror, mas poderia ser melhor

“Ah, olá.” 

“As coisas parecem ter tomado um rumo… espiritual.” 

“Você não concorda?” 

 

Esse é um pequeno trecho da conversa com o Curador, uma espécie de guia dentro do jogo Man of Medan, novo jogo de terror trazido pela Supermassive Games, mesma produtora de Until Dawn. Aliás, é bem difícil não comparar esse novo título com o antecessor da produtora, principalmente em jogabilidade e alguns elementos de jogo.  

Mas vamos por partes, como diria Jack! (apesar da própria frase ser uma lenda, assim como seu criador) 

Devagar e sempre! 

Em Man of Medan acompanhamos a história de cinco jovens que partem para um mergulho em alto mar, explorando um avião submerso há muitos anos. O começo é bem lento, tentando estabelecer um diálogo entre os personagens e pouco entra no verdadeiro clima do jogo. 

Aqui já podemos conhecer um pouco da mecânica do jogo e estabelecer alguns gatilhos que serão recorrentes no decorrer da história, como as premonições, que são ativadas ao analisarmos alguns quadros espalhados no jogo.  

Mesmo nos momentos de exploração inicial do mencionado avião submerso, não temos grandes momentos de susto, o que começa a parecer estranho relacionado a um jogo de terror. Porém, conforme a história desenrola, entramos finalmente no plot da narrativa, quando novos personagens (antagonistas) são inseridos.  

Bom, pra falar a verdade, o começo mesmo é uma outra cena, no que virá a ser o cenário principal do jogo. Ela serve para familiarizar o jogador sobre o que está acontecendo na história, mas achei que não precisava. Esse prólogo poderia ter sido inserido através de imagens ou visões, da mesma forma que as premonições são apresentadas.  

Personagens para todos os gostos

Ao longo do jogo, o controle vai alternando entre os cinco amigos e as ações que tomamos com cada um deles vão atualizando o status do relacionamento entre eles.  

Nesse ponto, também destaco as alternativas que temos que escolher durante o jogo. Com mecânicas simples, nossas escolhas interferem em alguma parte futura do jogo, assim como uma falha ou sucesso em determinada ação, como fugir ou pular de um lado para o outro. Os comandos aparecem na tela e o resultado pode mudar a trajetória da história.  

Algumas dessas ações parecem não ter efeito em nenhum momento do jogo, ou são bastante imperceptíveis em relação as decisões tomadas. Por outro lado, algumas ficam bem explicitas, como uma decisão tomada no início do jogo, que resulta em uma morte (ou não, dependendo da decisão) lá na última cena.   

Um grande jogo narrativo 

Fica claro, ao longo do jogo, que estamos jogando uma grande história de terror. O jogo é bem cinematográfico, narrando a história e nos colocando no controle em momentos específicos dessa narrativa. Por esse motivo, fica claro também a escolha do jogo de câmeras, que muitas vezes traz um enquadramento focado na cena e no que o sistema quer nos apresentar (como os sustos, por exemplo). 

Confesso que não gostei dessa jogabilidade. Ela atrapalha um pouco em determinados momentos, pois em alguns corredores, quando a câmera se afasta muito, não conseguimos saber onde estão as portas ou passagens.  

Essa escolha da câmera e enquadramentos também atrapalha um pouco os detalhes do cenário. Se você é aquele tipo de jogador que gosta de parar e observar certos detalhes de um cenário, ficará um pouco frustrado em vários momentos do jogo.   

Alta rejogabilidade. Será?  

Um dos chamarizes de Man of Medan é o fato de você poder recomeçar o jogo e tentar contar uma história diferente.  

Finalizei com cerca de 6 horas de jogo e dois personagens morreram. Iniciei novamente a gameplay, mas em pouco mais de 2 horas jogando nada mudou em relação a primeira vez. Porém, se eu terminasse novamente, teria a chance de tentar chegar ao final com os 5 jovens vivos.  

Apesar das escolhas poderem alterar esse final, não achei que elas interferem tanto assim no jogo. Muitas escolhas têm efeito prático momentâneo e o resultado não difere tanto de uma pra outra, apenas uma cena contada de forma diferente.  

Problemas, ah os problemas… 

Eu já mencionei acima que não gostei muito da jogabilidade e estilo de câmera do game, porém, isso é um problema apenas pra mim. Já o jogo em si, carrega alguns problemas chatos.  

Em várias cutscenes de ação, o jogo apresentou um lag bem chato, com algumas travadas que comprometiam o desenrolar da cena. Eu joguei em um PS4 normal, não sei se as versões mais recentes, como o PRO, apresentam o mesmo problema.  

Outro fato que me incomodou foi um furo enorme no roteiro já nas cenas finais.  

Em certa parte do jogo, os personagens ficam todos divididos, alguns em duplas e um sozinho ali perdido. Em um determinado momento, um dos personagens que estava com uma dupla aparece do nada em outro local, com outro personagem, só para constar na cena de morte dele. Mas foi literalmente do nada. Sem explicar, sem lógica nenhuma, só apareceu na outra cena, em outro lugar.  

Também não sei dizer se isso aconteceria mesmo que eu tivesse conseguido manter o outro personagem vivo ou se o jogo foi programado para colocar esses dois personagens juntos na mesma cena. Para uma pessoa como eu, que adoro roteiros e histórias, isso foi um baita ponto negativo.  


De forma geral eu gostei do jogo. A história é um clichê das narrativas de terror, mas entrega bem, tem ótimos momentos de susto e dá boas oportunidades para os personagens.  

A jogabilidade não me agradou pelos motivos que descrevi acima e os problemas comprometeram um pouco minha experiência, mas recomendo bastante o jogo para quem gosta de boas histórias de terror.  

Logo após as cenas finais (agora não lembro se é antes ou depois dos créditos) temos um trailer do próximo jogo da antologia da Supermassive, que se chamará Little Hope. Vamos aguardar mais informações.