Análise: Ghost Recon Wildlands

Tom Clancy’s Ghost Recon é uma série conhecida por ser um estilo bem específico de shooter. Focado em táticas e cooperação, os jogos não são simplesmente sair andando e atirando loucamente, feito um Call of Duty ou mesmo Battlefield. Porém, em seu último lançamento, chamado de Wildlands, a figura muda um pouco.

Wildlands é um jogo que você precisa desestabilizar e acabar com uma organização criminosa na região fictícia de Santa Blanca, na Bolívia. A região é complexa e composta por uma mistura de selvas, pântanos, desertos e até algumas montanhas nevadas, tudo isso povoado por pequenas cidades, totalmente dominadas pelo cartel.

Você controla um dos quatro membros de um grupo de elite dos Estados Unidos e é chamado à região após a morte de um agente infiltrado. Karen Bowman é a líder da operação e ela irá te enviar os detalhes de cada missão e cada alvo a ser eliminado (se você for fã da DC, verá alguma similaridade com a peronsalidade de Amanda Waller).

Atacando por baixo

Para chegar até o chefão do Cartel, você precisará atacar de baixo, começando pela hierarquia mais baixa: os chamados Buchons. Eles são diversos chefes regionais, divididos entre 4 principais operações: Contrabando, Influência, Produção e Segurança. Aqui a mecânica de mundo aberto mostra-se excelente; você poderá decidir qual região atacar e qual Buchon deseja eliminar primeiro, apesar de existir uma ordem sugerida de acordo com a dificuldade mostrada em cada região.

Cada região possui diversas missões que precisam ser concluídas antes de chegar em seu líder. As missões variam de acordo com a função do líder, nas regiões produtoras de coca, por exemplo, você terá que atacar as fazendas e destruir os estoques produzidos. Em regiões de influência, você precisará sequestrar e interrogar diversas pessoas até descobrir quem é o líder e então trazê-lo para seu lado. A variedade de missões é grande de modo a não tornar o jogo repetitivo, coisa que vemos frequentemente em jogos de mundo aberto.

Além das missões, há uma grande quantidade de coletáveis por região: recursos para adquirir novas habilidades, arquivos sobre a operação “Kingslayer“, audios e textos com informações valiosas sobre o cartel, armas e acessórios e também pontos de habilidade. Tudo isso está espalhado pelo mapa e pode ser revelado interrogando alguns pequenos influenciadores locais ou hackeando informações de alguns computadores. Também existem algumas missões secundárias para ser feitas em conjunto com as forças rebeldes locais, que fornecem uma grande quantidade de recursos também. Assim, cada região torna-se um pequeno mundo a ser explorado e você pode investir diversas horas até partir para seu próximo alvo.

Mas se você estiver interessado em derrubar El Sueño o mais rápido possível, poderá fazê-lo sem coletar nenhum recurso, arma ou side-quest. Apenas com suas configurações iniciais.

Aquí es Dj Perico e estás escuchando la radio Santa Blanca

A imersão e ambientação são um grande destaque para o jogo, quando você entrar em um veículo irá ouvir o DJ Perico na radio local. Se você prestar atenção verá que ele comenta sobre diversos acontecimentos ao decorrer da história, sobre os líderes que você derrubou ou algo de marcante que fez em alguma região, também há uma propaganda promovendo o Cartel, tudo isso acompanhado de uma excelente seleção de músicas latinas. Os personagens de seu esquadrão também conversam entre-si, então em algumas longas viagens de carro você poderá dar algumas boas risadas.

Se você é fã de Narcos, com certeza irá se sentir dentro de um episódio da série (dadas as devidas diferenças geográficas).

Muy bueno, pero no mucho

O jogo é destacado pela história, ambientação e paisagens. Porém, há alguns pontos de atenção nas mecânicas principais: dirigir em Wildlands pode ser uma experiência traumática, se você está acostumado com GTA, pois os controles de alguns veículos maiores são bem travados e manter a estabilidade na pista pode ser um problema, a moto por exemplo desafia as leis da física e você poderá cair de alturas relativamente grandes sem maiores problemas. Um outro problema está nas missões mais voltadas para a furtividade pois existe um elemento de global-alertness: se algum inimigo te detectar, automaticamente todos os inimigos saberão sua posição. Eu particularmente falhei em algumas missões, pois estava fazendo reconhecimento da área com o drone, longe de qualquer inimigo e um carro do cartel passou pela rua e me avistou, alertando todos os inimigos da área sem qualquer possibilidade de reação.

A experiência co-op do jogo é um pouco diferente daquela jogada com a inteligência artificial. O grande problema do co-op é que quando você entrar em uma sala com um amigo, todos os outros membros do se esquadrão controlados pelo computador irão desaparecer, independente de quantas pessoas estiverem jogando com você, ou seja, se você jogar com apenas um amigo, serão só vocês dois contra o cartel, o que pode causar um grande aumento na dificuldade.

Resumo

Ghost Recon Wildlands é uma boa adição ao estilo shooter-tático da série, mas a adição do elemento de mundo-aberto tira um pouco do direcionamento do jogo, deixando sua mão traçar a melhor rota para derrubar El Sueño. Os vilões são um grande destaque para o jogo, através de suas personalidades e suas histórias com os pequenos vídeos de briefing, enviados por Bowman. O outro grande destaque vai para a direção de arte do jogo, todos os cenários são extremamente bem construídos e não há uma grande repetição dos cenários, dando uma grande diversidade ao jogo.

Por outro lado, ainda encontramos alguns pequenos problemas como dirigir os veículos (eu não estava esperando um GTA, mas com certeza algo um pouco mais amigável seria bom) e o fato de as habilidades compradas com a progressão do personagem não fazerem tanta diferença assim para o jogo. Com tantos jogos grandes e de mundo aberto sendo lançados, Wildlands passou um pouco despercebido aos grandes lançamentos de 2017, mas com certeza vale a pena conferir.

Esta análise foi realizada com base na versão de PS4 gentilmente cedida pela Ubisoft. Ghost Recon Wildlands está disponível para PS4, Xbox One e PC.

Ghost Recon Wildlands
Excelente ambientaçãoBoas mecânicas de shooter tático
Dirigir é complicadoGlobal-alertness pode te fazer falhar facilmente nas missões
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