Análise – Final Fantasy 7 Remake

Ha 23 anos, tivemos o lançamento de um dos jogos que viria a ser um marco na história dos video games. Final Fantasy VII marcava uma nova era para a série, não só como a primeira entrada no mundo dos gráficos 3D, mas também uma despedida aos consoles da Nintendo depois de muitos anos de parceria. Esse RPG icônico marcou não só por seus personagens, como Cloud, Tifa, Aerith e Sephiroth, que vieram a aparecer em inúmeros outros jogos através de diferentes plataformas e franquias, mas também pelo desenvolvimento da sua história e trilha sonora, que é um dos melhores trabalhos do compositor Nobuo Uematsu.

Um novo começo

Rumores de um remake de Final Fantasy 7 circulam pelo mercado de jogos desde meados dos anos 2010, pouco depois do jogo completar 10 anos. Isso poderia ser apenas um grande sonho dos fãs ou mesmo aquelas notícias que vem e vão e acabam perdidas em meio à quantidade imensa de boatos que existem pelo mercado. Mas para a alegria de todos os fãs desse RPG clássico, ou para qualquer fã de RPG em geral, nossos desejos foram confirmados durante a conferência da Sony na E3 2015 e agora em 2020, no dia 10 de Abril, a primeira parte desse remake foi lançado e é um dos grandes lançamentos do ano.

O jogo foi refeito do zero e ampliado de uma maneira que transformou poucas horas do jogo original em mais de 40 horas que nos deixaram sedentos pela próxima ou próximas partes, pois ainda não sabemos quantas partes serão, apenas que o jogo foi dividido para ser lançado em diferentes capítulos.

Diferente da versão original de Final Fantasy VII, o Remake é dividido em capítulos e tudo foi incrivelmente expandido, atingindo um potencial quase que máximo da geração atual. Novos elementos de história foram adicionados, bem como novos personagens bastante interessantes. Os setores dentro de Midgar possuem uma vida que só se tornou possível com a tecnologia atual e nunca imaginaríamos isso jogando o clássico de 1997. As favelas da parte inferior de Midgar são bastante populosas e você pode ouvir as pessoas conversando sobre diferentes assuntos, ver as notícias do que acontece na cidade ao escutar uma TV ou um rádio próximo ou mesmo se esgueirar nos becos para descobrir segredos ou realizar tarefas para os outros moradores. Tudo isso adiciona uma camada de vida que te faz se importar ainda mais com a cidade e tudo que é construído nesse jogo.

Para quem não conhece a história ou a base de Final Fantasy 7. Você joga como Cloud, um ex-SOLDIER (grupo de elite da corporação Shinra) e agora mercenário, que é contratado pelo grupo Avalanche, composto por Barret, Tifa, Jessie, Biggs e Wedge para um ataque a um dos reatores de Mako (elemento principal de energia e fonte de vida do universo do jogo) da corporação Shinra. A missão do grupo é de destruir todos os oito reatores de Mako que são utilizados para prover energia e manter a cidade de Midgar flutuando sobre as favelas.

O caminho de Cloud durante as missões se cruza com Aerith uma, até então, simples vendedora de flores na cidade e o desenvolvimento dessa relação é um dos destaques de Final Fantasy VII Remake.

Mais ação e inspiração dos títulos mais recentes da série

Desde Final Fantasy XII a série optou por um estilo de combate mais ativo, trazendo mais dinamismo e controle sobre seus personagens durante a batalha. Final Fantasy 7 Remake possui um estilo de combate 100% ativo, bastante parecido com Kingdom Hearts 3 e Final Fantasy XV. Você possui uma barra que é carregada com ataques regulares e pode ser consumida para o uso de habilidades ou magias. A principal diferença de Final Fantasy XV é que você pode controlar os outros personagens e cada um deles possui um estilo de combate diferente, bem como sua sua barra própria (ATB) e você pode selecionar ações para cada um deles individualmente.

Barret com sua metralhadora no braço direito pode ser usado para atingir inimigos que estão a uma distância mais longa, enquanto Tifa combina seus socos e chutes em combos que causam um dano progessivo.

A sensação de poder controlar um personagem, carregar sua barra para usar uma habilidade poderosa e apenas com um toque no direcional, trocar para outro, atacar para carregar e desferir outra habilidade em questão de segundos adiciona uma camada estratégica e deixa a cargo do jogador escolher o estilo de jogo preferido e testar todos os personagens.

As tradicionais summons também marcam sua presença no jogo e podem ser desencadeadas em momentos especiais, quando uma barra na lateral direita da tela começa a ser carregada. Quando ativada, a  invocação lutará lado a lado com seus personagens e você pode utilizar suas barras para comandar ataques específicos. Shiva, Ifrit, Cactuar, Carbuncle e até o Fat Chocobo estão presentes e também algumas outras que não vou falar para não estragar sua experiência.

O sistema de Materias também está presente e também foi refinado para o Remake. Há diferentes estilo de Materias que vão desde magias ofensivas como Fire, Ice e Thunder, magias defensivas e de cura como Cure, Barrier e Shell, habilidades especiais como First Strike, que deixa seu personagem iniciar a batalha com uma barra de ATB cheia e Perfect Dodge, que permite a utilização de um golpe logo depois da esquiva e por último habilidades passivas como HP Up, MP Up e ataques elementais para sua arma.

Um dos novos NPCs do jogo, chamado de Chadley, vai te passar várias missões de combate para realizar em troca de Materias novas, então sempre procure falar com ele e busque completar as tarefas que ele te passar.

O sistema de equipamentos também foi bastante modificado e cada arma possui uma árvore de habilidades intrínseca e que precisa ser desenvolvida gastando o SP adquirido após cada batalha. Além disso, cada arma possui uma habilidade especial e que pode ser desbloqueada definitivamente para o personagem ao realizar ações específicas no combate. O bom é que você não precisa utilizar uma arma que não goste por muito tempo, apenas para desbloquear aquela habilidade especial, mas não se preocupe, todas as armas ganham a mesma quantidade de SP após cada luta, então você não vai sacrificar a evolução de uma delas por utilizar outra que goste mais.

Muita coisa além da história principal

Apesar da estrutura linear de alguns capítulos da história do jogo, você possui uma liberdade e diversas atividades paralelas para explorar. Sempre há algum tesouro escondido no mapa ou mesmo alguma cena especial entre os personagens, que você desbloquear se sair do caminho principal da missão.

Em certos momentos você terá acesso a side quests que sempre são divertidas e que podem trazer um pouco mais da personalidade dos habitantes daquela região ou de quem te acompanha.

Explorar os cenários e observar a vida na cidade é sempre algo incrível de se fazer, pois tudo foi criado num nível de detalhe impressionante.
A trilha sonora foi reimaginada e cada música ajuda na ambientação e imersão nos momentos. O tradicional tema de batalha está ainda mais incrível e o jogo conta com uma nova versão do meu tema favorito do Chocobo (não quero entrar em detalhes para não estragar a experiência, mas preste atenção nos rádios das cidades para ouvir).

Limitações da geração

A grandiosidade de Final Fantasy 7 Remake mostra que a geração atual está chegando ao seu limite. Apesar de eu estar jogando no PlayStation 4 regular, observei que há diversos problemas de texturas carregando com atraso ou mesmo algumas que não carregam por completo, deixnado portas e algumas paredes borradas. Isso pode acabar passando despercebido na maioria dos momentos, mas você com certeza vai estranhar quando reparar. Já a taxa de quadros e performance geral do jogo é bem constante e não observei nenhum momento de lentidão, mesmo nas batalhas mais cheias de efeito possíveis, então o jogo é fluido o tempo todo.

Resumo

Final Fantasy 7 Remake finalmente está entre nós, apesar do jogo contar apenas uma fração da história do original, há conteúdo suficiente para expandir algumas horas para mais de 40, se tornando uma experiência bastante completa. É claro que todos aguardamos ansiosos pelos próximos anúncios e lançamentos, mas com a qualidade dessa primeira parte, a expectativa ficou ainda mais alta do que antes.

O jogo traz um sistema de batalha mais focado em ação, com alguns momentos dedicados para uma estratégia e planejamento ao poder definir os comandos dos outros personagens. A versatilidade dos estilos de combate de cada personagem incentiva as trocas frequentes para que a batalha seja melhor aproveitada e se torne ainda mais dinâmica. As habilidades das armas também são uma boa adição para a franquia e a escolha pelo visual que você gostar mais, não fica mais tão doloroso assim, visto que há pouca diferença de poder, depois que você evoluir todas as armas.

As novas adições na história, como momentos de desenvolvimento dos protagonistas e novos personagens contribuem para a expansão daquele mundo e construção de uma Midgar vasta, incrível e cheia de vida. São cerca de 35 para que você complete a história e ao final, liberará um modo de seleção de capítulos e uma nova dificuldade, garantindo mais de 20h adicionais se você quiser chegar a 100% do jogo.

Análise: Final Fantasy 7 Remake é um excelente exemplo da releitura de um clássico, mesmo que só parte dele
Sistema de batalhas ativo é excelenteNovos elementos adicionais contribuem na construção de um mundo cheio de vida
Ocasionais problemas de textura
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