Em 2007 a Ubisoft dava início a uma de suas maiores franquias e uma das principais franquias da sétima geração de consoles: Assassin’s Creed. Mas foi necessário esperar dois anos para o lançamento do jogo que realmente fez a franquia assumir o topo da cadeia alimentar dos jogos de ação e aventura mundo aberto com o lançamento de Assassin’s Creed II.

Após a continuação aclamadíssima pela crítica, a Ubisoft começou a lançar continuações da série anualmente, deixando alguns fãs descontentes devido a queda de qualidade que acompanhou essa anualização, como Assasin’s Creed 3 e Assassin’s Creed Unity, ambos ocupando postos como jogos fracos da série.

Mostrando ouvir o feedback da comunidade, a Ubisoft decidiu dar mais tempo para o desenvolvimento de Assassin’s Creed Origins, lançando o jogo dois anos depois de Syndicate. Mas será que esse prazo foi suficiente para a empresa finalmente entregar um jogo que os fãs estavam esperando?

O começo de tudo

Você joga na pele de Bayek de Siuá, o último dos Medjay, um soldado de elite do antigo Egito que atuava como o principal protetor do Faraó e de todo país. Durante uma tarde em que Bayek estava ensinando seu filho a caçar e enfrentar seus medos, alguns membros d’A Ordem aparecem e Bayek acaba vendo sua criança tendo uma morte traumática.

Bayek e sua esposa, Aya, saem em busca dos culpados por isso, e no meio dessa luta por vingança pela morte de seu filho o casal acaba se vendo no meio de uma conspiração muito maior do que eles imaginavam. E para enfrentar toda essa injustiça, Bayek e Arya criam algo que mais pra frente se tornaria a Ordem dos Assassinos.

Como de costume nos jogos da série, Assassin’s Creed Origins traz uma extensa lista de nomes marcantes da história na época, não apenas do antigo Egito, como Cleópatra, Ptolomeu e Júlio César.

Deixando o passado de lado e abraçando o futuro

A Ubisoft ousou em Assassin’s Creed: Origins, abandonando coisa que nós nunca iríamos imaginar um jogo da série sem. O principal exemplo disso para mim foi não ser mais necessário sincronizar todos os pontos do mapa para liberar o mapa da região. Ainda é necessário fazer isso para que o mapa lhe mostre onde estão todos os pontos de side quests e coisas desse tipo, mas agora basta entrar em uma área e pronto, ela não está mais nublada no mapa do mundo.

No lugar do famigerado Eagle Vision nós temos Senu, a águia companheira de Bayek. Ela serve para apontar no mapa, não só os inimigos de Bayek, mas locais onde estão os tesouros e animais selvagens para caçar e pegar materiais, que por sua vez, servem para melhorar os equipamentos de Bayek.

Isso nos traz para uma novidade muito bem vinda para a franquia: a sua abordagem mais direta aos elementos de RPG. Todos os inimigos que Bayek enfrenta em sua jornada de vingança tem níveis, e acredite, pela primeira vez em algum Assassin’s Creed não partir pra porrada será a melhor saída diversas vezes.

Bayek também tem uma robusta árvore de habilidade focada em três diferentes aspectos de gameplay do protagonista: Caçador (foco em stealth), Guerreiro (combate direto) e Vidente (ferramentas para o uso em diversas situações).

Os equipamentos são dividos em três raridades: Comum, Raro e Lendário. A diferença é a quantidade de bônus que cada raridade dá ao equipamento, sendo um, dois e três bônus, respectivamente. Ao contrário de outros RPGs que tem esse sistema de raridade para armas e equipamentos, como Destiny 2, Origins faz um trabalho mediocre em fazer com que os equipamentos lendários sintam realmente mais fortes que os normais. Isso se deve pelas armas trazerem, em sua grande maioria, apenas alguns bônus de ataque, como dano por veneno ou sangramento.

Outra novidade que foi muito bem vinda foi a mudança feita no combate do jogo. Agora, em vez do jogo te pegar pela mão e permitir que você mate todos ao seu redor com poucos botões, Origins abraça a ideia de um combate mais estratégico. Eu odeio fazer essa comparação, mas infelizmente não há como fugir: o combate lembra muito Dark Souls.

Como disse acima, se enfrentar muitos inimigos de uma vez, você provavelmente vai morrer, a não ser que eles sejam de nível mais baixo. Então o ideal é fazer uma abordagem mais paciente, derrubando um oponente de cada vez. Mas quando não é possível ser sorrateiro, Bayek tem um escudo e uma arma a sua escolha para se defender. Podendo desviar dos ataques do oponente, aparar seus ataques e rebate-los com um dano crítico e atacar com ataques leves e fortes. Tipo Dark Souls.

Egito mais vivo do que nunca

O trabalho de ambientação da Ubisoft com os jogos da série Assassin’s Creed sempre foi digno de atenção. Desde o primeiro jogo da série a equipe nos mostra um incrível trabalho em retratar da forma mais fiel possível.

A primeira impressão que Origins nos passa, por ser um jogo situado no antigo Egito, é de que iremos jogar por desertos até a nossa vista se cansar de ver tanto marrom na tela. Mas felizmente isso está bem longe de ser verdade. Com um ambiente diversificado e de encher os olhos, Assassin’s Creed: Origins é um dos jogos de mundo aberto mais bonitos dessa geração.

Infelizmente sinto não poder dizer o mesmo sobre a trilha sonora do jogo. Por diversas vezes eu me pegava prestando atenção atentamente no fundo dos sons que estavam acontecendo no jogo, e em nenhum momento houve aquela trilha sonora épica para fazer jus aos acontecimentos do jogo.

Conclusão

Assassin’s Creed Origins é tudo o que a franquia precisava após os dois últimos jogos que deixou um gosto amargo na boca dos fãs. Com uma história cativante, gameplay diferenciado em relação aos títulos passados mostra que a Ubisoft merece ser uma das desenvolvedoras ocidentais mais respeitadas.

Há erros? Sim, obviamente, mas nenhum deles é grande o suficiente para atrapalhar com a incrível experiência que Assassin’s Creed Origins proporciona.

Análise: Assassin's Creed Origins bota novamente a série no topo
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