Ano novo, novas promessas, novos começos e velhas histórias. Basta os 365 dias se passarem para algum rumor inconveniente sobre Half-Life aparecer nas mídias e te fazer pensar se vão tirar a poeira do pé-de-cabra. A Valve voltará a fazer jogos? O império da maior plataforma de mídias digitais do mercado de videogames se tornou autossuficiente o bastante para arcar com a ânsia dos fãs por algo novo?

As perguntas continuam as mesmas.

Semana passada, uma entrevista bombou no site da Game Informer (incrível, por sinal). Andrew Reiner, um dos redatores do portal, conta uma incansável busca pelo Santo Graal dos jogos: o que aconteceu com Half-Life 3? E a pergunta mais pertinente: existe Half-Life 3?

Leia também: Half-Life 3 é um fardo que talvez nem a Valve consiga mais carregar

Desde 2014, Reiner veio tentando contatar vários funcionários da Valve. Com incontáveis “não tenho comentários sobre isso” ou um longo e sepulcral silêncio sobre seus emails perguntando sobre o atual estado da franquia, uma luz brilhou no fundo do túnel. Em 2015, um ‘informante anônimo’ da empresa resolveu cantarolar tudo o que nós sempre quisemos saber. E as notícias não são muito boas.

Resumidamente, o informante disse que nunca existiu algo que se possa chamar de Half-Life 3. Protótipos, demos ou planos que saíram do papel: nada disso aconteceu. Apenas ideias vagas do que poderia ser uma possível sequência do título — e nada que possa se destacar de interessante. Pequenos times se reuniram dezenas vezes para montar um novo projeto, mas nada iria para frente; sem atenção ou recursos devidos, os projetos apenas eram esquecidos.

Levando em conta as informações citadas no texto, que saída teria Gordon Freeman de sua eterna prisão de um cliffhanger de quase 10 anos? Vamos começar pela mais fácil:

Sem sequência direta e sim várias experiências no mundo Half-Life

Visto o atual cenário do hype internacional em cima de um único jogo, essa com certeza não seria uma saída fácil – muito menos segura. Não dá pra brincar de Half-Life, a ânsia dos fãs ao se depararem com um jogo que não tenha um três no final do nome provavelmente iria acometer numa situação desagradável. Porém, num ponto de vista organizacional, seria o mais próximo que teríamos a algo relacionado a Half-Life num futuro relativamente breve.

O projeto Black Mesa é algo que serviu como um aperitivo para saciar essa fome. O jogo é uma remake quase perfeito do primeiro jogo na engine Source e, embora ainda não esteja completo, o capítulo de Xen deve ser lançado ainda esse ano. Que tal uma revisita aos clássicos Blue Shift e Opposing Force? Não seria o suficiente, óbvio. Mas pelo menos é algo a ser considerado, não?

Lembro que no começo do ano passado, J. J. Abrams estaria sendo o responsável por adaptações cinematográficas de Portal e Half-Life. Caso o projeto realmente se concretize, eu tenho mais medos do que seguranças sobre isso. Sabemos a problemática da adaptação de jogos para as telas de cinema e certamente não gostaria de experienciar o final de uma franquia com atores reais em uma filmagem totalmente scriptada. Não preciso citar aqui os inúmeros motivos.

Um ‘super projeto’: Aperture Science, Black Mesa e tudo misturado

Talvez o mais improvável de todos, mas sonhar não paga imposto. Os mundos de Portal e Half-Life estão intrinsecamente relacionados – a corrida intergalática portalesca entre as duas maiores empresas de ambos os jogos já tiveram suas histórias contadas, entretanto, nada muito explicadinho ou contado entre os miúdos detalhes. O que eu penso nesse tópico seria basicamente um crossover entre os dois universos e que não teria a real necessidade de terminar a saga de Gordon.

Já imaginou um game design que respira Portal Gun e Gravity Gun ao mesmo tempo? As ruínas de City 17 e os laboratórios abandonados da Aperture? Um tiro, dois acertos: dois dos maiores jogos que necessitam de uma sequência (pelo menos por parte dos fãs). Mas como disse anteriormente, o chão é o lar dos pés – embora a cabeça esteja nas nuvens. Quem sabe um dia.

Criação de uma nova IP e um sucessor espiritual

Esqueça o nome Half-Life, esqueça tudo o que aconteceu há mais de uma década. Vamos partir para novos horizontes, novos personagens e uma reformulação completa do que estamos acostumados. Provavelmente, se isso acontecesse, a vontade de muitos seria explodir uma ogiva na cabeça do Gabe e na Valve inteira – mas só por um momento, vamos analisar as vantagens desse tópico.

Seria uma ótima oportunidade de um recomeço para a série como um todo sem se esquecer de suas origens: a liberdade criativa de se construir algo incrível são exorbitantes. Tanto que vários dos desenvolvedores que já participaram de Half-Life – como diz a entrevista lá em cima – foram trabalhar em novos projetos ou coisas mais corriqueiras. Quantas ideias geniais não rodaram por ali mas acabaram limitadas por se restringir aquele tema específico? A vontade de introduzir novos personagens com o potencial carismático maior ainda que o de Alyx?

Entendo perfeitamente que seria o movimento mais arriscado. E é disso que a empresa precisa mais: ousadia. Muitos jogos fadaram ao fracasso por ter medo de explorar além de sua potencialidade e acabaram na mesmice. Precisamos de mais Kojimas na indústria ao espantar o conservadorismo que assombra os jogos e se desligar um pouco mais de suas essências naturais para se ter mais histórias e experiências inovadoras.

Ou só esperamos por algo que provavelmente nunca vai acontecer

O porto seguro, a zona de conforto. É onde estamos agora e iremos ficar até algo de muito extraordinário acontecer – além dos tópicos que descrevi aqui. Continuaremos a esperar ansiosamente por aquele três e o fechamento da história após os Advisors terem matado o dr. Vance e a tela ter se apagado por longos dez anos.

De adianto, todos esses tópicos foram devaneios de um fã que há muito aguarda a sequência dessa franquia. Talvez você se identifique comigo em algum ponto ou outro, mas enquanto esse momento não chega, não é o fim do mundo. 2017 promete ser um ano incrível (em termos de videogame, pelo menos) com muita coisa boa vindo por aí.

Concorda comigo? Gostaria de acrescentar mais alguma loucura enquanto espera um anúncio oficial por parte da Valve? Vou adorar conversar sobre.