Cerca de duas mil e setecentas pessoas passaram por um teste feito pelo site GameSpot, cujo procedimento era simples: bastava assistir a três trechos do game Far Cry 4 e apontar qual estava rodando no PlayStation 4, qual estava no Xbox One, e por fim, qual estava sendo executado no PC. O resultado? Mais da metade das pessoas não soube fazer a distinção correta ­­– 64% dos testes apresentaram resultados incompatíveis com o que era mostrado. É um número bem grande e controverso, dada a quantidade de reclamações que o público e a mídia fazem em torno desse assunto, não acha?

Agora, com essa informação dada, sou eu que pergunto: você saberia diferenciar os gráficos do PS4, Xbox One e PC sem qualquer indicação?

ACUnity

Aparentemente, hoje em dia é sua obrigação achar que um dos lados da imagem é ridiculamente mais bonito que o outro.

Talvez você consiga, talvez não. As diferenças podem ser significativas o suficiente, mas as maiores discrepâncias que deveríamos nos atentar não estão nos gráficos. Cada plataforma tem suas peculiaridades: controles, bibliotecas de jogos, políticas, sistemas online, características, público alvo e afins. Isso é muito mais diferente entre as plataformas do que qualquer 900p contra 1080p. Quando você está imerso em um jogo, pode não perceber, mas você começa a ignorar um serrilhado aqui ou uma sombra quadriculada ali. Eu sei disso porque é assim comigo. Uma vez que estamos jogando e nos desapegamos disso, aquele olhar que outrora procurava falhas gráficas passa a dar lugar para uma mentalidade que aprecia os gráficos pelo que eles se propõem – dadas as limitações –, além de priorizar jogabilidade, enredo e outros fatores. O público é (e provavelmente sempre será) ganancioso, pois os gráficos exigidos são algo além do apresentado atualmente, mas isso está longe de querer dizer que o que temos hoje é decepcionante. Se voltarmos duas gerações, o PlayStation 2 era o mais fraco dos consoles da sexta geração e ainda ganhou disparado da concorrência. Não me diga que essa discussão de gráficos não era considerada importante na época, porque é óbvio que era. Isso estava em pauta desde o SNES e Mega Drive.

E a propósito, se você notou diferenças gráficas na comparação de Assassin’s Creed: Unity que fiz ali em cima, saiba que aquela imagem é da versão de PC, apenas com um lado mais escurecido. Isso só mostra como a paranoia em ver diferenças absurdas é algo cada vez mais tendencioso na mídia de jogos digitais (e nós caímos direitinho, infelizmente).

Gráficos são importantes, mas hoje em dia são tratados como algo acima de tudo. Parem de vê-los como algo tão técnico – contando pixels, por exemplo – e apreciem mais o lado artístico da coisa. Não tornem a atividade de jogar videogame algo tão chato. Joguem e não se esqueçam de se importar com um enredo bem construído, mecânicas funcionais e experiências inesquecíveis com os amigos (ou até sozinho). Esse é o primeiro passo para a diversão.