A sequência de To The Moon, nomeada Finding Paradise, está entre nós! E arrisco dizer que essa nova história já superou a anterior.

Dessa vez, os doutores Rosalene e Watts tem o desafio de realizar o desejo de Colin: mudar seus arrependimentos sem mudar as memórias com a família. A princípio um pedido estranho mas relativamente simples, até as memórias serem acessadas.

Como visto em To The Moon, o jeito normal de saltar de uma memória para outra é de maneira linear (da memória mais recente até a mais antiga), mas o caso de Colin se mostra diferente: com saltos em formato de espiral. Eva e Neil vão saltando de uma memória mais recente para uma da infância, eventualmente levando a um ponto central, que guarda a resposta para esse fenômeno.

O que mais chama a atenção nos saltos é como as memória de infância de Colin são mais vívidas que as memórias de sua vida adulta, com foco especial na sua amiga Faye.


Em muitos aspectos, Finding Paradise supera To The Moon. Sua jogabilidade é quase a mesma: guiar os personagens com o mouse e achar os memory links, a inovação veio em partes específicas, como por exemplo a customização de personagens e batalhas épicas (ambas tem relação com Neil).

Mas não são gráficos ou jogabilidade que chamam a atenção neste jogo e sim sua história.

Cheguei mesmo a achar que não iria me emocionar, mas com sutileza e uma construção lenta, a história te pega desprevenido, fazendo qualquer um se emocionar.

O que contribui muito para que isso aconteça é a trilha sonora composta por Kan Gao, o também criador do jogo. Cada música combina perfeitamente com o momento em que se encontra, valendo um destaque especial para Wish My Life Away, composta por Laura Shigihara, que você pode ouvir abaixo

O game também retorna com seu humor divertido, sempre quebrando os momentos de tensão de maneira leve e sempre tirando risadas do jogador.

 

Mas afinal, qual é a sutil mensagem de Finding Paradise?

O primeiro pensamento que me veio assim que terminei o jogo foi que nossos arrependimentos não definem a nossa vida. Colin teve diversos arrependimentos ao longo de sua vida (que não irei revelar, afinal spoilers!), mas isso não significa que sua vida foi ruim.

Outra mensagem importante é sobre a solidão. Embora este tema seja bem mais abordado em A Bird Story (um prequel de Finding Paradise que só fui descobrir quando já estava no meio do jogo), em que Colin salva um passarinho em perigo e depois não consegue deixá-lo ir embora, pois é o único amigo que tinha.

Mas é a partir dessa solidão que surge Faye. Ela é aquele tipo de personagem que você só começa a entender no final. Embora seja de um jeito melancólico e solitário, essa personagem talvez seja o que impulsionou a vida de Colin, em um momento em que tudo o que ele precisava era de companhia.

 

Infelizmente não posso me aprofundar mais ou vou revelar o plot twist importantíssimo da história. Então espero que isso seja o suficiente pra aguçar sua curiosidade e descobrir essa história maravilhosa.

Mas Finding Paradise não é apenas sobre o Colin! Não podemos esquecer que existe toda uma trama misteriosa envolvendo Neil e Eva fora de suas consultas com os clientes, que é bem aprofundada nos episódios especiais de natal!

Finding Paradise está disponível na Steam por R$20 reais (!!!), então isso acaba com todas as suas desculpas para não jogar este jogo incrível!