A Riot Games, desenvolvedora de League of Legends, respondeu às acusações sobre a toxicidade no local de trabalho com um extenso pedido de desculpas na manhã de hoje, uma medida que reconhece as críticas maciças vindas de funcionários (e ex-funcionários), que surgiram após uma investigação do Kotaku no início deste mês. O pedido de desculpas veio um dia depois que o ex-funcionário e desenvolvedor de software Barry Hawkins postou um texto em seu blog pessoal, um dos muitos [1, 2] a surgirem nas últimas três semanas, descrevendo porque ele deixou a empresa depois de tentar abordar o sexismo na Riot.

A reportagem do Kotaku destacou, em detalhes, como os cofundadores, executivos e funcionários da Riot fomentaram uma cultura de trabalho sexista, que manteve as mulheres fora de cargos de liderança, excluiu desenvolvedores e artistas talentosos e colaborou com o desequilíbrio generalizado entre gêneros na indústria de jogos e na comunidade dos E-sports, onde League of Legends tem local de destaque. O post de Hawkins também descreveu o uso difundido de piadas de estupro pela empresa para descrever seu processo de recrutamento, incluindo o slogan “um ‘não’ não significa necessariamente não”.

“Para os funcionários da Riot, contratados e ex-funcionários: nós sentimos muito”, diz o post. “Lamentamos que a Riot nem sempre tenha sido – ou não foi – o lugar que prometemos a vocês. E lamentamos que tenha demorado tanto para nós ouvirmos vocês. Nos próximos dias, semanas, meses, anos, faremos da Riot um lugar do qual todos podemos nos orgulhar”.

A empresa diz que vai passar por extensas avaliações internas para recalibrar tudo, desde como define a palavra “jogador” até o que seu manifesto significa para o processo de investigação de denúncias e assédios, recrutamento, treinamento de funcionários e esforços de diversidade e inclusão. Esta não é a primeira declaração que a Riot Games emitiu sobre o assunto – a empresa deu declarações ao Kotaku e outros veículos após o relatório de denúncia inicial ser divulgado – mas é o mais completo pedido de desculpas desde que o assunto veio à tona.

League of Legends, um MOBA free-to-play, tornou-se um dos jogos mais populares do mundo ao longo da última década, catapultando a Riot Games para o alto escalão dos estúdios de jogos. Atualmente, a Riot emprega mais de 2.500 funcionários em 24 escritórios em todo o mundo e conta com os enormes aportes financeiros da chinesa Tencent, que adquiriu a empresa em 2015. A Riot não apenas administra League of Legends, que gerou mais de US$ 2 bilhões no ano passado, como também administra as extensas competições globais de E-sports ao redor do jogo, com controle rígido sobre licenciamento, transmissão e produção de eventos ao vivo.

Apesar do enorme sucesso, funcionários atuais e antigos criticaram o fracasso geral da empresa em promover uma cultura de local de trabalho mais madura e superar hábitos antigos que remontam ao início da Riot, quando ela era apenas uma startup dominada por homens. Após o relatório do Kotaku em 7 de agosto, várias mulheres desenvolvedoras de jogos e funcionárias da indústria se abriram sobre suas experiências na Riot e em outros lugares, e a conversa sobre a cultura tóxica da empresa só se intensificou desde então.

Não está claro se a postagem de Hawkins, feita ontem, levou a liderança da Riot Games a emitir uma resposta mais definitiva. É provável, no entanto, que a empresa tenha decidido se antecipar e se posicionar antes que surgissem ainda mais histórias de ocorrências tóxicas e sexistas em seu local de trabalho. Em sua lista de desculpas, a Riot incluiu jogadores e novos funcionários em potencial, sinalizando que vê essas acusações e a decorrente mancha em sua reputação como sendo capazes de causar impactos negativos em sua área de atuação e na sua capacidade em contratar novos talentos. “Sempre acreditamos que a Riot deveria ser o lar dos melhores talentos em jogos”, conclui o post. “Está claro que não atingimos esse objetivo. Mas nunca desistimos de um desafio antes e não planejamos começar agora”.

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Via The Verge