Desenvolvido pela Ubisoft Montreal, Child of Light é um jogo de RPG de plataforma, lançado digitalmente dia 30 de Abril de 2014 para PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One, PC e Wii U.

Child of Light foi anunciado de forma tímida pela Ubisoft, se comparado às outras séries da empresa, mas impressionou a crítica, conseguindo a pontuação 82/100 no Metacritic.

Inspirado nos RPG’s japoneses, Child of Light propõe a renovação do bom e velho combate por turnos, com movimentação no estilo plataforma. Confira o review e veja se o jogo cumpre a promessa.

História

Em Child of Light você é Aurora, uma jovem e inteligente garota, filha do Duque da Áustria. A mãe de Aurora, esposa do Duque, morre por causa desconhecida, e algum tempo depois o Duque se casa uma mulher misteriosa.

A rotina dessa nova família é interrompida quando Aurora cai em um sono profundo. Aurora acorda em Lemúria, um reino mágico que, de alguma forma, tem ligação com o mundo real. O pai de Aurora pensa que a menina está morta e cai em profunda depressão.

Enquanto isso, triste e desesperada em Lemúria, Aurora embarca em uma aventura na tentativa de voltar para casa. Aurora precisa resgatar as estrelas, o sol, e a lua para livrar o mundo da escuridão, e evitar que seu pai morra de depressão.

Lemúria é habitada por criaturas inóspitas, e outras amigáveis. Durante sua jornada, Aurora fará diversos amigos: o primeiro deles é Igniculus, o vagalume azul que acompanhará a garota durante toda a sua jornada. As personalidades e motivações dos personagens com quem Aurora encontra são bem explorados pelos versos do jogo.

LeiaTrailer de Child of Light mostra o mundo de Lemuria

Todos os diálogos do jogo são em poesia, reforçando a ideia de que estamos jogando um conto de fadas. Aurora, apesar da aparência frágil, é muito corajosa. Todas as personagens femininas, aliás, possuem personalidade forte; ao contrário dos masculinos, que estão sempre metidos em conflitos morais.

A trama é simples, podendo não prender o jogador nos primeiros minutos, mas a partir da segunda hora o jogo fica mais interessante. A história possui um plot-twist surpreendente. Apesar de vários fatores lembrarem uma história infantil, o jogo possui um tom bastante melancólico, podendo ser jogado por pessoas de qualquer idade.

Gameplay

Dentro e fora das batalhas

Child of Light funciona como um simples side-scrolling. No início do jogo Aurora consegue apenas andar para a direita, esquerda, pular e arrastar pedras, permitindo realizar uma exploração bastante limitada. Aurora ganha asas após os primeiros 30 minutos de jogo, permitindo que ela voe livremente pelo cenários, facilitando a exploração. A exploração só pode acontecer de forma plena, todavia, quando o vagalume Igniculus entra para a sua equipe.

Igniculus tem um papel bastante importante na jogabilidade do jogo. Fora das batalhas, o vagalume pode abrir baús, ativar mecanismos e resolver puzzles com sombras; [quote align=’left’]Igniculus pode ser controlado com o analógico direito, ou com o controle do segundo jogador no Cooperativo Local.[/quote]além de emitir luz para cegar os inimigos, permitindo que Aurora fuja sem entrar na batalha, ou aborde-os de surpresa para iniciar uma batalha com vantagem de turnos. Dentro das batalhas, entretanto, é que Igniculus mostra sua verdadeira importância.

Igniculus pode curar os seus aliados, ou atrasar os inimigos, adicionando um elemento estratégico muito importante. Sua ação, entretanto, é limitada, pois ele possui uma Barra de Estamina que esgota rapidamente. Para carrega-la é preciso coletar “Desejos”, que são pequenas bolinhas encontradas em flores espalhadas pelo cenário.

O combate possui uma Linha do Tempo na parte inferior da tela que determina o turno de cada personagem, dividida entre “Esperar” e “Ato“. Você pode escolher uma ação para o seu personagem quando ele atingir a barra de “Ato”. Cada ação possui um tempo de recarga diferente. Você deve pensar estrategicamente, pois se você for atacado enquanto estiver carregando a ação, seu personagem será jogado de volta para a barra de “Esperar”, a sua ação será cancelada. O contrário também acontece, e quando você acertar um inimigo que estiver na barra de “Ato”, a ação dele será cancelada.

Habilidades e Oculi

Ao derrotar os inimigos, seus personagens ganham pontos de experiência, que os fazem subir de nível. Sempre que subir de nível, seu personagem ganhará um ponto para utilizar na Árvore de Habilidades.

É possível criar Oculis mais poderosos e anexa-los ao seu equipamento

Existem habilidades que aumentam as propriedades de seus personagens, como HP, MP, Defesa Física, Ataque Mágico, etc. (como qualquer outro RPG); e há também habilidades que desbloqueiam poderes de buffering, debuffering, e magias elementais.

O jogo também apresenta um sistema interessante de criação de itens, chamado de Oculi. Cada Oculi é um pedra preciosa, que pode ser anexada ao equipamento do seu personagem, gerando bônus de ataque, de defesa, etc.

É possível fazer combinações de até três Oculis diferentes para criar um novo Oculi mais poderoso. Apesar de existirem muitas possibilidades de combinações, os bônus gerados pelos Oculis são pouco importantes para a estratégia de uma batalha.

Child of Light possui um ótimo sistema de RPG, mas é mal aproveitado. Não é preciso fazer grinding, pois os inimigos são fáceis. Não é possível trocar os equipamentos dos personagens, apenas trocar os Oculis. Há pouca variedade de magias elementais. Pode-se usar apenas dois personagens por vez nas batalhas. Parece que toda a mecânica existente foi simplificada ao máximo para tornar o jogo acessível e, com isso, tirou-se todo o potencial de torna-lo um grande RPG.

Áudio e Gráficos

Child of Light foi desenvolvido com a UbiArt Framework, a mesma engine utilizada no jogo Rayman Legends. O resultado é um visual lindo, que se assemelha a uma pintura aquarela, e ilustrações de livros infantis. O jogo faz uso do Parallax, uma técnica utilizada por outro jogos de plataforma (Limbo, por exemplo) em que o cenário possui três planos diferentes.

O impacto visual do jogo é muito bonito, mas o plano próximo da câmera aparece, muitas vezes, com pixels estourando. E, enquanto Aurora é bem detalhada, inclusive os efeitos 3D de movimentação de seus cabelos, os personagens secundários não receberam o mesmo cuidado, e muitas vezes parecem ter sido desenhados às pressas.

Se os gráficos de Child of Light são uma verdadeira obra de arte, a sua trilha sonora é uma melodia orquestral. Os efeitos sonoros e músicas estão excepcionais. As músicas de fundo são tão imersivas e profundas que o jogador se sentirá no lugar de Aurora, sentindo seus medos e aflições. Belas combinações de piano e violino dão um leve tom melancólico ao jogo, que retratam perfeitamente a situação a qual Aurora e seus companheiros estão passando no momento.

LeiaYoshitaka Amano e sua artwork de Child of Light

O jogo foi completamente traduzido para o português, desde o diálogo entre os personagens, textos dos menus, e até a voz da narradora do jogo. Se não bastasse a tradução, a Ubisoft teve o cuidado de manter as rimas nas falas dos personagens, algo difícil, pois as rimas em inglês deixam de existir quando o texto é traduzido de forma literal para o português. Um trabalho minimalista e de qualidade admirável, mostrando que a Ubisoft aprendeu com os problemas de tradução de seus outros jogos.

Conclusão

Child of Light é um jogo bonito e delicado. O jogo possui um semblante melancólico, sua trilha sonora orquestrada provoca uma imersão nunca antes vista num jogo da Ubisoft, e suas rimas reforçam o seu aspecto artístico. Ainda que falte um equilíbrio nas suas mecânicas, que o jogo seja simplificado ao extremo para torna-lo acessível, e que a duração da campanha seja curta se comparada aos verdadeiros RPG’s japoneses, Child of Light brilha nos detalhes e é uma surpresa agradável vinda de uma empresa que está acostumada a lançar jogos para as grandes massas.

Review Child of Light

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Pontos positivos

  • Bonito de ver
  • Gostoso de ouvir
  • Extremamente acessível

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Pontos negativos

  • Dificuldade muito baixa
  • Sistema de RPG mal aproveitado
  • Curta duração

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