Desde de Assassin’s Creed III, todos nós (fãs de carteirinha ou jogadores casuais), sentimos aquele “balançar da carruagem”, com um jogo bugado, história solta, protagonista pouco carismático (desculpa, Connor) e vários outros fatores que levaram AC III ser um jogo bem mediano, comparado aos da saga Ezio, o que tenderia ao declínio da série. Muitos já reclamavam da anualidade, baseando argumentos na falta de inovação que os jogos levavam e a reciclagem de vários elementos que acarretariam na estagnação ou a síndrome “Call of Duty” da franquia.

Até que, no seu anúncio em meados de 2013, nem um ano depois do lançamento de Assassin’s Creed III, eis que surge a continuação direta, chamada de Assassin’s Creed IV: Black Flag. Ambientação no Caribe, aquele galã loirão pirata que Ezio sentiria inveja, batalhas navais mais épicas ainda e personagens históricos marcantes. Mas aí, será que colou?

História

Caribe do Século XVIII

Nós vivenciamos a história de um jovem homem, no auge de sua vida (por volta dos 30 anos), nascido na cidade de Swansea, em Wales. Edward James Kenway é um homem extrovertido, bem humorado, leal, mas muito ganancioso. Posso ponderar para Edward uma definição de um “bom ganancioso”, por motivos que explicarei depois.

Quando jovem, conheceu uma moça de família rica da Inglaterra, Caroline Scott. Eles se deram muito bem, e em pouco tempo já estavam em um relacionamento sério. Edward, apesar de não levar as coisas muito a sério (ser aquele cara “dane-se o mundo”), realmente amava Caroline e queria dar tudo de melhor para ela. Quando já moravam juntos, Kenway queria sair daquela vida difícil que levava por causa da guerra entre Espanha e Inglaterra, com crises de importações/exportações, impostos altos e falta de alimentos.

Juntando sua coragem, Edward diz para Caroline que seguirá a vida de Privateer (uma espécie de corsário), navegando pelas Índias Ocidentais e conseguindo dinheiro para eles terem uma vida mais confortável. A princípio Caroline não concorda muito com a ideia, mas acaba deixando Edward partir. Entretanto, a personalidade de Edward fala mais alto e ele não leva a oportunidade muito a sério, fazendo Caroline se enfurecer e estagnar o casamento, voltando para a casa de seus pais. Acarretado por várias brigas entre eles, acabam se separando, embora Edward ainda a zelasse muito.

Navegando pelas Índias Ocidentais, Edward assume seu próprio navio, apelidada de Jackdaw (sim, é uma “moça”) , e seus amigos de longa data também o acompanharão: Ben Hornigold, Jack “Calico” Rackham, Edward Thatcher (nosso querido Blackbeard ou Barba Negra), James KiddCharles Vane e Adéwalé que se tornará seu fiel ajudante de bordo. Enquanto navegava e entrava em batalha com um navio inimigo em meio a uma tempestade, Edward avista um homem vestido um capuz, no outro navio, onde este o aborda e ambos travam uma batalha.

A tempestade é devastadora e acaba derrubando ambos do navio, no qual acordam horas mais tarde (com o dia já ensolarado) numa ilhada chamada Cape Bonavista, pelas bandas da América Central. A única informação que temos sobre esse homem é a que ele tem que chegar à Havana o mais rápido possível. Edward oferece ajuda, mas por um preço e o homem se enfurece e ameaça matar Edward, mas claro ele vai atrás, o persegue, ambos travam uma batalha novamente e o misterioso homem é morto. Kenway revira suas vestes e descobre uma carta destinada a Dulcan Walpole, escrita por outros homens que queriam ele em Havana para lhe entregar algumas informações em troca de dinheiro. Edward assume a identidade de Dulcan, que é um Assassino (!), apenas para pegar a recompensa.

Então, presume-se até aqui, que Edward é apenas um corsário interessado em dinheiro e não tem qualquer relação com a ordem dos Assassinos até certo ponto no jogo que obviamente não irei spoilar. Quando Edward sai para Havana no encontro destes homens, é falado sobre um lugar secreto, chamado The Observatory onde, talvez, há um tesouro muito grande, e apenas um homem é capaz de chegar a este local, apelidado de The Sage. Edward então parte em busca deste homem e é iniciada uma corrida para o The Observatory.

Abstergo do Século XXI

O ano é 2013 e a Abstergo agora é divida em duas: Abstergo Industries e Abstergo Entertainment (onde foi apresentada pela primeira vez em Assassin’s Creed III: Liberation, para o PS Vita, sendo “Liberation” o primeiro projeto da empresa). A Industries é a que já conhecemos, onde acontece toda a falcatrua dos templários e o estudo das memórias genéticas pelo Animus. A nova divisão, Abstergo Entertainment, foi criada para ser aberta ao público, como uma nova forma de entretenimento e geração de lucro através de uma forma totalmente inovadora de você conhecer mais do seu passado ou viver outras épocas históricas através do mapeamento genético e banco de dados de memórias que a Abstergo possui.

Controlamos uma personagem em primeira pessoa (semelhante ao que foi feito em AC: Revelations) totalmente desconhecida. Não sabemos seu nome, sexo, idade, ou nenhuma outra informação relevante. Somos coordenados por uma mulher chamada Melanie Lemay, que é “chefe” do projeto Subject 17, e de acordo com ela, Desmond Miles é o maior doador que a Abstergo já teve. Há um andar inteiro apenas para outras pessoas acessarem as memórias e eventos históricos relativos às de Desmond, e você é um dos felizardos a assumir Edward Kenway. Quando somos encaminhados ao nosso Animus, conhecemos o CCO (chefe criativo) da Abstergo Entertainment, Olivier Garneau e mais homem chamado de John. John é  técnico e calibrador das máquinas, e a partir de certo ponto na história, após concluir algumas sequências da história de Edward, ele irá te guiar a fazer certos “favores”, como hackear alguns Animus e computadores para obter informações valiosíssimas que foram protegidas e guardadas pelos chefões da Abstergo.

Assassin's Creed IV: Black Flag

Há documentos de texto contando as experiências do Subject Zero e a história de Warren Vidic, o manda-chuva da empresa nos jogos anteriores. Temos relatos em áudio de Desmond para seu pai, imagens e emails sobre histórias paralelas dentro da Abstergo que são, de fato, muito interessantes. A história por trás dos Dias Atuais de Black Flag também é bem mais complexa, envolvendo certos aspectos da História de Kenway. Toda relação de Melanie com a personagem que controlamos é limitada, mas ainda dá pra sentir aquele ar misterioso que algo pode acontecer ou que algum problema envolvendo o CCO vai aconter alguma hora. Tirando esses três personagens, não mais ninguém significativo (Melanie, Oliver e John).

Outro ponto interessante que podemos ressaltar e a duração desse modo história dos dias atuais. Ele pode ficar muito variado de acordo com o tanto de atividades e “hackeamentos” que você faz ou simplesmente seguir na história normalmente, realizando as “Present Missions” do game. Mas fica a dica para quem quiser uma história mais explicativa e detalhada, saia do Animus para dar uma volta por aí e encontrar os vários segredos que a Abstergo possui. Se você se dedicar a hackear os 33 computadores existentes na empresa mais algumas notas escondidas (que juntas formam uma só história), chuto que possa levar em média mais de três ou quatro horas a mais de duração do game. Mas se for seguindo direto, não pode passar dos 30 minutos, em média.

O enredo como um todo é sólido e balanceado, mas ao meu ver, bem simplório. Poderia ser mais incrementado, mas sem tirar o foco do que realmente estava acontecendo. Portanto, não considero como ponto negativo. Simplifiquei ao máximo a história e omiti alguns fatos para não correr o risco de estragar a surpresa de ninguém, pois há muita, mas muita coisa que acontece entre um fato e outro e, principalmente, a ascensão de Edward como um Assassino.

Gameplay

Assassino

A jogabilidade de Assassin’s Creed é uma marca e referência para a série. O sistema de parkour e free-run (corrida livre) teve alguns ajustes em Black Flag, mas sua essência continua praticamente a mesma. Edward é capaz de correr, andar, pular, escalar árvores, prédios e qualquer outro lugar acessível, se esconder em matas densas e “esquinas”, utilizar quatro pistolas, duas espadas, as hidden blades, bombas de fumaça, rope darts (dardos-corda, literalmente. É um dardo preso em uma corda, utilizado para enforcar inimigos) e uma zarabatana. Além de que agora é possível utilizar um sistema de free aim (mira livre) para realizar headshots e mirar muito mais facilmente (do que nos jogos anteriores) nos alvos desejados.

O combate ficou mais brutal do que em AC III, já que Edward carrega o dobro de pistolas e espadas. Os counters (contra–ataques) estão mais variados e o combo feito com as quatro pistolas é simplesmente espetacular, matando vários inimigos ao melhor estilo Dante (Devil May Cry).

Falando em atividades secundárias, o game também se esforça para trazer algumas inovações, mas nada muito diferente dos jogos anteriores. Temos os Assassin Contracts (missões de assassinato), Naval Contracts (contratos navais para naufragar determinados navios e caçar outros), Templar Hunts (caça à templários, onde nessas missões é apresentado novos companheiros e são divididos em uma série de missões), Mayan Stelae (esculturas maias que revelam chaves secretas a partir da Eagle Vision de Edward), caçar animais para dar upgrade em nossa vida, munição da pistola, zarabatana e rope darts (lição aprendida de Far Cry 3), caça marinha chamada de harpooning e o mergulho até navios naufragados.

Dando ênfase nessas duas atividades que são novidades exclusivas do game, o harpooning é uma atividade onde é designada uma área no oceano para caçar animais marinhos como baleias brancas, orcas, tubarões branco e tubarões martelo. Edward vai para essa área em um barco de pesca e vários arpões onde a missão é simplesmente matar o animal, ferindo-o até este ser pescado pela tripulação. Com a pele do animal é possível craftar novos itens e vendê-los a preços consideráveis.

Já a atividade de mergulho consiste em explorar restos de navios naufragados em busca de baús e tesouros; com o auxílio de um “sino de mergulho” (sendo um ponto para restaurar o oxigênio), é livre para explorar essa determinada área e o jogador deve se preocupar com os perigos aquáticos que variam entre tubarões, enguias, água viva e ouriços marinhos. Embora essa atividade de mergulho tenha sido um bom aditivo, o controle de baixo da água por sua vez é deveras confuso em alguns momentos e pode se tornar frustrante procurar todos os baús por conta dos constantes ataques de tubarões e a falta de oxigênio.

Em suma, além de todas essas atividades, temos os coletáveis e os famosos Viewpoints para sincronizar e liberar mais partes do mapa. Essas side-quests por sua vez são divertidas de serem realizadas, mas com o tempo podem se tornar repetitivas (se você quiser fazer tudo de uma vez) então é sempre bom ir alternando entre as missões da história principal, exploração e side-quests para deixar o gameplay mais variado e divertido.

Capitão

Se havia uma coisa em Assassin’s Creed III que brilhava, essa parte com certeza seria reaproveitada e melhorada em Black Flag, que é o sistema de navegação. O sistema foi completamente expandido, ajustado e melhorado. Navegamos em águas caribeñas, então a presença em ilhas, ilhotas e bancos de areia espalhados pelo mapa são marcantes; temos também as cidades principais (Havana, Nassau, Cape Bonavista, Great Inagua etc) e mais trocentas localidades secundárias, como também pequenas ilhas e florestas.

Assassin's Creed IV: Black Flag

Antes de continuar a falar sobre o sistema de navegação do game, vou explicar algumas coisas nesse pequeno mapa. Como vocês podem observar, temos a parte norte e sul, as regiões (áreas de navegação) são dividas em três dificuldades: easy, normal e hard. Dificuldade easy, significa a presença de navios pequenos, águas tranquilas (sem tempestades) e Fortes mais fracos (falarei dos Fortes mais adiante); Dificuldade Normal representa navios mais fortificados como fragatas e águas mais agitadas, enquanto no Hard temos Man-o-Wars (navios de batalha enormes), Fortes que são verdadeiros Fortes e águas nada tranquilas. Em sequência, as localidades secundárias são bem variadas (26 no total) com muitas atividades a se fazer, entre coletar baús, Animus fragments, shanties (canções para seus tripulantes cantar enquanto navega) e os segredos que podem ser as famosas cartas dentro de garrafas contendo alguma informação especial ou carta de amor e os mapas de tesouro. Sim, não podiam faltar! É dada uma coordenada e temos que achar o tesouro escondido marcado no X, bem ao jeitão clássico pirata.

Nessas localidades também temos as tavernas, que acontece um “mini-game’’ de bater em uns caras folgados que tiram com a cara de Edward cara e depois pegar alguma informação especial com o barman, do tipo navios grandes carregando muito dinheiro ou algum tesouro escondido. Os mesmos coletáveis presentes nas localidades secundárias também estão nas principais, mas com o número muito maior. As cidades do jogo estão lindíssimas, bem detalhadas e com aquele ar que todo Assassin’s Creed consegue trazer de remontar perfeitamente a ambientação de uma localidade, com a presença de construções históricas que realmente existiram. Os portos, tavernas, ruas, tudo em seus minuciosos detalhes para agradar até os fãs mais perfeccionistas nesse quesito. E é, com certeza, muito bonito de se ver. Além do sistema de navegação estar completamente renovado, também acompanhou o sistema de mundo aberto do game. Ou seja, você pode ir pro seu navio, navegar até outra ilha ou explorar novas localidades, descer do navio e ver o que tem de novo naquela área que você ancorou. É brilhante, prático e muito fácil de manejar todas essas novidades, facilitando muito a nossa vida pra quem gosta de exploração (e se você não gosta, os fast-travels ficaram mais acessíveis de qualquer canto do mapa para qualquer localidade, já que os viewpoints são os pontos de fast-travel agora).

Nos outros ACs, tínhamos nossos esconderijos (ou hideouts) onde ficava estocado os equipamentos como armaduras, espadas, pistolas etc e os arquivos e páginas contando sobre cada localidade presente no game e também onde manejávamos aquele sistema de enviar Assassinos a outros países para realizar missões para coletar itens e dinheiro, onde cada recruta ia evoluindo até o rank de Assassino. Em Black Flag também temos nosso esconderijo, mas agora ele é o próprio navio, Jackdaw. Na cabine do capitão, você faz tudo que fazia nos hideouts nos outros ACs + o comando da Frota de Edward (Kenway’s Fleet) que funciona exatamente da mesma forma que mandar os Assassinos em missão, só que ao invés de pessoas, são navios.

Existem várias rotas destinadas navais, e cada rota tem seu nível de periculosidade. Rotas mais perigosas exigem navios mais robustos e com maior resistência, porém a recompensa para são maiores, diferenciando também o tempo para cada missão na rota ser completado, variando entre 30 minutos e 24 horas. É possível adicionar mais navios à sua frota utilizando uma espécie de moeda que tem o símbolo de um diamante, que é obtido quando um navio capturado é destruído e você o troca por essa moeda. Cada rota pede que você tenha mercadoria para trocar por Reales (o dinheiro do game). As mercadorias são diversas, como rum, cacau e outras especiarias mais refinadas.

Como Edward é um capitão de um navio pirata, você age como tal. Para isso, um novo sistema fora implementado permitindo que você aborde outros navios e saqueie sua mercadoria, dinheiro e recursos para dar upgrade em Jackdaw. É muito simples e funciona muitíssimo bem: enfraquecendo um navio inimigo, as velas dele irão se destruir e ele não poderá mais sair do lugar; aproveitando esse momento, é possível ancorar para você e sua tripulação invadir o navio adversário e travar uma batalha para rendê-los. Para isso, quando estiver abordo, é pedido alguns requisitos (mini-missões) que variam de acordo com o tamanho do navio como “mate X tripulantes”, “mate o capitão do navio”, “estoure três barris de pólvora” etc.

Feito isso, você pode escolher abaixar seu nível de procurado, recrutar os rendidos para a tripulação de Edward ou reparar os danos causados à Jackdaw. Fazendo isso você também junta rum e açúcar que pode ser vendido nos portos por um determinado preço, de acordo com a quantidade.

E como Jackdaw funciona? Devo dizer que está bem melhor e diferente de Áquilla, em AC III. Não precisamos mais trocar o tipo de tiro, basta apenas girar a câmera para utilizar a variada artilharia que o navio possui. Por exemplo, mirando de frente temos os chain shots (os tiros com correntes para desacelerar outros navios), nas laterais: os canhões normais e os heavy shots (como se fossem bolas de fogo em grandes quantidades disparadas de uma vez), os barris explosivos na parte traseira e o morteiro que ao pressionar o botão de mira, é lançado do centro de Jackdaw até o local marcado. Além da artilharia, é possível dar upgrade na “armadura” e em cada tipo de arma especificamente, aumentar o número de tripulantes fabricando mais camas dentro do navio, aumentar o reforço do barco de harpooning e o dano dos arpões. Além da customização da aparência que pode ser feita de várias formas, podemos trocar o leme, cor e textura das velas e até a estátua que fica na ponta do navio. Todos esses upgrades requerem madeira, metal, algodão e outros materiais que são obtidos somente pela abordagem de navios inimigos e saque de suas mercadorias.Mencionado ali em cima, os Fortes funcionam da exata maneira como as torres Borgia em Assassin’s Creed: Brotherhood. É preciso eliminá-los para destrancar as localizações em determinada área para acabar com a influência espanhola/britânica e assim navegar mais livremente. Ao aprochegar em um Forte, é dado o objetivo de destruí-lo, derrubando suas defesas utilizando morteiros ou canhões. Após a queda da defesa, é preciso invadi-lo e matar o general daquele forte que, além de liberar a influência espanhola ou britânica, vira um ponto de fast-travel e sidequests navais são liberadas. Alguns Fortes são mais difíceis que outros dependendo o local de navegação.

Quesitos técnicos

Áudio

Aqui a coisa fica bem divida. A trilha sonora e as músicas que os tripulantes cantam enquanto navegamos são belíssimas, com trilhas originais e músicas feitas especialmente para o game. A imersão por conta delas é muito mais bem feita e aprofundada.

Agora se tratando do áudio e efeitos sonoros, creio ser o ponto mais fraco e problemático do jogo. Enquanto jogava, eu troquei até o cabo HDMI da minha TV por pensar que poderia ser mau contato ou na entrada, mas depois da troca o áudio continuou o mesmo. Dá a impressão de ouvir um chiado durante as cut-scenes e algumas horas as vozes meio distorcidas, é muito bizarro. O volume do áudio altera em determinadas atividades, como por exemplo na atividade de harpooning onde eu tomei um susto de tão alto que o som ficou de uma hora pra outra, enquanto no free roam o volume estabilizou, e em outras horas ficava baixo demais.

Os efeitos sonoros dentro do combate podem bugar de maneira bisonha. O barulho das espadas batendo e faiscando, barulho do tiro das pistolas e mais alguns outros ocorrem com um certo atraso, ou às vezes nem acontecem, como é o caso de muitos counters que você realiza e o som da espada atravessando o corpo do inimigo simplesmente não acontece. Volto a frisar que joguei na versão do PlayStation 3 e esses problemas estavam em muita evidência, não sei nas versões dos outros consoles ou no PC.

Gráficos

Utilizando o motor gráfico AnvilNext com melhorias e reformulações do que foi visto em AC III, temos cenários belíssimos e ambientações que são de deixar com a boca no chão. Temos a passagem do dia, chuvas e dias ensolarados, tudo em tempo real e executados de uma maneira incrível, assim como as ondas no mar e os efeitos de espuma que se forma ao navio passar ou no ataque de uma baleia branca. Os detalhes dos prédios e das construções dispensam quaisquer comentários.

Sobre os personagens, tenho algumas ressalvas. As expressões faciais de Edward e das personagens secundárias é bem trabalhada, incluindo todas as emoções que eles expressam de maneira praticamente natural. Já os “coadjuvantes” como os inimigos que matamos, cidadãos e moradores, membros da tripulação de Edward dentre outros exemplos relativos a esse, chega a ser esquisito. A variação é pouquíssima, parecendo que todos têm a mesma cara e cor de pele, e a sensação de matar o mesmo inimigo e seus clones é bem marcante em todo o combate. Na tripulação de Edward a coisa é pior ainda, passando a sensação de só haver cópias de moldes de personagens caucasianos e negros por todo o navio, com exceção óbvia de Edward e Adéwalé.

Fora isso, o jogo sofre do clássico problema de renderização que em certos casos é descarado. Personagens e inimigos se materializando a poucos metros de você não é incomum, juntamente a renderização de prédios e vegetação atrasada. Na navegação, ao ver navios distantes, esse problema quase não me ocorreu, sendo presente só no free roam dentro de cidades grandes.

O game roda em 720p nativo, tentei fazer um “upscale” para 1080p, porém não foi muito agradável. Essas experiências que tive foram no PlayStation 3, infelizmente não sei da situação em outras plataformas ou se houve melhorias nos consoles Next-Gen, o que provavelmente deve ter sido corrigido (ou aliviado).

Gameplay Técnico e Inteligência Artificial

Apesar do gameplay de AC ser marca da série, no combate ele sofre alguns problemas, como em todos os jogos anteriores. Tem horas que a sequências de contra-ataque fluem com excelência, pegando a hora exata de cada ataque e outras horas que mesmo no timing certo, Edward não realiza o contra-ataque nem com reza brava. No mais, são apenas detalhes que de fato não atrapalham a jogatina de fato e que podem ser contornados utilizando outras estratégias de combate. De resto, é muito fluído e não sofre muito do clássico problema de “ele foi onde eu não queria” ou “pulo onde não devia”. Em suma, foram feitos várias melhorias e todas elas correspondem e respondem muito bem a esse combate melhorado que Black Flag trouxe.

Outro ponto que pode ser considerado, muitas vezes, engraçado. A IA dos inimigos estão um pouco mais trabalhadas, mas bizarrices acontecem. Inimigos entrando nas paredes ou simplesmente parados não é algo muito recorrente, mas você pode se deparar com cenas bem esquisitas. Os inimigos se comportam no modo “matança” e a maioria não utiliza muita estratégia para atacar, com exceção dos “Brutes”, aqueles inimigos gigantes e mais difíceis de matar, que utilizam bombas de fumaça e um machado enorme. Os soldados normais e os gunners (aqueles que carregam rifles) desempenham muito bem sua função que é: encher o saco. Matá-los não é desafio nenhum, mas ficar tomando tiro toda hora de alto dos telhados pode deixar as coisas mais desafiantes e estressantes. Enquanto os NPCs das cidades sempre se comportam da mesma forma: ficam olhando quando veem Edward subindo um prédio, assustados quando encontram alguém morto e andando normalmente sem rumo quando nada está acontecendo. Como disse, houve certas melhorias, mas como um todo, continua da mesma forma.

Multiplayer

O modo que vem presente nos jogos desde AC: Brotherhood e foi muito prestigiado, chega ao Black Flag com poucas inovações. Temos vários personagens, mais mapas e adição de alguns modos mais variados, embora a essência continue a mesma.

Entre as adições que o Multplayer de Black Flag, a que mais se destaca se chama “Game Lab” e um novo modo no Wolfpack, chamado “Discovery“. No novo modo do Wolfpack, você e seus amigos passam por um conjunto de missões pelos oito mapas do game para cumprir determinados assassinatos. Cada missão cumprida lhe é premiado com XP para destravar novas armas, habilidades e perks (habilidades passivas que ajudam no gameplay). O modo Game Lab permite que você modifique algum modo de jogo existente no jogo e o torne único para jogar com seus amigos. Pegue, por exemplo, o modo “Wanted”. Você pode modificá-lo para que as mortes possam ser feitas apenas com armas de longo alcance. Foi uma adição bem interessante para variar um pouco os já existentes modos e jogar com mais pessoas conhecidas torna toda a experiência mais legal.

Os mapas acompanham aqueles que vemos no Singleplayer. Havana, Saba Island, Saint Lucia, Saint Pierre, Portobelo, Prison, Palenque e Tampa Bay compõe os variados e detalhados cenários exorbitantes do Multiplayer do game. Você pode conferir os cenários clicando nos links indicados em cada localidade.

É o Multiplayer com as personagens mais legais de design e execuções que eu já vi na saga. Em ordem da imagem, temos o The Adventurer, The Puppeteer, The Lady Black, The Duelist, The Cutthroat, The Physician, The Rebel, The Navigator, The Mercenary e The Dandy. Mais alguns que não aparecem na imagem, que são: The Buccaneer, The Wayfarer, The Firebrand, The Huntsman. Existem algumas adições via DLC como Orchid, Blackbeard e Night Stalker. Todos os personagens são feitos de maneira muito criativa e cada um tem seu jeito único de matar.

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Conclusão

Assassin’s Creed IV: Black Flag é sem dúvida alguma o jogo mais ambicioso da franquia e renasceu das cinzas que o problemático Assassin’s Creed III deixou. Tem uma mecânica consistente e divertida, a navegação conseguiu ser melhor do que no terceiro jogo e acompanhou muito bem o sistema de open world do game. Sofre de alguns problemas como a renderização ou o áudio “bugado” em certas partes, mas são problemas que não vão atrapalhar sua imersão, além de prometer dezenas de horas de diversão explorando as águas do Caribe, coletando informações interessantes na parte dos dias Atuais e matando seus amigos no Multiplayer. Se você é fã da franquia, não pode deixar de conferir esse novo capítulo que traz uma temática incrível e diversificada nas aventuras do pirata e assassino Edward Kenway.

Pontos Positivos

  • História interessante e curiosa
  • Gameplay diversificado e bem trabalhado
  • Sistema de navegação incrível e renovado

Pontos Negativos

  • Sérios problemas de áudio em algumas partes
  • Renderização atrasada nas cidades
  • Multiplayer sem muitas inovações

[infobox title=’Ficha Técnica’]Assassin’s Creed IV: Black Flag
Plataformas: PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One, PC e Wii U
Desenvolvimento: Ubisoft Montreal
Distribuição: Ubisoft
Data de Lançamento: 29 de Outubro de 2013[/infobox]