O fim da década veio carregada de experiências, investimentos, aventuras, decisões erradas, arrependimentos e muito videogame. Mesmo não carregando blockbusters gigantescos como no ano passado, 2019 vai deixar lembranças, sejam boas ou amarguradas. Como é de costume aqui no Jogazera, realizamos uma lista pessoal contando e elaborando sobre os melhores jogos eletrônicos que tivemos o prazer de experienciar – alguns deles vão aparecer em várias listas daqui, por mais manjado que seja. São ótimos jogos, afinal!

Sem muitas delongas, minha humilde lista com os melhores cinco jogos que gastei várias horas e que valeram cada minuto do meu investimento, sem nenhuma ordem particular:

Disco Elysium

Virar um herói ou um completo desastre de ser humano? Essa é a premissa básica do melhor RPG do ano. Disco Elysium estabelece um novo patamar de qualidade em jogos role playing, trazendo de maneira inteligente, complexa e bem explorada as nuances que permeiam as relações intra e interpessoais. Todos os diálogos, interações e exploração dão um novo significado ao gênero “mundo aberto”, com objetivos bem definidos e que respeitam o tempo do jogador com opções realmente relevantes.

Desde tentar lembrar seu nome depois de uma noite afogado na bebedeira até desvendar um misterioso assassinato de um homem enforcado numa árvore, Disco Elysium possui um tom provocante e questionador, explorando temas políticos, sociais e antropológicos. Prepare-se pra ler bastante sobre comunismo, livre mercado, teorias étnicas e sobre uma criptozoologista tentando te provar a existência de insetos que não existem.

Control

Ganhador do GOTY no meu coração, Control atiçou uma curiosidade em mim que nenhum outro jogo havia até então: de ler absolutamente TODOS os documentos, arquivos e colecionáveis. Tudo naquele mundo chama atenção, intriga o jogador a querer saber o que diabos é aquele lugar e motivo de sempre parecer que há singelamente algo de errado – e porque existe uma organização governamental americana para encobrir tudo aquilo.

O gameplay também é outro fator central, contando com diversos poderes, habilidades e um impacto pra lá de satisfatório. Mencionei que você pode planar e arremessar objetos com telecinese? Pois bem. As aventuras bizarras de Jesse Faden em busca de seu irmão Dylan são memoráveis e irão te fazer questionar se os objetos mundanos a sua volta são realmente apenas mundanos. Confira nossa análise de Control.

Sekiro: Shadows Die Twice

O game que se mostrou mais distante da famosa fórmula Souls introduzida pela própria From Software (e ganhador do GOTY no Game Awards 2019), Sekiro: Shadows Die Twice não faz nada de original ou diferente do que já estamos acostumados – e nem precisa. Trazendo um protagonista fixo e tirando vários aspectos de RPG, todo o enfoque foi dado para o combate e o quão satisfatório ele é. Parries, deflects e assassinatos furtivos foram refinados e adaptados para fornecer uma experiência de combate que os jogos anteriores da franquia não entregavam tão bem quanto Sekiro entrega.

Além de ser estritamente singleplayer, Sekiro se provou como um dos games mais desafiadores da From, enfocando na pura agilidade e reflexo do jogador. Embora isso torne o game inacessível para várias pessoas (até por não possuir opções de acessibilidade mais variadas), quem se aventurar e levar o desafio até o final, superando as frustrações, encontrará um jogo de uma qualidade singular. Confira nossa análise.

Hades

Ok, eu to roubando um pouco aqui já que Hades é do final do ano passado, mas saiu no Steam esse mês e por conta disso, ainda bem, meu interesse despertou. Estiloso, brutal e completamente viciante Hades é, facilmente, o melhor roguelike que eu já joguei. Você joga com Zagreus, o filho de Hades, que tem como objetivo fugir do submundo dominado pelo seu pai, contando com a ajuda de vários deuses, semideuses, heróis e criaturas da mitologia grega. O diálogo entre o protagonista e os outros deuses é bem construído e carismático, cada com uma personalidade bem distinta e singular.

O combate conta com uma variação interessante de armas, equipamentos e poderes divinos que completam a obra de forma espetacular. Apesar de não ser brutalmente difícil como outros roguelikes (roguelites? essas nomenclaturas tão ficando bem difíceis), Hades consegue equilibrar de forma viciante o fator desafio e diversão.

Death Stranding

Bagunçado, melancólico e definitivamente uma obra de Hideo Kojima, Death Stranding me proporcionou uma experiência para qual eu não estava preparado. A saga de Sam Bridges para reconstruir e reconectar uma “América” destruída por um evento cataclísmico nos leva a vários momentos introspectivos, refletindo sobre sua tarefa e o motivo de tantas escaladas e caminhadas sozinho. Cada caminho, cada tropeço e cada entrega só me instigava a entrar mais naquele mundo, catarticamente construindo pontes e estruturas para ajudar outros viajantes a passar por aquelas mesmas rotas.

Mesmo que a narrativa seja fragilizada em vários pontos e a “reconstrução da América” seja apenas um plano de fundo banal para trazer à tona os vários outros temas que realmente importam, Death Stranding representou uma espera agoniada de três longos anos finalmente concretizada. Amei do começo ao fim todas as minhas 107 horas de jogatina.


Foi difícil escolher apenas cinco. Entre vários outros games que tive o prazer de jogar esse ano, esses foram os mais memoráveis – para mim – de 2019. Desejo que 2020 traga ainda mais experiências incríveis e seja um ano melhor em vários aspectos do que 2019 foi, e não apenas nos jogos. Feliz ano novo para vocês!