As minhas primeiras impressões com The Witcher 3: Wild Hunt começaram antes de mesmo de eu inserir o disco no PlayStation 4. Distribuído pela WB Games aqui no Brasil, o jogo acompanha um mapa, guia, manual, adesivos e um disco com a trilha sonora original. A caixinha chega a pesar.

Alguns podem dizer que “todo esse conteúdo está incluído no preço” (que, aliás, está bem salgado). Sim, de fato está, mas hoje em dia são raras as empresas que colocam “brindes” na caixinha. Geralmente vêm apenas um encarte em preto-branco, ou nem isso. Uma atitude admirável da CD Projekt RED.

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Histórias que comovem

Não tem como começar este artigo sem relatar o cuidado que a CD Projekt RED teve com o roteiro do jogo, da história principal às side-quests.

Em uma das primeiras missões do jogo somos envolvidos no drama de um caçador solitário, que foi expulso da mansão do senhor onde ele trabalhava. A razão? Descobriram que ele era apaixonado pelo filho do seu patrão. Esta história não tem influência nenhuma no progresso do jogo, e você pode optar em querer ouvi-la e entender as motivações deste caçador, ou ignora-la e concentrar-se na tarefa através do sistema de escolhas do jogo.

E, por menor que seja a relevância destes personagens secundários no progresso do jogo, é impossível não se envolver emocionalmente em suas histórias. Eu estava carente desse cuidado com histórias paralelas nos jogos de videogame, feito que, nos últimos anos, somente algumas produtoras conseguiram cumprir, por exemplo a Bethesda com The Elder Scrolls V: Skyrim, e a Rockstar com Red Dead Redemption (dois dos melhores jogos da antiga geração de consoles).

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Enredo que motiva

Ainda que o tempo de duração da campanha seja enorme, a história de The Witcher 3 não se arrasta (como em The Order: 1886, cuja história demora a “engatar” e nos faz perder o interesse no jogo no decorrer da jogatina). O início da saga de Geralt em busca de Yennefer, e logo depois em busca de Cirilla, é muito bem contada. Em cada novo “flashback”, recurso utilizado pela CD Projekt RED para nos mostrar os acontecimentos de Ciri que antecedem o jogo, ficamos mais envolvidos e interessados com o desenrolar dessa história.

The Witcher 3: Wild Hunt é muito acessível, mesmo para aqueles que nunca jogaram um título anterior da série.

O sistema de escolhas que modificam o destino dos personagens é muito bem implementado. Por diversas vezes senti-me mal ao ver um desfecho que não gostaria para determinado personagem. Mesmo quando você faz escolhas que parecem as mais corretas possíveis, elas possuem desdobramentos imprevisíveis. Fato que eleva o fator rejogabilidade.

Além disso, os personagens são extremamente carismáticos e complexos, principalmente o protagonista Geralt de Rivia, que possui uma das melhores expressões faciais dos jogos da atualidade, transmitindo emoção e convencimento em todos os seus diálogos.

Mecânicas que divertem

Há diversas opções de personalização de Geralt, e grande variedade de armas e equipamentos, magias, bombas, poções e modificadores. Todos estes elementos adicionam complexidade às lutas e as tornam mais prazerosas e divertidas, com direito a combos acrobáticos e golpes críticos que decepam membros dos inimigos. Ainda que a movimentação do protagonista seja um pouco desengonçada nos primeiros minutos, principalmente quando à cavalo ou debaixo d’água, você se acostuma com a jogabilidade com o tempo.

Não só o gameplay de The Witcher 3 é recompensador, como também os aspectos técnicos (que não vale a pena entrar em detalhes, pois este texto não se trata de uma análise). Vale enaltecer aqui não somente o cuidado na construção dos cenários – o chamado level design – como também a trilha sonora que corrobora ainda mais à imersão do jogo.

The Witcher 3: Wild Hunt é a combinação perfeita da liberdade proveniente de um jogo de mundo aberto, com as mecânicas de um verdadeiro RPG.

Estou longe de concluir a história do jogo, mas acho muito improvável que ele venha a me decepcionar depois do que experimentei nessas 20 primeiras horas de jogatina. Temos aí um grande concorrente ao título de Game of the Year.