A experiência que cada um tem com determinados jogos é absolutamente pessoal e relativa. Qualquer jogo é uma obra de arte – não necessariamente no sentido de ser incrível, mas no sentido de ser uma forma de expressão de seus criadores – e provoca diferentes sentimentos nos jogadores.

Muitas vezes, temos problemas em identificar para que lado determinado jogo aponta, daí surgem as estúpidas comparações entre Battlefield e Call of Duty, por exemplo. Sim, os dois têm armas, mas será que possuem o mesmo foco? Como seria um jogo que aponta para todos os lados?

Não existe receita de bolo para fazer um jogo “perfeito”, mas certamente existem caminhos que são tomados para facilitar a nossa apreciação por produtos consagrados como Grand Theft Auto, The Last of Us, Half-Life, entre muitos outros.

Metal Gear Solid V The Phantom Pain

A história importa

O avanço da tecnologia e investimento na indústria de games possibilitou a criação – e execução – de cada vez mais enredos complexos e envolventes. No entanto, uma boa história está lá para criar uma conexão com o jogador, e tirá-lo do mundo real, transportando-o para uma realidade alternativa, é o que chamamos de imersão.

Portanto, a história não precisa ser recheada de reviravoltas e ter milhares de páginas de diálogos e narrações, mas deve criar uma ponte entre o jogador e o jogo. The Binding of Isaac, por exemplo, justifica suas escolhas de ambientes escuros e inimigos por todos os lados através de uma história bíblica simplificada, o que já é o suficiente para afastar o pensamento “isso é só um jogo” da cabeça de quem está no controle.

Mas não se engane, uma narrativa detalhada, como a série Metal Gear orgulhosamente possui, também é muito bem-vinda para aventuras mais sérias.

Starcraft II Titulo

A jogabilidade, mais ainda

Se a história é um elemento muito importante em um jogo, a jogabilidade com certeza possui alguns pontos extras de relevância. Isso porque uma boa história está em outras indústrias, como a do cinema. No entanto, uma boa jogabilidade é algo que só um jogo pode oferecer, e esse é o diferencial dos games – a possibilidade de ser ativo e decisivo durante uma campanha ou uma partida multiplayer.

O level design é uma parte primordial do gameplay, pois envolve decisões de como cada fase será desenhada. Se temos um corredor cheio objetos replicados, com lugares óbvios de cobertura e barris vermelhos que explodem convenientemente espalhados aos montes pela fase, fica evidente que temos um trabalho preguiçoso e limitador.

Por fim, no quesito jogabilidade, a linha de aprendizado é algo que conta para decidir quantos continuarão jogando e quantos rapidamente se frustrarão – afinal, ninguém tem a obrigação de estar empenhado em um jogo só. Por isso a Lei de Bushnell, método adotado pela Valve e Blizzard, é tão importante:

Os bons jogos são fáceis de aprender e difíceis de dominar. Eles devem ser recompensadores do começo ao fim.

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Uma pitada de novas ideias

Até aqui, temos um bom jogos em mãos. Mas, é claro, estamos em busca de um jogo muito bom, (quase) perfeito. Por esse motivo, um pouco de inovação é obrigatório para a criação de um produto fora da curva. A liberdade fantástica e a história sarcástica de GTA, a Gravity Gun de Half-Life, a trama emocionante de The Last of Us… a lista vai longe.

As produtoras sabem do valor que é dado a ideias completamente novas, por isso todo ano na E3 vemos diversos games descritos como “algo que você nunca viu antes”, “a nossa melhor produção até agora” ou “revolucionário”. Mas todos nós sabemos, nem metade é verdade.

Destiny

A sua experiência pessoal

O que eu citei até aqui faz parte do senso comum de um bom jogo – boa história, boa jogabilidade, recursos inovadores. São games que atingem todos os fãs dessa indústria, e não um nicho – por exemplo, só pessoas que gostam de futebol, só quem gosta de multiplayer, etc. Mas o que predomina sempre é sua percepção, por isso também disse lá no início que jogos provocam diferentes sentimentos em diferentes jogadores.

Muitas vezes, seu jogo preferido não tem uma boa história (ou não tem história nenhuma), possui uma jogabilidade frustrante no começo ou não trouxe nenhuma nova ideia, mas pra você ele é perfeito, e isso que importa.

Portanto, levar em consideração os aspectos citados aqui é importante para identificar e entender o que tantas franquias de sucesso fazem certo. Tendo esses pontos em mente, é fácil ver como diversas ideias geniais acabam dando tão errado quando são lançadas.

Se estiver na dúvida entre comprar um ou outro jogo, analise os pontos citados aqui. Se ainda a dúvida persistir, siga seu instinto, não há nada mais pessoal do que isso.