Como bom amante de jogos de corrida, toda vez que se anuncia um novo Need For Speed, eu sinto um misto de animação e apreensão.

Animação porque Need For Speed é uma das mais clássicas franquias de corrida, com ótimos títulos lançados ao longo dos anos. E apreensão porque né, a Electronic Arts é campeã em cagar mandar muito mal em alguns jogos, e com NFS não é diferente (Need For Speed World, I’m looking at you).

Pois bem, com o lançamento de Need For Speed Payback em 10 de Novembro as notas de reviews saindo eu notei que enquanto alguns sites deram média 8 ao jogo (not bad, not bad), portais como IGN, GameSpot, Polygon e PCWorld foram bem mais agressivos dando notas tipo 5 (whaaat).

Quando vi isso dei uma boa lida em todos alguns reviews e apesar de terem levantados pontos pertinentes, notei que uma certa viajada dos editores, parecendo um pouco de “ranço” com a EA. Aí o que me restava fazer? Utilizar as 10 horas de testes disponível para assinantes do EA Origin Access, claro.

Mas antes, um parenteses: apesar de ser um grande apreciador de jogos de corrida (e de automobilismo em geral), não me considero nenhum “master piloto” no PC. Acho legal mas não tenho paciência nem espaço pra jogar em simuladores com todo aquele equipamento e ajustes meticulosos dos carros, então quando quero algo real meu negócio é o kart mesmo, e no PC gosto de algo mais relax.

Dito isso, bora falar dos pontos de Need For Speed Payback.

É um puro arcade de corrida, e isso não é ruim

Esse é o primeiro ponto que qualquer jogador deve ter em mente: Payback é tão arcade quanto um jogo de corrida poderia ser.

Alguns comentários de reviews criticaram a dirigibilidade de Payback de uma forma que não deu pra entender. Payback não tem nenhuma pretensão de ser um semi-simulador como Forza Horizon 3 por exemplo, pois não oferece praticamente nenhum ajuste de carro, há elementos aerodinâmicos que são tratados apenas como elementos cosméticos, não há suporte a volante/pedais (algo que imagino virá em algum patch) e se isso não bastasse pros editores entenderem, o jogo nem mesmo tem uma câmera de cockpit. Ou seja, vacilaram.

O modo arcade de Payback entrega o que pretende: nada de se preocupar muito com micro-ajustes no carro, você consegue se divertir mesmo com um teclado, e se possuir um simples controle / joystick a experiência fazer uma curva em drift a 150+ km/h sem muito esforço é “dahora“.

Dica pros bração: ao meu ver alguns editores não entenderam uma premissa de Payback: o jogo QUER que você faça curvas médias/lentas em drift, se tentar fazer “de boas” o jogo te pune pois o carro não vira muito bem e você perde velocidade. 😉

O grind não é tão diferente de outros jogos

Outra “bronca” em alguns reviews é o grind do jogo. Olha, realmente você acaba repetindo alguns eventos e ninguém gosta muito disso, mas qual jogo open world não há grind hoje em dia, hum? Por exemplo em FH3 (a comparação entre os dois é inevitável): é preciso fazer grind para ir liberando os festivais, e diga-se de passagem eu achei lá bem mais massante que em Payback (e eu gosto muito de Horizon, galera).

Alguns editores chatos reclamaram muito desse ponto, chegando a falar ser “impossível progredir sem repetir eventos para poder dar upgrade no carro e ter chance de vencer as novas corridas” (/facepalm).

Olha, sinceramente isso não procede. Eu joguei no nível médio (você pode trocar a dificuldade a qualquer momento aliás) e ganhei vários eventos / desafios estando com um carro 20 níveis abaixo do recomendado sem muitos esforços e até 60 níveis com um certo esforço, então não sei onde esses editores aí aprenderam a pilotar não. 😉

O único ponto que achei meio chato é precisar efetuar algumas coisas específicas para desbloquear customizações nos carros, e mais devido a interface, pois não há uma forma de consultar estas informações de forma prática a qualquer momento, é preciso estar na garagem e como é bastante coisa é fácil de esquecer. Seria legal se ajustassem isso.

E as famigeradas e odiadas loot-boxes? Apesar do que falaram em alguns reviews, elas são completamente opcionais, com vários relatos no reddit de usuários que fecharam o jogo inteiro sem usar nenhuma loot-box sequer. Ou seja, chororô né?

Concluindo

Claaaro que o jogo também tem defeito, afinal em era de microtransações e DLC, o que sai sem defeito? Vamos com a parte ruim primeiro:

  • Muita gente reclamou do preço dos upgrades e carros (aqui estou falando do dinheiro dentro do jogo) e eu concordo, eles dão uma “travada” na liberdade de experimentar mais carros. Como tem bastante feedback em cima disso acredito / espero ser algo que a EA ajustará em breve.
  • Mesmo não sendo um jogo pesado, no PC tem tido uns probleminhas de micro-travamentos chatos pra um jogo de corrida, independente do hardware e até da qualidade. É algo que precisam ver o quanto antes pois atrapalha mesmo.
  • A qualidade gráfica não é péssima mas é no máximo “ok”. Isso é muito estranho considerando que Payback usa a engine Frostbite (motor por trás de títulos como Battlefield e Mass Effect). É notável como o anti-alias não funciona 100%, não há muitas opções de configuração avançada mesmo no PC e as texturas de elementos complementares como estradas / terrenos / rochas é zoada. Fiz um teste aqui e me parece que ou é algum bug ou as texturas estão realmente em uma resolução muito baixa, pois mesmo colocando as texturas em ultra e jogando em 1440p, a utilização de memória da placa de vídeo não passa dos 3GB (enquanto que com FH3 por exemplo chega perto dos 6GB). Espero que isso seja algum bug e/ou consigam corrigir.
  • Pisaram na bola FEIO ao não ter policiais / perseguições quando você está no modo free-ride, somente nas missões. Gente, como assim! Poderia ser algo opcional mas deveria ter isso, sinceramente pra mim é o pior defeito. Arrumaê, EA!

Mas também tem coisa boa moleque!

  • Como falei, a dirigibilidade arcade é bem fácil de se adaptar e muito prazerosa quando se pega o jeito. Até bração consegue (menos os caras de alguns portais aí).
  • O modo fotografia é bacana, mas o legal mesmo é poder tirar uma screenshot com uma tecla em qualquer momento e ela salvar sem nada da interface aparecendo e sem interromper o gameplay.
  • Apesar da interface ser meio ruim, as customizações disponíveis para os carros é bem grande – só falharam um pouco nas opções de pintura.
  • A EA dando uma ajustada no RNG e nos valores dos upgrades, é algo maneiro de se ter no jogo pra dar uma pegada de “evolução”.
  • A interação com a sua “equipe” deixa a campanha menos monótona e solitária. Aquele computador de bordo de FH3 é muito mais chato.
  • A história não é ruim, é até divertida. Gente, é um jogo de corrida, quer história profunda vai jogar WoW, pô.
  • O mapa, os ambientes e as estradas tanto de asfalto como off-road são dahora! Eu curto muito jogar no estilo free-ride e passo horas dando voltas sem rumo no Forza Horizon 3, mas sinceramente gostei muito mais em Payback. Juntando isso ao estilo mais relaxado de dirigir do arcade, dar a volta no mapa pela auto estrada é uma experiência duca, sendo tão bom que eu gostaria que o mapa inicial fosse bem maior!

Bom, mas e aí, rapá, como que ficam as notas baixas que o jogo recebeu de alguns grandes portais? Olha, sinceramente? Acho que galera viajou forte em alguns reviews.

Como pontuei acima, Payback tem sim problemas mas também entrega muita coisa bacana dentro do que se propõe. Vejo com bons olhos o laçamento de um “arcadezão” em meio a um monte de semi-simuladores / simuladores, traz alguns elementos diferentes e acredito que com alguns ajustes da EA pode se tornar um jogo para se passar várias horas.

Ficou parecendo que alguns editores não entenderam o propósito de Need For Speed: Payback, ou talvez estejam cansados de alguns elementos devido a outros jogos, vai saber.

Claro, Need For Speed: Payback não é o melhor título da série já lançado, mas também passa bem longe de ser o pior, e com certeza não é um jogo nota 5.

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Esse artigo foi feito de forma totalmente independente e é uma opinião sincera do editor. Nem a key do jogo a pão dura da EA nos mandou, então sem teorias conspiratórias galera 😉