Março chegou e já foi embora, e trouxe consigo um dos maiores (até então) lançamentos que o PlayStation 4 pudesse receber. Bloodborne, dos mesmos criadores que Demon’s e Dark Souls, conseguiu emplacar como um verdadeiro system-seller, fazendo muita gente querer dar uma olhada no que tornou esse jogo tão aclamado e especial.

Me sentindo inspirado no grandioso e completo Guia Definitivo de Evolve, feito pelo meu amigo e colega de site Laureano Macalango, trago para vocês uma espécie de “mini-guia” de sobrevivência de Bloodborne, reunindo algumas dicas que eu – após consideráveis horas de contato com o game – pensei que pudessem ser interessantes para quem está jogando e para os novos aventureiros nessa saga nada fácil.

Desde dicas mais abrangentes (e, de certo modo, senso comum) até mais algumas específicas você irá encontrar aqui. E, claro, estimado leitor, sinta-se à vontade de opinar, acrescentar e criticar o material aqui escrito. Sou totalmente aberto a novas ideias e vou adorar criar um material de qualidade vindo com a ajuda da comunidade, já que também nunca fui um fã die hard da franquia Souls. Como dizem, de fãs para fãs.

Bloodborne


Do início: criação do personagem e sugestão de build

Como todo RPG, esse é o ponto de partida: criar seu personagem. Em Bloodborne não seria diferente e aqui temos uma variada gama de customização de sua persona virtual; desde tons de pele, nariz, tamanho do torso, face etc. Mas não é nisso que focaremos, vamos tratar da origem e pontos de atributos do seu personagem.

bloodborne

Sistema de customização

Uma das primeiras coisas a se escolher na criação é definir o passado daquele que você irá controlar. Funcionando como uma “pré-build”, os pontos de atributo serão influenciados por essa escolha de origem. Os atributos convencionalmente se dividem em: Strength, Endurance, Vitality, Skill, Bloodtinge e Arcane, no qual irei sugerir investir, prioritariamente, em Strength, Endurance e Vitality. Esses três atributos irão melhorar seu ataque físico pesado (e nos dois slots de armas), aumentar a stamina (dar mais hits, correr, esquivar etc.) e outras resistências e aumentar a barra de HP, respectivamente. Os atributos mencionados também aumentam sua defesa física, principal tipo de dano de uma grande maioria dos inimigos do game.

Com base nisso, as classes/origens que mais favorecem esses atributos são Violent Past, Military Veteran e Milquetoast (por ter todos os atributos equilibrados). Qualquer uma dessas origens favorece a construção de uma build mais focada em ataques físicos e na defesa, assim como uma boa barra de HP e stamina para não se ter muitos problemas em batalhas contra chefes e inimigos mais fortes/mini-chefes.

“Mas… eu gosto de jogar de mago, soltar magia e plim-plim. ):” 

Bloodborne, até onde pude perceber, dá pouquíssimo espaço para aquele conceito que nós temos sobre Magos, Spellcasters e afins. O atributo Arcane (que seria o mais próximo que teremos de “magia” no jogo) se divide ligeiramente em alguns outros aspectos como, por exemplo, a utilização das Hunter Tools. Determinados tipos de equipamento que utilizam balas da sua arma de fogo pra te auxiliar de várias maneiras: invocação de espíritos, efeito de cura em área (para co-op), melhorar sua esquiva, dentre outros. Aumentando o Arcane, seu dano causado por efeitos elementais (coquetéis molotov etc.) também é singelamente melhorado, assim como o seu “Discovery“, espécie de habilidade que melhora sua capacidade de dropar itens dos inimigos.

Portanto, jogadores que costumam jogar dessas famosas classes que envolvem magia podem sentir certa carência em Bloodborne. Mas nada muito cruel, já que o game sabe definir muito bem seu ritmo, deixando que o jogador perceba melhorias a ser feitas em determinados atributos.

Sem tempo para passividade: ataque e esquiva

Já noticiado antes do lançamento do jogo, Bloodborne abandona (quase) completamente os escudos e a ideia de que você tem que se esconder para sobreviver. No lugar dos escudos, entram as armas de fogo. E ao contrário do que se pode pensar a respeito, a última coisa que você vai fazer com elas é atirar nos inimigos com o intuito de causar dano aos mesmos. Aqui, as armas de fogo são usadas para dar o chamado stagger nas criaturas, funcionando basicamente como um “parry”/contra-ataque: ao se atirar na mesma hora que um inimigo te ataca, o mesmo ficará parado e um barulho de “plim” irá acontecer, sinalizando que você pode executar um poderoso visceral attack. Esses ataques são críticos, causando uma enorme quantidade de dano, o que é praticamente essencial contra uma boa parte dos chefões.

É importante saber quando usar esse sistema. Não há necessidade nenhuma contra inimigos normais, já que poucos hits são o suficiente para matá-los. Gaste suas balas com inimigos maiores e mais fortes (trolls e afins), já que um visceral attack se não matar esses inimigos mais robustos na hora, os deixam à beira de um ou dois hits da morte.

Observação sobre essas armas: A menos que você queria investir muito no atributo Bloodtinge (que favorece armas e ataques que utilizam balas de mercúrio), não vejo muito sentido usar as armas de fogo além do motivo citado acima, embora existam armas físicas que precisem desse atributo para serem usadas e causam dano baseado em sangue além do dano físico. Vai depender bastante da sua build e como você pretende jogar.

E ainda mais para corroborar o sistema de agressividade do jogo, Bloodborne conta com um recurso bem interessante: ao ser atingido por um ataque inimigo, o medidor do seu HP cairá até certo ponto, mas sua vida vai continuar no mesmo lugar por um curto período. Se você atacar esse oponente ou outras criaturas ao redor rápido o suficiente, sua vida retornará ao ponto antes de ter sido atacado. Esse sistema de “reganho” torna o game muito mais justo a medida que você se atenta a quem te ataca e quando te atacam.

Abuse desse sistema, mas de uma maneira inteligente. Se afobar e começar a bater loucamente querendo recuperar a vida perdida só vai te deixar aberto para mais hits: se atente ao ambiente e às criaturas que te cercam. Os inimigos são espertos e irão aproveitar as brechas de seus ataques, então, muito cuidado. Poções para recuperar vida não são escassas (principalmente no começo do jogo); às vezes vale mais a pena recuar e usar uma poção do que partir para o contra-ataque imediato. O que nos leva a outro ponto: a esquiva.

Um diferencial implementado aqui, ao travar a mira num adversário, o personagem dará pequenos “dash”, ou “quicksteps”, uma espécie de esquiva rápida e sagaz ao contrário do velho rolamento. A esquiva na hora certa te dará ótimas oportunidades de ataques, principalmente ao se enfrentar outros Caçadores. No mano-a-mano, essa é a escolha mais adequada, mas ao se enfrentar mais de um inimigo ao mesmo tempo, a história muda um pouco. Como falei, esse quickstep só é efetuado ao se travar a mira, focando em uma só criatura. Ao se enfrentar grupos, o rolamento é bem mais eficiente.

Porém, encarar mais de um ao mesmo tempo é sempre arriscado. Os inimigos não dão descanso e não vão parar de atacar até que você esteja morto. Sempre utilize os Pebbles para atrair a atenção de um por um e desmembrar o grupo, tornando sua tarefa muito mais fácil, organizada e sem riscos desnecessários de morte.

Tenha em mente: Bloodborne recompensa a agressividade aliada à estratégia.

Não tem jogo sem exploração

Em um jogo onde mal se tem diálogo e cutscenes não duram mais que um minuto, era de se esperar que o intuito e exploração do jogador seriam 100% necessários. Vários chefes opcionais, side-quests completamente perdíveis e equipamentos que podem passar despercebidos, a exploração aqui é crucial.

Sabe aquela porta que não tava aberta antes de você matar determinado chefe? Volte e confira novamente. Aquele andar mais acima que você não conseguia alcançar? Dê várias voltas, cheque todas as entradas, volte, confira, entre, procure. Preste atenção por onde você está passando e ao cenário, a exploração fica muito mais fácil quando você decora os caminhos para os mais variados cenários que o jogo oferece. E claro: os tesouros escondidos. Há áreas secretas a serem exploradas quando adquiridos certos itens e várias recompensas nesses locais.

Se atente também aos NPCs encontrados durante o jogo. Eles oferecem missões e recompensas únicas ao terem suas quests completas, como armaduras e armas. Mas para isso, é necessário “ligar os pontos” no que eles dizem e para as localidades de interesse. Por exemplo: possivelmente, em sua jornada, você encontrará um NPC chamado Alfred. Sendo uma espécie de padre, Alfred está atrás da rainha dos Cainhurst Vilebloods, uma convenant (um tipo de “clã”) no jogo. Em certo ponto, você tem acesso a esse castelo que pertence a essa rainha. E você pode entregar a localização dele para Alfred após adquirir certo item. Sacou? Nada do jogo deixa explícito o que você tem que fazer, partindo de sua pura dedução (ou guia na Internet) o que fazer para completar determinada quest.

E não apenas isso: há vários atalhos para serem destrancados, facilitando seu vai-e-volta de determinados mapas. E falando nisso, se prepare para fazer o famoso backtracking em áreas que você pensou ter explorado por completo. Como já dito, novas passagens vão se abrindo após realizar certas ações no game, dando novos acessos e afins.

Aqui vale também para o enredo, já que tudo o que se coleciona pelo caminho em termos de referências para se entender o que está acontecendo parte do você explorou. Se você tem um esmero por narrativa, não se tem outra saída a não ser montar as evidências até achadas até então.

Então, é… Explore.

Abrace a morte: a punição como aprendizado

Não precisa nem ter jogado qualquer jogo da franquia Souls pra saber que você vai morrer muito, o boca a boca vai te deixar informado uma hora ou outra. Em Bloodborne não seria diferente, e é praticamente um treino de espírito abraçar a ideia de você ver seu personagem cair morto muitas, muitas vezes. Tire por base o famoso “aprenda com seus erros”.

Caso você esteja empacado em determinado chefe, perdendo os cabelos e jogando o controle na parede, lembre-se que o seu PlayStation 4 tem um recurso de gravação bem interessante. Use-o, assista você jogando e veja bem onde está errando. Isso pode ser de suma importância para se ajustar aos comportamentos dos inimigos. Por mais que a inteligência artificial seja uma coisa bem trabalhada, TODAS as criaturas possuem padrões de ataques, embora não sejam sequenciados. Decorando esses padrões, e o mais importante, prevendo-os, vai tornar as lutas bem mais fáceis de se lidar. Entretanto, não se anime tanto: chefões (principalmente) trocam seus padrões depois de perder X de vida.

É necessária a adaptação de variadas formas aqui. Um ataque que terminaria com dois hits, termina com três após a vida do infeliz cair pela metade. Novos ataques aparecem, imprevisibilidades podem acontecer. Mas como eu disse, há padrões e o jogo funciona por meio desses padrões. A morte aqui vai te orientar e mostrar onde você está errando, que ataques te causam mais dano e onde está a cilada nisso tudo. Enfim, paciência. Bloodborne me ensinou que estressados aqui não têm vez, e se você quer dominar o jogo, a paciência passa de virtude para necessidade.

BloodborneSuas armas iniciais são melhores do que você pensa

Pra ser sincero, fiquei com meu Cutelo Serrado pelo jogo inteiro, inclusive no New Game Plus. Sim, pois é. Embora eu tenha encontrado e destravado outras armas incríveis, meu Cutelinho ganhou um espaço no meu coração e ficou lá pelo jogo inteiro como minha arma primária. Não só tinha um ótimo dano pra alcance curto e médio, como era bem manuseável e tinha combos de transformação mais rápidos do que as outras armas.

Priorize suas armas primárias que elas podem ficar com você pelo resto do jogo inteiro, ao contrário de outros RPGs que são equipamentos passageiros dos 30 primeiros minutos de game. “Pera, você disse combo de transformação?” Todas as armas em Bloodborne (apesar do número relativamente limitado) não possuem apenas um modo de ataque. O cutelo se estende para uma versão maior com alcance prologando, o machado de caçador duplica de tamanho e a bengala vira um… chicote. Essas transformações podem servir de ‘combo’ entre um ataque e outro, ao se pressionar L1 logo após um ataque. Além de tirar mais dano, são animações bem legais de se ver.

Outros pontos para se atentar nas armas:

  • Leia as respectivas descrições. Podem conter informações úteis sobre a utilidade das mesmas (e às vezes rola de ter uma trivia bem legal para completar a história);
  • Espaços para Blood Gems: no decorrer do jogo e após matar o segundo chefe, você vai receber uma ferramenta capaz de inserir gemas especiais nas suas armas. Essas gemas possuem formatos específicos para espaços específicos e podem somar atributos para causar mais dano, adicionar dano elemental, adicionar outro efeito especial etc., atente-se para a melhor combinação para seu estilo de jogo e também desses formatos específicos de gemas (no qual são três: formatos de ‘estrela’, ‘lua’ e triângulo);
  • Conserte sua arma regularmente. Sempre que voltar pro Sonho do Caçador, passe no seu workshop e repare a arma pra não quebrar e não te causar um prejuízo nos seu tão suado Sangue que serviria para upar seu status em vez de consertar sua arma;
  • Fortifique-as sempre que puder. As fortificações vão até “+10” e precisam de pedras especiais achadas durante o gameplay para upá-las. Essas melhorias aumentam quase todos os aspectos da arma e são cruciais ao adentrar uma nova área e matar novos chefes.

Não esqueça de jogar online e fazer as Masmorras do Cálice

Jogar Bloodborne online é quase uma obrigação. Além da possibilidade de ler as mensagens que os outros jogadores deixam para você por meio dos Mensageiros e ver onde outros jogadores morreram naquela mesma área que você, o jogo pode ser jogado em cooperativo. Precisa de uma mãozinha? Chama aquele seu amigo viciado para te ajudar num determinado boss ou área mais avançada. O game fica mais divertido e dinâmico, já que jogar com amigos é sempre melhor (na maioria dos casos).

Pra isso acontecer, você precisa ter o Sino de Invocação e seu amigo o Sino Ressoante. Ambos precisam estar com as mesmas configurações de Internet (ajuda se tiver senha), na mesma área e sem inimigos por perto. O amigo que entrar no seu jogo será o convidado (Sino Ressoante) e o progresso será feito apenas no seu jogo. Exemplo: você e ele matam um chefão. Quando seu amigo retornar ao jogo dele, o boss ainda vai estar lá para ele matar. Portanto, atenção ao manejar as entradas e saídas de mundo pra não rolar desentendimento em nenhuma das partes.

Entretanto, ao jogar online, prepare-se para ser invadido por outros jogadores querendo seu corpo nu. Esteja muito certo de suas habilidades, pois nunca se sabe quem vai te invadir, e o bagulho é muita emoção. “Mas eu não quero ser invadido, pô! Quero jogar na minha ou com meus amigos”. Infelizmente, é um risco a se correr. Caso você não jogue em co-op, as áreas de invasão certa são só no final do game, sem muitas preocupações até lá. Se você não quiser MESMO ser invadido, jogue offline. Só digo que vai perder boa parte da graça da experiência do jogo.

Sobre as masmorras: são as únicas áreas do game que oferecem armas únicas, chefões únicos e desafio único também. Lá, você poderá encontrar versões diferentes da suas armas (que irão diferenciar os espaços/formatos para as gemas) e Blood Gems bem raras. De certa forma, dependendo do quanto você quer explorar, vale o tempo dar uma sacada já que as primeiras não são tão difíceis assim (a partir da profundidade 3 o bicho começa a pegar). E caso você seja um “caçador de troféus”, gemas extremamente raras (de lvl 15 pra cima), uma arma e um boss especiais para três troféus são apenas encontradas lá.

Caso tenha interesse, fãs mais devotados estão montando um documento no Google Docs reunindo Masmorras geradas por eles que possuem armas especiais confirmadas em determinadas camadas. Confira aqui os códigos, os nomes das dungeons (em inglês) e tente sua sorte!

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Se prepare para a caçada!

Bem, vou parando por aqui. Está bem longe de ser um guia definitivo, um acervo completo com dicas e coisas e tal, sendo apenas um ponto de começo para quem procura palpites rápidos sobre alguns aspectos sobre esse jogo tão complexo, frenético e excepcional. Esse mini-guia estará em aberto para sugestões de vocês e a mais quem queira colaborar, a sessão de comentários está aí!