Mighty No. 9 é do gênero ação-plataforma e foi desenvolvido pelas empresas Comcept e Inti Creates e distribuído pela Deep Silver para PC, PlayStation Vita, PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360, Xbox One, Wii U e Nintendo 3DS. Idealizado por Keiji Inafune, o game começou a ganhar fama por meio da campanha no Kickstarter, atingindo a meta pretendida em apenas dois dias.

Aparentemente, Mighty no. 9 seria um sucesso. Porém, graças a algumas tretas durante a fase de financiamento e contínuos atrasos de lançamento, o título começou a perder credibilidade, e para alguns fãs e críticos, passou a ser considerado um verdadeiro fiasco. Vamos ver como essa história se desenrolou.

Após acumulada a meta inicial de US$900.000, o game continuou recebendo doações, chegando à casa dos milhões. Próximo à data de lançamento (abril de 2015), Mighty No. 9 foi adiado para setembro do mesmo ano. Nesse momento, Inafune pediu a arrecadação de mais $100.000, alegando os custos com a dublagem e outros bônus. Após reclamações da comunidade, a campanha foi retirada do ar por um tempo e, novamente, chegando a nova data prometida, mais um adiamento aconteceu: dessa vez, o jogo chegaria apenas no início de 2016.

Ainda nesse clima de insatisfação, Inafune começou uma nova campanha, para um outro sucessor espiritual, de Mega Man Legends. Era Red Ash: The Indelible Legend, com a meta de US$800.000 e US$150.000 para a criação de um anime do projeto. Após acumulada a quantia para a animação e aproximadamente $520.000 para o jogo, faltavam poucos dias para o encerramento da campanha. Foi aí que anunciaram uma parceria com a FUZE, uma publisher chinesa, que aparentemente bancaria o game. Mas e o dinheiro do Kickstarter? Bem, Inafune, alegando que o dinheiro arrecadado via crowdfunding seria utilizado para trazer conteúdos extras, deixou os fãs de mãos abanando — mais uma vez.

Não demorou até que Mighty No. 9 fosse adiado de novo, e a data dessa vez era 21 de junho. Para piorar o clima de insatisfação geral com os atrasos, na E3 desse ano foi confirmado o lançamento de ReCore para 13 de setembro, produzido por ninguém menos que Inafune. ReCore foi anunciado durante a E3 de 2015, enquanto a campanha do Kickstarter de Mighty no. 9 data de setembro de 2013.

Após o lançamento do closedbeta (seguido pelo seu vazamento em sites de torrent) e o trailer mostrando mais do gameplay e dos gráficos, o sucessor espiritual de Mega Man recebeu notas medíocres em sites como o IGN (6 de 10). Alguns dizem que esse aparente fracasso se deve aos gráficos dignos de Nintendo DS ou mobile. É válido ressaltar que a direção de arte foi totalmente alterada ao longo dos três anos de campanha. Já outros, dizem que o jogo é muito fácil para poder ser um herdeiro digno de Mega Man.

Uau. Empolgante, hein…

Para saber se ele é realmente um fracasso, deveremos aguardar mais um pouco. O fato é que graças a essas polêmicas, uma grande parcela de fãs se decepcionou com campanhas crowdfunding. Num contexto em que a maioria dos jogos indies depende desse tipo de sistema de financiamento, surge a questão: será que essa é a melhor alternativa para renomados produtores?

É difícil pensar que estes são meras vítimas das grandes empresas, frente às experiências exitosas de estúdios independentes, como o caso recente de Hideo Kojima com a Kojima Productions e a Sony ou de Shinji Mikami, criador de Resident Evil, com a Tango Gameworks.