Quando a “nova” geração foi anunciada em 2013, já era de senso comum que seu querido PS3 ou Xbox 360 tinha atestado de óbito assinado. Por mais que a indústria tentasse te ludibriar lançando jogos “cross-gen” (disponíveis tanto para nova e antiga geração), a diferença de aspectos técnicos era colossal. Pra não dizer desleal.

Jogos next-gen-only foram lançando, e tanto a Sony quanto Microsoft foram fazendo o maior descaso com seus respectivos companheiros de longa data, que irão completar 10 anos em breve. As coisas precisam evoluir, certo? Certo. Não discordo do fato de que a tecnologia não avança com aparatos antigos, muito menos sem inovações. Só que, num mundinho utópico onde a distribuição de renda fosse feita de maneira menos desproporcional, o fato de você comprar um console next-gen sem maiores preocupações não iria me fazer escrever isso que estou escrevendo agora. O cenário tá sendo bem diferente, e o descaso cada vez maior.

Sigo no YouTube um canal chamado “Digital Foundry“, alguns de vocês já devem ter ouvido falar. Esse canal faz parte da rede Eurogamer, e disponibiliza comparações técnicas de desempenho em diversas plataformas, inclusive entre nova e antiga geração. Bem, olhando minha lista de inscrições, vejo que o Digital Foundry fez uma comparação de Middle-earth: Shadow of Mordor (ou Sombras de Mordor, para os íntimos tupiniquins). Aquele mesmo jogo que concorreu ao famoso “GOTY” e estampou capas de reviews como a surpresa do ano por ser tão bom e divertido de se jogar.

Sombras de Mordor, inicialmente, lançou para PlayStation 4, Xbox One e PC. Teve todo o seu prestígio, ovacionamento etc. O jogo lançou dia 30 de Setembro para as plataformas ditas e, nebulosa e sorrateiramente, a data seria a mesma para PS3 e Xbox 360. Essa data foi adiada, curiosamente, para 18 de Novembro. Meio distante do lançamento original, né? De acordo com a Warner, essas versões precisam de “mais tempo” para produção.

Eis no que o adiamento resultou:

“Ah cara, para de ser bundão! O que importa é a diversão, esse negócio de FPS e resolução tá na moda todo mundo reclamar. Seu chato.” 

Em várias ocasiões eu concordaria. Sério, por mais que eu especule esse tipo de aspecto técnico, nem me importo tanto assim. Mas não é esse o caso. Se o seu aparato de visão e lobo occipital estiverem funcionando corretamente (e, claro, se tiver assistido o vídeo) vai concordar comigo em algum grau ou nível. 14 FPS? screen tearing, Uruks voando? Texturas faltando? Isso porque eu não mencionei que a resolução que o game roda no PS3/Xbox 360 são as mesmas do PS Vita (960 x 544). As piadas com a Ubisoft não são tão sem graça agora. Porque ela não é a única.

O fato é que, esse “adiamento” não teve lhufas a ver com deixar o game mais polido. Eles já sabiam que essa portabilidade não iria dar certo desde o começo. Só não queriam passar vergonha e não ofuscar o brilhantismo que o jogo tem nas versões da geração atual e PC. “Vamos deixar a porqueira pra quase 2 meses depois do lançamento oficial, já que ninguém vai lembrar das versões de PS3 e Xbox 360. Todo mundo vai saber que o jogo é bom mesmo, então dane-se”. Parece que eu li a mente de algum dos executivos da Warner.

[quote align=’left’]As piadas com a Ubisoft não são tão sem graça agora. Porque ela não é a única.[/quote]

E o pior: vocês acham que alguém vai se dar o trabalho de arrumar isso daí? Tipo, dane-se se sua imersão foi estragada e você gastou R$ 200 num jogo que parece de PS2, não comprou pra PS4/One/PC porque não quis. Pelo menos ganhou um blu-ray do Senhor dos Anéis. Contente-se.

Para nossa “sorte”, consumidor ludibriado, algumas empresas já estão se tocando, como a Techland ter cancelado Dying Light para PS3/Xbox 360. Ou a Rockstar, que faturou alguns bilhões com GTA V na geração passada com um jogo decente, para depois anunciar a versão “definitiva”. E não que isso seja maravilhoso, bem longe dessa colocação. Mas ao invés de estamparem na sua cara que você é um otário, algumas fazem isso de maneira mais sutil. Te fazem um carinho para depois dar um chute na sua cara.

Enfim, foi mais um desabafo do que artigo, de fato. Embora eu não tenha jogado essa versão do PS3, eu tenho amigos que pretendiam comprar e que realmente ficaram animados com o jogo. O que me resta é lhes mostrar essa lamentável comparação e os aconselhar a jogar nas versões no qual o jogo foi designado para jogar. E se você ainda pretende jogar Sombras de Mordor na geração passada, opte pelo Xbox 360 que tem, pelo menos, uma taxa de quadro por segundo menos horrorosa.

Espero, sinceramente, que isso não se repita com tanta frequência que está acontecendo. Chega num ponto em que deixa de ser sacanagem e passa pra falta de respeito. Caso você queira ler a análise completa do Digital Foundry, fique à vontade.