Quando você conversa com alguém sobre o bom e velho RPG de mesa, logo surgem nomes como Dungeons & Dragons, Vampiro: a Máscara, Lobisomem, Tormenta, entre outros títulos mais famosos e muito jogados Brasil a fora. Mas quando me perguntam, qual é o meu título favorito, sem titubear, logo mando: PENDRAGON!!!!!!

Sim meus amigos roleplayers, vocês precisam conhecer King Arthur Pendragon, um RPG SEN-SA-CIO-NAL que me conquistou logo nas primeiras sessões. Afinal, jogar uma campanha dentro das lendas Arturianas é simplesmente fantástico.

Um livro completo

O livro básico e o livro de campanha trazem informações para começar uma campanha em diversas épocas da história de Arthur, mas vou relatar a campanha que joguei por cerca de um ano e meio e foi maravilhosa. Aliás, terminamos uma segunda campanha nesse momento e foi ainda mais sensacional que a primeira!

Começamos o jogo sendo cavaleiros juramentados ao rei Uther Pendragon, o pai do futuro rei Arthur, no ano de 485, dez anos antes do nascimento de Arthur e 25 anos antes dele tirar Excalibur da pedra. Uther é o rei de Logres, uma das regiões da Bretanha, e conta com o auxílio dos cavaleiros para se tornar o Alto Rei e governar os outros monarcas que comandam os países da região.

Já de início a coisa fica interessante, pois na montagem da ficha fazemos algumas rolagens que definem quantos parentes temos, cavaleiros a nosso serviço, domínio que nos é concebido pelo rei para administrarmos e coisas do gênero. Meu personagem da primeira campanha era o último da linhagem de sua família, ou seja, comecei o jogo sem parentes destinados. Isso faz alguma diferença no roleplay, pois quando você começa com tios, irmãos, etc, já tem alguma vantagem em negociações, pode fazer acordos e designar seus entes queridos para alguma função interessante dentro da história.

A cultura a qual o personagem faz parte também é um show à parte, pois você pode ser um cavaleiro cristão, um pagão, ser um descendente saxão ou um franco que busca oportunidades nas terras bretãs.

A cada ano que inicia, o rei convoca seus vassalos e cavaleiros para uma grande convenção, normalmente regada a festividades e comemorações (menos na Era da Anarquia, mas isso fica pra outra hora). Nesse período já ficamos sabendo dos boatos que circulam a região, os acontecimentos mais importantes e as aventuras que nos aguardam pelo restante do ano.

A Bretanha é constantemente invadida pelos Saxões, nossos maiores inimigos no jogo, mas ainda conta com os perigosos Pictos chegando pelo Norte ou ainda os Irlandeses que invadem as terras de Gales. As diversas intrigas entre reis e cavaleiros também podem gerar ótimas histórias e problemas diversos para os personagens. Imagine presenciar o assassinato de um rei, envenenado durante um banquete oferecido a chegada dos personagens em seu país? É bem interessante e problemático ao mesmo tempo, ainda mais quando um dos príncipes é o principal suspeito.

Muita intriga e conspiração na corte do rei

Mas nem só de combates e batalhas vive um cavaleiro em Pendragon. Intrigas políticas e administração dos domínios são alguns dos pontos altos do jogo. Uma das coisas mais difíceis e interessantes é conseguir um casamento, que além de ceder muita glória para o cavaleiro, gera muita história dentro do jogo. Como o sistema de combate é estritamente mortal e com a velhice, seu cavaleiro começa a definhar e perder pontos na ficha (sim, após os 35 anos de idade, algumas rolagens determinam o quanto você perde de atributos e isso pode complicar muito sua vida), após umas 25 ou 30 sessões de jogo, a chance de você morrer é bem grande (se não morrer bem antes, já nas primeiras histórias).

Porém, o sistema permite que você jogue com seu herdeiro e isso parece bastante interessante dentro da narrativa do jogo. Nessa segunda campanha, tive a oportunidade de jogar com o herdeiro do meu personagem original. O mais interessante, é que ele era filho bastardo de uma rainha do norte (com meu personagem original, consegui algumas façanhas que possibilitaram um romance com essa rainha) e isso trouxe grandes momentos de gameplay, inclusive a própria construção do perfil do personagem, que era vingativo e amargurado por conta de nunca ter sido reconhecido na família real.

A parte mais divertida, e tensa, que vivenciei no jogo, foi a chegada do inverno e as rolagens de administração do domínio. Quando o inverno chega os jogadores fazem testes para determinar qual é a intensidade da estação naquela região e dependendo dos resultados, a coisa pode ficar muito complicada. Aí entram as rolagens para determinar se nossa cidade permanece intacta ao inverno ou sofre severos danos causados pela fome e pelo frio. Administração do solo, das proteções e civilidade do domínio são algumas das peculiaridades que temos que organizar nesse momento. Nessa hora, todas as montarias do domínio podem morrer, assim como filhos e parentes mais velhos. É bem divertido… e tenso.

Paixões e Moralidades

O sistema de regras traz uma característica muito interessante, que é o conjunto de Moralidades. Você tem moralidades opostas e um número de 20 para equilibrá-las. Por exemplo, você tem uma linha com Benigno e Cruel, e os valores de 15 (Benigno) e 5 (Cruel). Nesse caso, você mostra que seu personagem é bondoso e busca sempre os caminhos da virtude, porém, suas atitudes dentro da campanha podem mudar esses valores de moralidade o tempo todo. Se você começar a praticar atos cruéis, sua moralidade Cruel subirá, ao mesmo tempo que seu Benigno cairá. As duas moralidades sempre devem somar 20. Algumas outras moralidades são “Valoroso e Covarde” ou ainda “Energético e Preguiçoso”.

Manter uma combinação de moralidades de determinados tipos garante um bônus especial para o personagem em determinadas ocasiões, chamados de Ideal de Cavalaria ou Ideal Religioso.

Junto com as moralidades, temos as Paixões, características como Honra, Amor, Hospitalidade, Lealdade e Ódio, que podem ser inspiradas durante um combate para trazer vantagens e maiores chances de um acerto crítico. Bom, é excelente se você acerta o teste da Paixão, mas muito perigoso se você tira uma falha crítica no dado (um resultado 20). Isso pode te levar a loucura e comprometer todos os planos.

Por falar nisso, o sistema de jogo é baseado em jogadas no D20 e os danos em D6. Para acertar um teste, você deve tirar um valor menor do que você tem na perícia ou paixão, por exemplo. Então, se você tem a perícia Oratória com valor 10 e está tentando convencer um conselho de nobres a lhe ajudar com as defesas de sua cidade, você deve rolar um D20 e tirar 10 ou menos no dado. Nesse caso, se você rolar um 10, você tem um sucesso crítico, o que melhora substancialmente suas chances de ser bem sucedido naquela negociação. No caso dos combates, um sucesso crítico aumenta os dados de dano que você rolará para ferir seu inimigo.

Já que somos cavaleiros…

Já que falamos em combate, gostei muito do sistema, que traz rolagem simultânea e vence aquele que tirar o maior resultado no teste dentro do acerto do golpe. Então, durante uma luta, ambos podem acertar o golpe, mas aquele que tira o melhor resultado acerta primeiro. Mas se você errar e o seu adversário acertar, você perde a proteção do escudo e isso pode lhe custar a vida, ou trazer algum ferimento profundo e difícil de ser curado.

King Arthur Pendragon é um jogo lindo, apaixonante. As histórias são fantásticas, as intrigas sensacionais e os combates… bem os combates são estritamente mortais!! Tenho certeza que quando você jogar Pendragon pela primeira vez, vai querer jogar meses a fio, sem intervalo. É fantástico!