O quão bom um hiato de quase dois anos foi para uma série anualizada como Assassin’s Creed? Os fãs – eu incluso – acompanharam de perto o desandar da carruagem da franquia em títulos em que a qualidade foi, em sua base, duvidosa. A saída da UTI em Syndicate (o último lançado, em 2015) não parecia ter sido o suficiente para apagar a imagem manchada que Unity deixou em 2014. Então, ao meu ver, esse descansar da série foi mais que bem vindo.

A aventura pelo Animus dessa vez nos leva de volta ao Egito antigo. Época dos faraós, Cleópatra e do imperador romano Júlio César. Uma época bem antes até mesmo de Altair – assassino que todos consideravam o pináculo da ordem. Em Origins, controlamos Bayek, um egípcio que seria o último medjay e o primeiro assassino: a partir de sua visão, presenciaremos de perto o início do Credo e o começo de tudo o que temos hoje.

Na Brasil Game Show 2017, tive a ótima oportunidade de testar uma demo (que por acaso era a mesma build da Gamescom) e, mesmo por pouco tempo, pude sentir a diferença que esses dois anos fizeram. Naveguei um pouco pela cidade que estava liberada, subi prédios, matei guardas, falhei miseravelmente no stealth e comecei uma missão da história que não pude terminar por causa do tempo. Vamos lá.

Novo combate e movimentação um pouco melhorada

Eu jogo Assassin’s Creed desde o Brotherhood, em 2010. Passei por cada título grande da franquia, jogando por dezenas de horas, conquistando todos os achievements da maioria dos títulos e experimentando a versatilidade dos mais diversos assassinos. Mesmo após o anúncio de que o sistema de combate seria totalmente revitalizado e modificado nesse novo título, ainda pensei: “bem, ainda é Assassin’s Creed. Não deve ser muito diferente”.

Nunca apanhei tanto quanto nessa demo do Origins. Fui cercado por guardadas, sendo atacado de todos os ângulos, tomando flechada na cara enquanto me embananava completamente com os botões. Parecia tudo, menos Assassin’s Creed. Depois de quase morrer duas vezes seguidas, consegui me acostumar um pouco mais com os controles: os botões de ataque agora estão nos gatilhos, há um botão de esquiva e a troca do combate corporal para o arco e flecha é incrivelmente dinâmico.

Como na demo Bayek já estava fortemente armado, vi qual era a arma mais adequada e eliminei a maior parte dos guardas, alternando entre flechas com os mais diversos ataques brutais. Foi diferente e – pasmem – inovador. Mesmo sentido que “algo estava errado”, não passava apenas de uma questão de costume: precisava esquecer tudo o que eu sabia sobre o combate na série, porque em Origins eu precisava pensar ante de agir e engatilhar meus movimentos na hora certa.

A movimentação e o parkour foram os aspectos com maior semelhança em relação aos outros jogos. Bayek se movimenta de forma rápida e fluída, e dessa vez com o simples apertar do botão A (ou X no PS4), o protagonista é capaz de escalar, pular e fazer todas as acrobacias com o que já estamos acostumados – inclusive empacar em paredes invisíveis e lugares que você não gostaria que ele pulasse.

Para ficar de olho na performance

Não é segredo que Origins está lindíssimo, e creio que será assim independente da plataforma. Porém, toda beleza pode vir com um custo e infelizmente já tenho alguma ideia de onde isso pode parar. Mesmo faltando tão pouco para o jogo lançar, ele ainda não está pronto – e ainda reforço o fato que estava jogando uma build de agosto; porém, a queda de fps em determinados momentos foi preocupante.

O jogo estava sendo rodado em um Xbox One X em 4K a 30 quadros por segundo. A maior queda de performance que pude notar foi ao entrar na água e ao andar em áreas muito populosas, com quedas consideráveis. No combate, entretanto, tudo ocorreu bem. Foram quedas pontuais que não atrapalhavam o ritmo do jogo, mas ainda sim existe uma grande interrogação flutuante sobre esse aspecto.

O Egito está lindíssimo, ótimo para explorar e com um combate renovado que pode parecer estranho aos veteranos da série. Com tudo o que joguei e vi, me sinto otimista. Assassin’s Creed Origins pode retornar com um grande triunfo e marcar a volta com tudo de uma franquia que gosto do fundo do meu coração.

Assassin’s Creed Origins será lançado no dia 27 de outubro para PS4, Xbox One e PC.