Se tem um jogo que resistiu à força do tempo, é Counter-Strike. A franquia faz um enorme sucesso desde a era dourada das lan houses com sua versão 1.6 até hoje, com Counter-Strike: Global Offensive, que anualmente tem inúmeros campeonatos acontecendo, campeonatos estes que são os responsáveis por sustentar diversos jogadores, e um deles é Arthur “prd” Resende.

Aos 24 anos, Arthur “prd” é dono de um invejável currículo, já tendo participações notáveis e até mesmo títulos mundo afora como a Razer Challenge Brasil 2015, Kode5 no Peru, Brasil e Russia e o GameGune na Espanha. Experiente, prd nos conta como é ser um jogador profissional e nos dá um panorama sobre a situação do eSport atualmente.

A Entrevista

Counter-Strike: Global Offensive

Jogazera: Para começar, quais foram seus primeiros passos para iniciar uma carreira de jogador profissional? Você teve apoio familiar, incentivo dos amigos ou foi algo mais natural?

prd: Eu conheci o CS a primeira vez por um amigo que morava no mesmo prédio, ele comentou sobre o jogo e eu fiquei curioso para saber o que era, fui até um shopping pegar uma fila de 2 horas para poder jogar com a galera que estava na lan-house, nessa época eu tinha 12 anos.

Comecei a jogar mesmo em um time da cidade em que eu moro em 2004, logo depois começamos a viajar para campeonatos menores em São Paulo e outras cidades do estado, até que me veio um convite de um time da capital e eu aceitei, fiquei nesse time até 2008 e no começo de 2009 fui chamado para um time profissional com salário mensal e viagens internacionais. Quem sempre me motivou, me ajudou e fez com que eu acreditasse que era possível ser o melhor, foi meu pai, sempre quando podia me levava para os treinos e campeonatos do interior para a capital inúmeras vezes, tive sorte de ter um pai assim!

JZ: Você entrou no seu time atual, a Dexterity, há pouco tempo. Como é o relacionamento com seus colegas e a adaptação à uma nova equipe?

prd: Entrei na Dexterity faz pouco mais de 5 meses e o relacionamento tanto com a organização tanto com os outros jogadores sempre foi muito boa e tranquila, nós temos uma transparência um com o outro que é rara em times brasileiros hoje em dia.

A adaptação foi fácil, pois já jogo CS há muitos anos e já passei por diversos times, então já sei como agir e a paciência que é preciso ter na formação de um novo time.

JZ: Principalmente fora da Europa, o Counter-Strike em alguns momentos fica em segundo plano tendo que disputar atenção com League of Legends, por exemplo. O que você acha que é necessário para tornar CS:GO ainda maior no nosso continente?

prd: Faltam principalmente mais investimentos, a Riot faz um investimento e um planejamento para os times de LoL que se quer pensamos que possa existir para o CS:GO, onde dependemos totalmente das organizações de eSports, o que não é ruim, mas certamente não é o necessário para que possamos nos dedicar integralmente ao jogo. Precisamos de mais campeonatos na América do Sul, de qualificatórios na América do Sul que nos deem no mínimo uma vaga e ajuda de custo para os campeonatos mundiais.

JZ: Sabemos que você já representou o Brasil no exterior. Em geral, como foi sua experiência com os gringos?

prd: Foi a experiência que eu esperava ter, sempre sonhei em jogar contra os gringos, o jeito que eles treinam, a forma de pensar dentro do jogo é totalmente diferente do estilo brasileiro, sempre me espelhei no jeito e na forma de jogar dos gringos, meu jeito de pensar era semelhante ao deles e por isso sempre tive meu desempenho bem elevado nos eventos internacionais.

Em geral, jogar na gringa é muito bom em todos os aspectos, quando você volta para o Brasil jogar com os times brasileiros ou sul-americanos vê uma diferença enorme!

CS GO 2

JZ: Os brasileiros no seu estilo característico “hue br” não são muito bem vistos nos jogos online. E no cenário competitivo, há algum tipo de preconceito contra o Brasil?

prd: Acredito que não exista mais preconceito no cenário competitivo, até porque o nosso “rival” no Brasil teve resultados bons em campeonatos internacionais recentemente, antigamente também já éramos respeitados no CS 1.6 por bons resultados de outros times brasileiros, sempre nos trataram com respeito lá fora.

JZ: Em 2014, o presidente do canal esportivo ESPN declarou que “eSports não são esportes”. Mais recentemente ainda, um comentarista do mesmo canal disse que se fosse forçado a comentar uma partida de eSports “pediria demissão”. Você considera eSport um esporte legítimo como futebol ou basquete? Se sim, o que falta para a comunidade geral aceitar isso?

prd: Certamente esse comentarista não acompanhou se quer um campeonato mundial ou tem noção do número de pessoas que acompanham e vivem do eSports e certamente esse comentarista não teria competência para narrar um evento de eSports, teriam que contratar alguém habituado com os jogos online e que já tenham experiência no ramo.

Concordo plenamente com o presidente da ESPN, eSport não é um esporte como os outros, por isso temos o termo eSport, esporte eletrônico onde é utilizado o mínimo esforço físico possível. Quem está nesse ramo não quer brigar para saber se o eSport é esporte como os outros ou não, só queremos que não seja considerado um simples passatempo.

Counter-Strike: Global Offensive

Infelizmente nem todos conseguem enxergar o tamanho do eSport. Para prd, os eSports têm muita coisa em comum com esportes tradicionais.

JZ: Como em toda profissão, em algum momento você terá que se aposentar como jogador profissional. Quando isso acontecer, você já tem algum plano do que fazer?

prd: Já tenho uma graduação finalizada em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e alguns cursos na área de tecnologia e informática, pretendo arrumar um emprego comum nesse ramo pois sempre gostei de estar nesse meio da tecnologia.

Arthur “prd” ainda agradece seus patrocinadores e a seu time. Os interessados podem acompanhá-lo pelo seu Facebook ou pela página de sua equipe.