O cenário de e-sports está crescendo de forma interessante e recebendo um enorme destaque no Brasil. Um cenário que expandiu bem no exterior, principalmente na Coréia do Sul, também recebe agora atenção em nosso país.

Com a popularização de grandes títulos no cenário competitivo – por exemplo: DotA, League of Legends e Starcraft II – não somente os jogos se popularizaram no país, mas também o valor da equipe que trabalha para passar esse conteúdo. Narradores, comentaristas e até mesmo analistas estão sempre presentes para passar informações ao público.

Assim como nos esportes tradicionais, o narrador tem um papel de grande importância para as transmissões destas competições.

A seguir, apresento-lhes uma breve entrevista com Bernardo Lopes, vlogger do canal Bematematica e também narrador de Starcraft II, a fim de mostrar um pouco melhor como é o trabalho do envolvidos no ambiente de narração e comentários dos e-sports.

JZ: Primeiramente, como é que se iniciou esta vontade de ser narrador? Era algo exclusivo de Starcraft, ou ja era uma ideia alimentada por outros jogos?

BL: Na verdade, a vontade foi cultivada em mim bem antes, em jogos de luta como Street Fighter e The King of Fighters, mas isso sempre ficou na vontade, uma vez que eu nunca havia parado para conhecer a cena competitiva, já que o acesso a esse conteúdo pela internet ainda não era tão comum.

O interesse em narrar Starcraft surgiu basicamente por dois motivos:

  • Starcraft é meu jogo favorito, desde o primeiro jogo da franquia.
  • O Youtube me apresentou narradores brasileiros, que no caso eram o Xuminator e o Pedroca, pois até então, eu não sabia da existência do cenário nacional e nem mesmo de narradores amadores.

Foi, então, que fiz um teste para ser narrador do antigo time Zerg Gosu Team, e depois, passei a participar da transmissão de torneios tanto como narrador, quanto como comentarista com a equipe do PedrocaTv e da RockletzTV.

zerg rush

“No meu conceito, o papel do narrador é entreter o público, não é ensinar a jogar.”

JZ: Quais são os requisitos mínimos para uma pessoa começar a narrar? Em Starcraft, quais os pontos que um narrador deve estar sempre atento?

BL: O narrador precisa, basicamente, transmitir emoção e informação. No meu conceito, o papel do narrador é entreter o público, não é ensinar a jogar, e sinto que alguns narradores acabam invadindo demais a área do comentarista, tornando-se técnico demais e esquecendo dos momentos de emoção.

É claro que a boa voz e dicção ajudam bastante, mas a ideia de que qualquer pessoa com boa voz pode narrar é errônea.

Os momentos que o narrador deve estar sempre atento são, com certeza, as batalhas e momentos em que qualquer um dos jogadores corre alto risco, já dados técnicos, acho que cabe ao comentarista.

JZ: No campo de narração de Starcraft, existem estilos muito divergentes ou busca-se uma “uniformização” do que o narrador apresenta ao público?

BL: Existe divergência sim, acho inclusive que isso é bom. Eu falei anteriormente que o narrador tem o papel de entreter o público, mas existem formas distintas de entreter.

O narrador pode ser um excelente transmissor da informação que o jogo está passando, ou ele pode simplesmente ser uma pessoa engraçada, com boas tiradas, boas opiniões, que o público também irá se divertir.

O alvo do narrador não são os jogadores, mas sim o público que assiste às partidas, e existem formas distintas, pessoais, de se atingir este público alvo.

JZ: Há uma divisão de trabalhos, por exemplo, o narrador só passa acontecimentos da partida, ou há espaço para comentar estratégias utilizadas pelos jogadores?

BL: Há espaço sim, mas eu particularmente não gosto muito do narrador tentar analisar estratégias por dois motivos:

Primeiro, porque ele não está dentro do corpo do jogador, para saber se é realmente aquilo que ele quer fazer. Eu mesmo já quebrei a cara algumas vezes por causa disso.

Segundo, que ser técnico demais deixa o jogo entediante para quem está assistindo. Acho que isso cabe ao comentarista.

Então, na minha opinião, acho que todo narrador precisa de um comentarista mais técnico, exatamente para haver essa divisão de atividades.

JZ: Atualmente, há um interesse em expandir os jogos em que você narra, ou prefere mesmo ficar só com Starcraft?

BL: Eu posso narrar Street Fighter, FIFA, NBA Live, mas para isso preciso estudar um pouquinho, e conhecer os profissionais da cena competitiva. Eu estou sondando a ideia de começar a narrar DotA 2 e Heroes of the Storm, mas por enquanto é só sondagem, nada em definitivo.


Agradeço aqui a participação do Bernardo Lopes, e aproveitando para passar uma pequena opinião pessoal, acredito que o cenário de e-sports só tende a crescer no Brasil, e que em breve teremos uma valorização ainda maior do papel das pessoas que se dedicam à trazer essa interação ao público.