Admito que não sou nenhum apaixonado por Dead Rising, tendo jogado apenas o segundo game da série. Mas apenas naquele título, sua premissa ficou bem clara: a série é fortemente inspirada nas primeiras obras clássicas dos zumbis, como A Noite dos Mortos-Vivos, mas não tenta nem um pouco ser levada a sério — tudo contribui para que o jogo pareça um filme B. É quase uma paródia.

Tivemos a oportunidade de experimentar uma demo de Dead Rising 4 durante a BGS 2016, e será que essa proposta ainda está de pé?

Assim como em Dead Rising 3, o cenário de shopping center dos dois primeiros jogos da série — outra inspiração na obra de George Romero — é substituído por uma cidade. O objetivo do game, em seu núcleo, foi intocado: ao longo de ruas, avenidas, esquinas e becos, seu objetivo será resgatar reféns e destruir, com o que tiver em mãos, hordas de zumbis.

Aliás, tais multidões devem ser ressaltadas. A quantidade de inimigos na tela é absurda, deixando qualquer musou com inveja. Os desenvolvedores não foram generosos nesse aspecto, a ponto da presença de massas de zumbis até prejudicarem um pouco o desempenho do jogo. O sacrifício, ao menos, é compensado, visto que isso realmente vende a ideia de que a cidade está tomada por um apocalipse de mortos-vivos.

Despedaçar as criaturas também permanece algo divertido, com diversas opções para esmagar crânios, decepar troncos ou queimar corpos. Os games sempre foram bem longe com o leque de opções, indo das mais ineficientes (teclados e vassouras) até as mais mortais, como serras elétricas. Além disso, algumas armas possuem habilidades especiais devastadoras, como é o caso do machado elétrico:

Pelos poderes de Greyskull!

Pelos poderes de Greyskull! (Olha a quantidade de zumbis ali no fundo!)

Desde o jogo passado, a franquia adotou um tom mais sério, provavelmente para investir na imersão do jogador com uma narrativa mais madura. Reúna isso com armas pirotécnicas e absurdas e o resultado é um produto que parece meio perdido no que quer focar. Admito, pode ser um pouco de exagero da minha parte, mas a paleta de cores escura de Dead Rising 3 pareceu contrastar até demais com a direção escrachada do jogo, que conta com armas de laser e outros armamentos doidos.

Aqui, o visual está num meio termo, corrigindo o que aconteceu de errado com o terceiro título, embora eu ainda prefira a direção de arte excessivamente colorida dos jogos anteriores. Ao trazer multidões imensas de infectados e uma grande variedade de armas (como de praxe), Dead Rising 4 não reinventa a roda, mas parece ser um título mais que decente para os donos de Xbox One e PC.