Análise – YIIK: A Postmodern RPG

O mundo já não é mais o mesmo. As coisas estão diferentes, como se algo estivesse na iminência de acontecer. A virada para o ano 2000, e o chamado Bug do Milênio que poderia trazer a ruína para milhares de computadores estava mais próximo do que nunca.

É com esse clima que YIIK: A Postmodern RPG, desenvolvida pela Ackk Studios e publicada pela Ysbyrd Games, conta uma história que vai além do mundo físico, ou mesmo dessa realidade. Imersa nos anos 90 e bebendo diretamente de fontes como Earthbound, Undertale e Persona. O jogo é uma viagem completa.

Uma beleza estranha

YIIK contém um nível impar de bizarrice, que só cresce com o decorrer da sua história. Você controla Alex, o hipster dos hipsters: ele é ruivo, usa xadrez, tem barba e óculos e ataca com um LP. Depois de retornar à cidade de Frankton, Alex encontra Semi, uma garota que estranhamente desaparece diante de seus olhos, raptada por duas entidades. Sua missão é descobrir o que aconteceu com Semi e se possível, resgatá-la.

Há uma especie de fórum de discussões, chamado de Onisim1999 onde as pessoas discutem os casos estranhos que tem acontecido na região. Para acessá-lo, você precisa de um computador com acesso à internet, e você até ouve os barulhos do modem conectando.
É bem legal pegar para ler os casos e as discussões que estão lá.

Com o decorrer da história, você irá conhecer outros personagens, que se juntam ao seu time: Michael é um estudante de artes, amigo dos tempos de infância de Alex, Vella é uma garota peculiar, misteriosa e que trabalha no arcade da cidade e também é uma das fundadoras do Onisim, Rory mora na pequena cidade de Wind Town (uma cidade estranha e deserta), próxima a a Frankton, onde investiga o desaparecimento de sua irmã, Chondra e Claudio são dois irmãos, que se juntam ao grupo mais para o final do jogo e são donos de uma rede de lojas. Cada um tem sua motivação própria, e de algum modo, tudo está ligado ao desaparecimento de Semi Pak.

Avançando no jogo, ele começa a abordar temas de metafísica e até outras realidades, que não pretendo entrar aqui para não estragar a sua experiência com YIIK, visto que por mais confusa que seja, a história é um bom atrativo aqui. Além disso, há uma INFINIDADE de referências (acho que mais que em Guacamelee ou Crossing Souls) à jogos, filmes e costumes dos anos 90.

Batalhas complexas

O sistema de batalhas trás um modelo único de ataque para cada personagem, dependendo da sua arma principal, que na maioria das vezes são ítens comuns: Alex ataca com discos de vinil e você precisa apertar o botão em determinados momentos, um deles para que você continue com o disco tocando e aumente seu combo. Michael ataca com sua câmera. Basta apertar a sequência de botões no ritmo certo. Vella usa sua guitarra, chamada de Keytar e. você precisa segurar um botão até o momento certo. Rory por outro lado, apenas protesta e defende outros personagens. Chondra ataca com seu bambolê e você precisa apertar os botões no ritmo que ele gira. Claudio possui uma kataná e um dos modelos mais simples de ataque, basta segurar e soltar o botão (parecido com Vella).

Além desses ataques, cada personagem possui diversas habilidades que também são inspiradas em jogos antigos e minigames em geral.
Esse elemento contribui para deixar o combate dinâmico e incentivar que você use outras coisas além do ataque básico.
Usar só os ataques pode deixar o jogo cansativo e os combates maçantes.

Explorando sua mente

Para evoluir Alex, você precisará acessar um lugar chamado de Mind Dungeon. Basta discar um número no telefone e pronto. Você estará dentro de sua cabeça. Apesar do nome, ela não é bem uma dungeon. É uma série de portas onde você escolhe como distribuirá os pontos disponíveis ao subir cada nível. A atividade aqui é extremamente repetitiva e em muitos outros jogos, resumida a um menu onde você escolhe como distribuir aqueles pontos.
O lado bom é que você só precisa fazer isso para Alex.
Para quebrar um pouquinho o ritmo, em alguns níveis, você desencadeará sequências de diálogo com os guardiões da Dungeon, entre eles, um corvo chamado Marlene.

Essa parte é basicamente uma versão menos elaborada da Velvet Room, de Persona. Até a música em alguns momentos pode ser familiar. Há apenas um tipo específico de inimigo que você pode encontrar na Mind Dungeon, que são as entidades, uma espécie de figuras cósmicas que podem ser banidas usando uma habilidade de Vella (e vencendo no seu respectivo mini game, é claro).

Outros problemas

Um problema grave do jogo (que deve sr corrigido com um patch em breve) está relacionado ao Dano de Alex.
Ele parece um personagem muito fraco em relação aos demais. Você precisa ser muito preciso nos combos e conseguir um combo alto para um dano médio. Michael e Vella causam muito mais dano com bem menos complexidade.

Tive também alguns probleminhas de performance. Onde algumas telas simplesmente não carregavam e resultaram em perdas de progresso de algumas horas (bem, era assim que funcionava em um RPG Antigo, é claro que precisamos de save-points e não auto-saves a cada 10 segundos).

Mais estranheza

A variedade de inimigos é tão bizarra quanto em Earthbound. você vai enfrentar ratos, algumas tartarugas com espadas, placas de trânsito, robôs, alienígenas e até alguns humanos peculiares.

O estilo de arte é um low-poly bem charmoso e colorido. A trilha sonora também é bem agradável. A música das batalhas varia bastante e alguns temas são ótimos e até o tema do mapa geral não é cansativo.

Misturando os clássicos

Mais para o final do jogo, YIIK deixa um pouco Earthbound de lado e puxa um pouco mais para o estilo de Persona. Você tem uma quantidade de dias até que a história avance, e uma liberdade total de como seguir com seu tempo. Passar com os seus amigos, explorar a cidade ou visitar a Mind Dungeon. A escolha é sua…
Agora você pode completar suas side-quests (que podem ser visualizadas como posts no Onisim), visitar lugares, derrotar monstros ou coletar itens que deixou para trás. Também é hora daquele Grind básico, afinal, todo bom JRPG tradicional tem alguns momentos.

Resumo

No final do dia YIIK é uma experiência única, complexa e um tanto quanto confusa e que bebe de diversas fontes de peso e tradicionais.
Se é o suficiente para fazer jus a todas elas ? Bem, isso vai variar um pouco de como você interpreta, entende ou se relaciona com a história dele. A jornada pode parecer confusa em alguns momentos, ou muitos deles, mas a diversidade de mecânicas diferentes de combate, estilo de música e arte agradáveis com certeza contribuem para uma das experiências mais diferentes de 2019 e dos últimos anos.

Análise: A estranha beleza de YIIK: A Postmodern RPG
História igualmente interessante e complexaEvolução na personalidade dos protagonistasMini-games contribuem para combates mais variados
Mind-Dungeon parece sub-utilizadaProblemas técnicos
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