Análise – The Surge

Com um ano cheio de lançamentos, The Surge chega de forma tímida para surpreender os fãs de RPG de ação como um dos melhores jogos do gênero lançados em 2017.

Desenvolvido pela Deck 13, mesmos criadores do Lords of the Fallen, The Surge traz a mesma premissa de beber na fonte dos jogos da franquia Dark Souls, trazendo um gameplay desafiador em que a tela de morte acaba que quase se tornando uma boa amiga.

Porém, enquanto Lords of the Fallen traz uma ambientação medieval e uma jogabilidade mais pesada, The Surge se passa em um futuro distópico que chega a até a ter uma leve pitada de terror, e uma jogabilidade mais ágil e fluida.

E há quem diga que aquecimento global é um mito

The Surge se passa num futuro não tão distante assim. Após o mundo todo acabar sofrendo por mudanças climáticas (viu, a gente tá bem próximo de algo assim) a CREO, uma empresa de robótica, aparece com a promessa de ajudar a resolver todos os problemas. Uma das principais atividades dessa empresa é a capacidade de implantar máquinas nas pessoas, e isso chama a atenção do protagonista do jogo, Warren, um cadeirante ansioso pela oportunidade de voltar a andar novamente.

Mas é óbvio que tudo dá errado. Após Warren acordar, já com o novo rig devidamente implantado, ele se vê do lado de fora de uma fábrica, onde todos os funcionários estão meio loucos e atacando tudo o que eles veem pela frente. E é ai que o jogo começa, com o nosso protagonista tentando escapar da fábrica da CREO e descobrir o que diabos está acontecendo.

Apesar da premissa da história ser bem interessante, a execução, infelizmente deixa a desejar. Com diversos audiologs para ajudar a melhorar a aprofundar a lore do jogo e outros personagens para auxiliar na sua sobrevivência, o jogo não desenvolve tão bem a narrativa ao seu potencial completo.

Não é “só mais um” jogo estilo Souls

Apesar de beber bastante da fonte de Dark Souls, The Surge traz diversas mecânicas novas para essa fórmula.

A principal mecânica que o jogo introduziu foi o fato de você poder atacar diferentes partes do corpo do inimigo, podendo assim coletar os equipamentos dele. Por exemplo: Se você focar os ataques no braço de alguém e mata-lo com uma finalização, Warren arranca o braço do seu oponente, podendo dropar o projeto da peça de armadura que ele estava usando, e até mesmo de sua arma. Assim que adquirir esse projeto, basta ir para um Ops Center e criar seu novo equipamento.

Essa mesma mecânica serve para você coletar materiais para aprimorar tanto seus equipamentos quanto sua arma.

Entretanto, caso o inimigo não tenha equipamento em alguma parte de seu corpo, essa parte receberá mais dano do que a que tem algo, então vale a pena sempre estudar bem sua estratégia de como abordar cada inimigo. Por exemplo, caso não tenha mais itens de cura e não queira morrer, vale mais a pena tirar mais dano do inimigo do que arriscar para pegar materiais.

Falando em morrer, você vai morrer em The Surge. Os designers do game fizeram questão de colocar inimigos escondidos nos cenários que vão te pegar nos momentos mais inoportunos. Eu honestamente perdi as contas das vezes em que eu entrei em um lugar novo cautelosamente e fui atacado por um inimigo pulando em cima de mim, exigindo um reflexo rápido para desviar do ataque (ou não, se assim como eu, você não tiver um reflexo lá muito bom.)

The Surge traz um combate dinâmico e estratégico, que gira em torno de dois elementos chaves: Stamina e Energia. A barra de stamina serve para você atacar, desviar, correr, defender e pular, exigindo que você mantenha sempre atenção em como essa barra está para não ficar indefeso no meio de uma luta. Já a barra de energia serve para você invocar um drone para auxiliar no combate, ou troca-la por cura e recuperação de stamina, assim como usa-la para fazer os movimentos de finalização mencionados acima.

Outra novidade que The Surge traz é a forma que o jogo aborda passar de nível. Em vez de melhorar seus status em geral, o jogo habilita apenas novos slots para seu rig. Com esses slots você pode equipar implantes, sendo que cada implante tem uma função diferente, como aumentar sua saúde, seu ganho de energia ou lhe dar mais itens de cura. Isso faz com que o jogo tenha uma maneira simples e única de lidar com builds.

Ah, outra coisa legal de citar é que existe um controle baseado nos comandos de Dark Souls, então caso você, assim como eu, já esteja acostumado a atacar com os gatilhos, se curar com o Quadrado ou X, é uma boa ideia alterar.

Chefes pouco intuitivos são o ponto fraco do jogo

The Surge é um Souls-like sci-fi, então a primeira coisa que eu pensei foi: “Imagina quantos chefes legais eles podem fazer com essa ideia!” A resposta para isso foi um tanto quanto decepcionante.

Com poucos chefes, a Deck13 decidiu pensar em uma maneira de torna-los únicos, e isso acabou sendo algo extremamente anti-intuitivo. Um exemplo é o primeiro chefe, em que você bate em uma de suas pernas, fazendo com que ele caísse e aí sim você causasse dano real nele, batendo em sua “cabeça”. Assim que o chefe levantou, repeti o processo, mas dessa vez não tirei dano nenhum do chefe. Isso porque era para eu focar na outra metade de sua carcaça.

Esse é um exemplo simples e não tão frustrante de tentativa e erro, porém, conforme você vai seguindo adiante e enfrentando outros chefes, as coisas vão mudando de figura e se tornando um jogo de adivinhação em algumas partes.

A beleza do desastre

Um dos meus medos sobre The Surge era sobre seus cenários. O jogo se passa na fábrica da CREO e por isso eu tinha um certo receio de tudo ser muito repetido. Mas a Deck13 fez um excelente trabalho com a ambientação e level design do game, fazendo com que cada setor da fábrica fosse único.

Há espaços abertos, túneis escuros e claustrofóbicos, áreas que lembram um pouco os tão amados (ironia) pântanos de veneno de Dark Souls, em que só de você pisar na área você toma dano, e há diversos atalhos ligando alguns pontos do mapa.

Uma coisa interessante do jogo é a trilha sonora dos cenários, que é tímida e simples, mas está sempre no ambiente para lembrar que você não está seguro em nenhum momento da sua experiência por CREO. Porém, as trilhas sonoras das batalhas de chefes não são tão memoráveis assim e estão lá só para ter aquela música na tão aguardada luta. Sinceramente não imagino alguém comentando com o amigo “aquela música do terceiro boss é animal demais!”.

Conclusão

The Surge chega como mais um RPG que se inspira na fórmula de Dark Souls, mas nos entrega algo muito além disso. Apesar das similaridades, a Deck13 conseguiu trazer uma identidade própria para o jogo, fazendo com que ele se tornasse uma das mais agradáveis surpresas do ano até o momento, apesar das fracas lutas de chefe e de uma trilha sonora ok.

Essa análise foi feita com uma cópia gentilmente fornecida pela assessoria de imprensa da Focus Home Interactive. O jogo foi jogado em um PS4 padrão.

Análise: The Surge
Combate ágilIdentidade própriaLevel design
Lutas de chefes pouco intuitivasTrilha sonora insossaHistória não tão bem desenvolvida
8.5Valor Total
Votação do Leitor 3 Votos
7.4