Análise – The Messenger

Desde os anos 80, a temática de ninjas e samurais esteve muito presente nos jogos. Nas primeiras gerações de consoles, esse tema tornou-se muito popular com jogos como Shadow of the Ninja, Shinobi, Strider e o famoso Ninja GaidenVemos até a temática presente em outros jogos como Alex Kidd in Shinobi World ou personagens marcantes como o ninja Gray Fox, em Metal GearDe tempos em tempos temos alguns jogos interessantes que retomam essa febre dos anos 90.

Agora, em agosto de 2018, cheio de nostalgia e com uma singela homenagem ao passado, The Messenger, desenvolvido pelo estúdio Sabotage e publicado pela Devolver Digital e disponível para PC e Switch, é um jogo para ser lembrado nos próximos anos.

Uma viagem aos clássicos

O jogo começa como um clássico dos 8 bits, e você pode ver a clara inspiração nos primeiros Ninja Gaiden, de NES. Você possui uma série limitada de ações como correr, saltar e atacar. Mas seu personagem possui uma habilidade especial, chamada de Cloudstepping. Ao atingir algo se você estiver no ar, ganhará a possibilidade de um novo salto. Essa mecânica será usada e misturada com todas as outras para descobrir os segredos ou coletar objetos em algumas salas.

Ao decorrer do jogo, você será introduzido a novos itens que dão acesso a habilidades como escalar paredes, uma roupa que funciona como uma wingsuit, com a qual você pode planar para realizar saltos mais longos ou aproveitar-se de correntes de ar para alcançar lugares mais altos e um gancho que você conseguirá fixar-se à superfícies ou tomar impulso para seções de plataforma mais complexas.

Os primeiros estágios são feitos em 8 bits, mas ao chegar na torre do tempo, você irá encontrar-se com um grupo de magos que o levarão muitos anos para o futuro, mudando a aparência do cenário, música e até dando um belo chapéu para seu personagem. Esse segundo trecho do jogo será jogado em 16 bits, com belíssimos cenários cheios de detalhes e cores, dando uma nova cara ao jogo. 

As primeiras 5 horas do jogo concluem essa seção mais linear, onde você passará estágio após estágio, ganhando novas habilidades e as combinando de novas maneiras à cada sala diferente. Você também enfrentará alguns chefões ao final de cada estágio, pois é assim que os jogos funcionam, você chega ao final da fase e derrota o chefe, mesmo que isso possa ser um mal entendido no final das contas.

Mudando o rumo e o estilo

Então, para cumprir a profecia e também por conta de um pequeno erro do mago que fica na loja de itens, você agora deve retornar aos cenários anteriores e usar seus poderes nos portais de travessia entre o passado e o futuro para explorá-los novamente e encontrar notas musicais espalhadas pelo mundo. Nesse momento o jogo torna-se um Metroidvania, você precisará usar as habilidades adquiridas para explorar cada estágio e assim, acessar novos lugares. 

Seu próximo destino é ditado pela profecia e você precisará desvendar e entender o que o profeta está dizendo para ir ao local correto, em busca de algum novo item ou da nota musical mágica. Mas, se você não quiser explorar ou decifrar o enigma, basta dar um dinheiro ao lojista e ele indicará exatamente onde você precisa ir. Então, The Messenger se estende por mais 7 ou 8 horas e torna-se um jogo mais complexo e cheio de segredos.

Aqui, se você morrer, não será punido. Uma pequena criatura chamada Quarble te salvará, em troca dos fragmentos que coletar por um tempinho. As vezes ele mostrará quantas vezes você já morreu, ou quantos fragmentos ele já coletou (para pagar as dívidas de suas mortes).

Todo mundo tem sua história para contar

O jogo também possui um toque de humor incrível. Cada NPC possui sua personalidade própria (alguns comparados à Undertale eu diria), os chefões possuem suas motivações para estarem ali. O mago que cuida da loja com certeza é o melhor personagem do jogo, ele fará comentários sobre cada cenário e sempre há novas opções de diálogo para que você faça de cada visita na loja algo memorável. 

Em todo cenário há uma história, com um fundo moral (ou não) que ele compartilha com seu herói. Há também um armário que você não pode abrir, mesmo que você insista por muitas vezes… até que…. Bem, não vou falar… deixo para que você mesmo tente, veja e se divirta como eu me diverti aqui.

Conclusão

The Messenger é um jogo que se transforma com o tempo e caminha de um gênero popular das primeiras gerações para um gênero popular na atualidade.  O trabalho gráfico retrata de uma maneira excelente as gerações de 8  e 16 bits, respeitando as suas limitações, mas trazendo um nível de charme e elegância visto em poucos jogos. Todo design de som também é feito com maestria e alguns pequenos detalhes, como a música de fundo ficar abafada nos trechos de água, só contribuem para uma experiência ainda melhor do jogador. 

A jogabilidade é leve e rápida, mas vai exigir uma certa destreza na execução das mecânicas, sobretudo para coletar os itens adicionais, escondidos nos cenários. A história também conta com muito bom humor, algumas referências e poucos momentos de quebra da quarta-parede, quando o jogo conversa com você. Recomendo fortemente que você explore cada oportunidade de diálogo com o personagem da loja, pois sempre é uma experiência interessante. 

Dito isso, The Messenger é recomendado para qualquer entusiasta do estilo Metroidvania, para os jogadores mais antigos que se divertiram ou se frustraram com a dificuldade de Ninja Gaiden, ou mesmo para qualquer interessado em jogos independentes. Ele é uma das melhores experiências indies do ano.

Análise: The Messenger é uma bela viagem ao passado com ótimos elementos de um jogo moderno
Jogabilidade rápida e fluidaOs estilos de arte em 8 e 16 bits são incríveis e reproduzem com fidelidade os jogos dos anos 80 e 90
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9.3