Análise: The Council – Episódio II: “Hide and Seek” (2018)

Com lançamento marcado para hoje, 15 de maio, finalmente pudemos conferir o aguardado segundo episódio de The Council. Com o título “Hide and Seek”, a segunda parte do jogo promete desenvolver alguns dos mistérios introduzidos no primeiro episódio, bem como colocar o protagonista, Louis de Richet, cada vez mais perto de solucionar o caso do desaparecimento de sua mãe, Sarah de Richet, líder da Golden Order.

Na análise do primeiro episódio (que você pode conferir aqui), iniciamos a discussão sobre a proposta geral de The Council, fortemente apoiada na narrativa e na possibilidade da história se moldar às escolhas do jogador, bem como detalhamos e demos nossa opinião sobre a jogabilidade e o enredo.

Nessa segunda parte da análise, iremos focar no desenvolvimento da narrativa idealizada pelo estúdio Big Bad Wolf e nas consequências das escolhas feitas ao longo do gameplay. Para isso, iremos tocar em alguns pontos centrais do enredo, então, se você ainda não jogou The Council e é totalmente contra spoilers, fique avisado. Mas não se preocupe, se estiver apenas curioso sobre o jogo e sua temática, pode ler tranquilamente, não iremos revelar nenhum grande mistério, apenas comentar passagens específicas da história para embasar nossa discussão.

Assim como feito no primeiro episódio, o capítulo II foi jogado duas vezes, sempre procurando escolher opções as mais diversas possíveis, a fim de ver como The Council se molda aos percursos escolhidos pelo jogador. Preparados? Então vamos nessa!

 

Um assassinato, muitos mistérios

Em termos de organização da narrativa, podemos dizer que o segundo episódio de The Council está dividido em dois grandes momentos. Conforme revelado ao final do primeiro episódio, ficamos sabendo do assassinato da misteriosa Elizabeth Adams, uma jovem de visual bastante exótico, coberta de tatuagens, e que, sofrendo com alguns distúrbios psicológicos, buscara refúgio e tratamento na ilha de Lorde Mortimer. O primeiro ato desse segundo episódio se concentra em torno desse crime e de suas implicações.

Dependendo das escolhas realizadas no primeiro episódio, o jogador tem a oportunidade de conhecer Elizabeth Adams um pouco mais a fundo, e fica sabendo que ela sofre seus distúrbios desde a infância, e já foi exposta a uma série de tratamentos diferentes (e inclusive pouco convencionais), para retirar de seu corpo as “energias ruins” que a afligem. É justamente graças a esses tratamentos que, quando criança, Elizabeth teve a oportunidade de conhecer Sarah, mãe do protagonista Louis.

Ao conhecer Louis, ela revela seu contato não tão bem-sucedido com Sarah no passado; a moça chega, inclusive, a culpar a mãe de Louis por parte dos sofrimentos impostos a ela com os tratamentos. Infelizmente, após o breve contato com Elizabeth, pouco coisa o jogador pode fazer para ajudá-la, já que, ao final do primeiro episódio, somos informados de sua morte. Se você tiver optado por conversar com Elizabeth no quarto dela, na noite anterior, será, inclusive, acusado como principal suspeito por assassiná-la.

E é aqui que The Council dá a primeira derrapada. Nos dois saves do primeiro episódio, terminamos de maneira bem opostas: em um deles fomos acusados pelo assassinato de Elizabeth e, no outro, convidados a finalmente conhecer Lorde Mortimer, dono da ilha. Esperávamos que o jogo fosse tomar caminhos bem distintos a partir disso no segundo episódio, mas não é isso que acontece.

Caso você seja acusado pela morte de Elizabeth, será conduzido para conhecer Lorde Mortimer da mesma forma e poderá explicar rapidamente que tudo não passou de um mal-entendido e que você não é o assassino. Ele acreditará em você e ainda pedirá que você investigue o caso (sim, simples assim). Caso você não tenha sido apontado como suspeito, ele pedirá que você investigue o crime da mesma forma, e dessa parte em diante, até o final do episódio, o jogo seguirá completamente igual, independentemente de como você escolheu se comportar no episódio anterior. Para um jogo que prometeu que todas as escolhas seriam importantes, ficamos com a sensação de que o segundo episódio deixou a desejar nesse sentido, mas ainda não sabemos se essas opções irão se refletir mais a frente, nos episódios futuros, então, por ora, daremos um voto de confiança e esperaremos para ver o que ainda vem pela frente.

Após a conversa com Lorde Mortimer, somos finalmente introduzidos à cena do crime e o gameplay se ajusta aos moldes clássicos de jogos point-and-click, com o jogador livre para explorar o cenário e procurar por pistas que podem levar ao assassino. Após concluir sua investigação, você é conduzido mais uma vez à presença de Mortimer e tem a oportunidade de apresentar suas conclusões e acusar (ou não) alguém pelo assassinato de Elizabeth.

 

Por onde andará Sarah de Richet?

Após essa conversa com o anfitrião da ilha, o assunto da morte de Elizabeth é deixado de lado e você finalmente pode se dedicar ao motivo principal de ter ido até o local, que é desvendar o mistério do desaparecimento de sua mãe, Sarah. Lorde Mortimer revela mais algumas informações sobre o comportamento de Sarah nos dias antes de seu sumiço e libera acesso a uma sala em que a misteriosa senhora costumava se recolher para descansar. Nessa sala se inicia a segunda (e mais interessante) parte da investigação, com a necessidade de localizar e decifrar códigos espalhados nas pinturas, livros e mobília presentes no cômodo.

São nesses momentos que The Council revela sua grandeza, com enigmas bem elaborados, todos baseados em documentos reais, sejam eles livros, passagens históricas ou obras de arte, que instigam o jogador a procurar sua solução, ao mesmo tempo que o envolvem na narrativa e te deixam com vontade de continuar jogando e decifrar o próximo código.

Graças a essas investigações, conseguimos acessar o estúdio secreto de Lorde Mortimer e descobrir um pouco mais sobre o excêntrico dono da ilha – e, aparentemente, essa figura ainda vai render muitas surpresas. É nesse estúdio que encontramos a pista definitiva que possivelmente indicará o paradeiro de Sarah de Richet. Nesse local também conhecemos Waldo, o simpático pássaro de Lorde Mortimer. Cuidado com a forma que decidir tratá-lo, pois as consequências podem ser nefastas!

Após encontrarmos a pista mais recente, vamos ao jardim da mansão, local onde se passa o último ato desse episódio. É claro que nada será descoberto facilmente, então, mais uma vez, nos deparamos com uma série de enigmas, distribuídos ao longo de um labirinto que faz menção direta ao mito grego do labirinto do minotauro. Após resolver o enigma, finalmente o jogador tem acesso ao local onde supostamente Sarah estaria se escondendo, mas o que encontramos lá não é nada daquilo que estávamos esperando – e, mais uma vez, as consequências dessa descoberta ficarão em suspenso, até a chegada do terceiro episódio.

 

O novo não tão novo assim

The Council se apresentou como um sopro de novidade no nicho dos jogos narrativos, com um gameplay no qual as escolhas dos jogadores realmente fariam a diferença. Achamos o primeiro episódio promissor, mas não há como dizer que o segundo episódio atendeu totalmente às expectativas – porque não foi esse o caso.

Pelo menos nessa parte específica da história, vimos o gameplay seguir o mesmo modelo já amplamente utilizado nos jogos da Telltale Games, por exemplo, com mudanças sutis nos dois saves jogados, mas com o grande eixo central da narrativa permanecendo o mesmo, independentemente das escolhas feitas.

Sabemos que ainda estamos apenas na segunda parte de uma obra que terá cinco episódios ao todo, então preferimos acreditar que o segundo episódio traz um momento de calmaria, para melhor desenvolver os mistérios introduzidos no primeiro episódio, e deixa para trabalhar mais a fundo todas as consequências das ações do jogador nas partes que ainda estão por vir. Veremos.

Ressalvas à parte, The Council continua sendo uma experiência extremamente interessante e instigante para os fãs de puzzles, enigmas e histórias de detetive, sem contar o riquíssimo background histórico que perpassa toda a ambientação e construção dos personagens, baseados na cultura e nos costumes da época retratada, pré-Revolução Francesa. Ficamos na expectativa para o próximo episódio e nas surpresas que o protagonista Louis de Richet ainda encontrará enquanto busca descobrir o paradeiro de sua mãe.

The Council está disponível para PS4, Xbox One e PC. Confira mais informações sobre o jogo no site oficial, aqui.

 

A análise foi feita com base na versão para PS4, gentilmente cedida pela Focus Home Interactive.