O gênero de jogos de luta já possui grandes títulos com uma base de fãs extremamente sólida, e que se dividem por suas diferentes características de jogo.

Enquanto alguns jogadores preferem Street Fighter, outros já gostam mais de Tekken – entre outros diversos títulos decidindo, de acordo com seus gostos, qual jogo de luta apetece mais suas características de combate.

Em meio aos grandes títulos, recebemos em meados de 2012, um novo título chamado Skullgirls. No entanto, após algumas atualizações, o título do jogo foi alterado com adições de personagens para Skullgirls Encore – disponível em fevereiro deste ano.

Produzido pela Lab Zero Games e distribuído pela Autumn Games, Skullgirls Encore traz o melhor da ação em 2D, com personagens carismáticos, história rápida e divertida e um combate de que associa estilos de jogo que alcançam tanto jogadores de campeonatos, quanto jogadores mais casuais.

Disponível para PS3, Xbox 360 e PC, este jogo independente concorre ao mesmo nível de grandes títulos do cenário de luta que temos atualmente.

Confira abaixo a análise completa de Skullgirls Encore.


Enredo & Gameplay

A história gira em torno de uma maldição conhecida como Skull Heart.

Criado pelas deusas da Trindade, com o objetivo de destruir o mundo – por causas ainda desconhecidas – o Skull Heart tem o poder de realizar qualquer desejo, corrompendo o coração da pessoa no processo, e dando origem à uma Skullgirl.

Toda a trama do jogo gira em torno da existência do Skull Heart, entre times que desejam quebrar o ciclo e destruir o coração de uma vez por todas, enquanto outras pessoas desejam pagar por seus erros passados, e alguns até mesmo desejam manter e manipular onde o Skull Heart irá parar, de modo a completar o fim do mundo.

Cada personagem possui sua linha do tempo, seus próprios objetivos e suas personalidades – mas todas as historias se entrelaçam no objetivo de parar a atual Skullgirl e a partir daí, tomar ou destruir o Skull Heart.

Enquanto o jogo se divide em diversos modos de jogo, tudo que é pertinente aos personagens e seus objetivos se encontra no Story Mode. Ao todo, são 10 personagens, sendo 2 destes disponíveis por DLC. O jogo ainda promete trazer mais 3 personagens novos por DLC em um futuro breve.

Ao passar o modo história do jogo com um personagem, o jogador pode associar qual a postura do personagem em relação ao Skull Heart, qual o passado que trouxe o personagem até o ponto dos ataques da Skullgirl e assistir o desfecho da história pelo ponto de vista do personagem escolhido.

A história do jogo ainda se divide entre alguns grupos que rivalizam entre si, sendo estes a Máfia Medici e seus inimigos, o grupo Anti-Skullgirl que rivaliza diretamente com pessoas a favor do Skull Heart – e consequentemente do surgimento de Skullgirls – e personagens que estariam fora da historia, mas eventos envolvendo o coração trouxeram-os mais próximos do cenário.

Skullgirls Encore tem sua mecânica bem semelhante aos antigos jogos de Marvel vs. Capcom, onde há formação de times de 2 ou 3 personagens que alternam entre si nas batalhas, com grandes especiais que ocupam boa parte da tela e sequências de combos rápidos e matematicamente cronometrados.

Enquanto um jogador iniciante no gênero de luta pode se sair bem com algum esforço e apertar de botões no modo história, para tornar-se realmente bom no jogo, é necessário um domínio do tempo de cada ataque e habilidade nos comandos para encaixar – numa ordem favorável – o máximo de golpes que mantenham o oponente preso ao seu combo de ataques.

Dividido em diversos níveis de dificuldade, Skullgirls tem bagagem para agradar desde o jogador de lutas casual, que só procura um pouco de diversão até mesmo o jogador voltado aos campeonatos, especialista em combos e que deseja masterizar suas habilidades com algum personagem específico – ou quem sabe, com todos eles, se houver tempo e dedicação ao aprendizado.

Cada personagem possui um estilo de luta diferente, com técnicas e habilidades que alteram o modo de se posicionar durante uma luta. Enquanto alguns se saem melhor distanciados do oponente, outros são capazes de causar um grande estrago se próximos ao inimigo. Enquanto o sistema de combos está presente no kit de ataques de todos os personagens, cabe ao jogador aprender qual ataque encaixa melhor seguido do outro e desenvolver um instinto de luta bom o suficiente para acrescentar especiais em seus combos.

As possibilidades e posturas de combate são vastas, e torna o jogo muito mais dinâmico, seja em uma experiência de um jogador, dois jogadores ou até mesmo no modo online.


Quesitos técnicos

Gráficos

A arte de Skullgirls é excepcional, e totalmente feita à mão e aperfeiçoada com algumas técnicas de iluminação 3D.

Os personagens possuem muitos detalhes, e em alguns casos, até apresentam referências à cultura pop em que estamos inseridos.

Características que vão do Cartoon até os Animes, há uma sincronia muito boa entre os movimentos do personagem e seu design visual, onde tamanho do sprite e sua hitbox (que é basicamente o espaço delimitado para um personagem receber um ataque) ficaram muito bem colocados, personagens menores tem um alcance menor e personagens maiores tem mais espaço para receber ataques.

A movimentação é fluida, muito bem animada e ficou rica em detalhes, onde por exemplo, quando Ms. Fortune utiliza o golpe de arremessar sua cabeça, sua cabeça permanece no chão e pode ser atacada por oponentes para causar dano na personagem – diferente de outros jogos, onde se tornaria um objeto intangível, apenas para que a personagem buscasse sua cabeça de volta.

Os cenários são muito bem desenhados e se espalham por todo o universo de Skullgirls – desde paisagens calmas, urbanas até cenários destruídos, resultados dos acontecimentos da história do jogo.

A igreja da Trindade - um dos cenários do jogo.

A igreja da Trindade – um dos cenários do jogo.

Áudio

Ok, pare um pouco do que estiver fazendo e tire 6 minutinhos para escutar o áudio logo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=cbmUDoxD3b8

A trilha sonora de Skullgirls contém trabalhos feitos por Brenton Kossak, Blaine McGurty (Retro Remix Review), Vincent Diamante (Flower) e nada mais, nada menos que Michiru Yamane – responsável por Castlevania: Symphony of the Night, Suikoden III e IV.

A trilha sonora do jogo beira a perfeição, com temas empolgantes e que ambientam muito bem cada luta. Não há sensação de monotonia em batalhas, principalmente porque os personagens possuem muitos diálogos e o narrador sempre traz bom humor em suas aparições.

Um único complemento, que tornaria a história mais interessante, seria a narração da voz dos personagens durante os diálogos.

No entanto, se tratarmos dos menus e batalhas, não há momento algum que os ouvidos dos jogadores deixem de ser agraciados com uma trilha sonora excepcional.

A soundtrack original do jogo encontra-se à venda em diversas lojas de mídia digital por $9.99.

Multiplayer Online

Skullgirls Encore vêm com a opção de combates locais e online. Enquanto os combates locais são feitos à moda antiga, são as opções online que realmente fazem a diferença. Como alguns outros jogos de luta, o jogador pode procurar partidas ranqueadas para subir em uma colocação e enfrentar oponentes ao seu nível. Infelizmente, quando tratamos de experiência online, não pode-se deixar de referenciar os problemas de conexão e delay que devem ser superados nestes modos.

Como no modo arcade, ao entrar em combates online o jogador pode escolher entre 1 personagem super-forte, 2 personagens levemente-fortes ou 3 personagens com atributos normais. Cabe ao jogador decidir em sua estratégia de jogo qual formação encaixa melhor em suas qualidades. Encontrar partidas na região da América do Sul, atualmente, é um pouco difícil, mas o jogo traz um sistema de delay que sincroniza grandes latências para que a sensação de lag seja amenizada.

Demais funcionalidades

O jogo traz também uma galeria de arte espetacular, com artes de convidados, cenários, rascunhos de personagens, pôsteres com referências e muito mais. É uma adição interessante ao jogo, e até um pouco diferente dos demais jogos de luta, onde o jogador habilita artes que não acrescentam muito aos detalhes do jogo.

Skullgirls Encore traz, em seu modo treinamento, algumas lições para jogadores iniciantes e também treinamentos de combos para jogadores avançados, com tutoriais de manuseio para cada personagem.

A grande magia por trás do tutorial de Skullgirls é que, nos demais jogos de luta, o jogador muitas vezes se encontra perdido dentro das mecânicas.

Pois diferente de demais gêneros de jogos, os jogos de luta já colocam o jogador com todas as funções e habilidades do jogo desbloqueadas.

Justamente por não haver essa progressão no gênero que o tutorial de Skullgirls se mostra de grande auxílio, pois em suas lições traz da mecânica básica, até alguns conceitos que jogadores avançados possuem em seus combos, cancelamentos, entre outras funcionalidades.

E finalmente, um modo de jogo chamado Marie 300%, onde os jogadores são desafiados a enfrentar o chefe final do jogo – Marie – com atributos astronômicos, em que apenas com grande habilidade e domínio de combos seria possível vencer este desafio. Aparentemente, aqueles que vencerem Marie 300% têm a galeria – por completo – desbloqueada em seus jogos.

Vale ressaltar também que, após a IndieGoGo, os criadores prometeram novos personagens que serão liberados gratuitamente por tempo limitado – ou seja, aqueles que já possuírem Skullgirls Encore receberão de graça os novos personagens.

Um dos personagens gratuitos já está disponível, enquanto Squigly é a unica personagem paga do jogo, cada um trazendo cenários, artes e golpes diferentes – carregados por suas próprias histórias.

Outros três personagens estão por vir gratuitamente ao longo do tempo.

Conclusão

A magia de Skullgirls Encore está nos detalhes. Para alguns, pode ser apenas um jogo de luta em 2D, como qualquer outro. Mas dada a devida atenção, notam-se diversas referências, um sistema de luta sólido e uma história cativante e misteriosa. Em alguns momentos, é possível até mesmo esquecer que trata-se de um jogo independente. Com a sensação clássica dos arcades, seis botões para atacar vão causar grandes doses de nostalgia aos que vivenciaram os bons tempos de fliperama. Skullgirls Encore é, no final das contas, um título de enorme potencial e que agracia o jogador com diversão, um visual maravilhoso e um áudio impecável. O sucesso do jogo é refletido na internet, com os diversos memes e arte de fãs que podem ser encontrados pela web. Skullgirls Encore Review