Análise – Pokémon Sword & Shield

Quando Pokémon Sword & Shield foram anunciados, a expectativa de ver a franquia principal estreando no Nintendo Switch era imensa. Tão grande quanto as chances de gerar uma frustração em muitos fãs da franquia.

Pokémon sempre teve uma base de fãs complicada. Divididos entre o amor e o ódio, os assíduos treinadores Pokémon costumam se decepcionar fácil e qualquer ponto fora da curva pode ser tratado como um problema.

Não foi diferente com Sword & Shield.

Independentemente das expectativas, com um pré-lançamento conturbado, anúncios polêmicos e pouquíssima divulgação ou trailers, os novos games chegaram. E, para a surpresa de muitos, não são nem de perto a decepção esperada. Pokémon está agora, finalmente, no Nintendo Switch, com um título de peso. E começou com o pé direito.

Temos que pegar… quase todos!

A principal polêmica, que acompanhou lado-a-lado as revelações acerca de Sword & Shield, foi a notícia de que os novos games não contariam com a National Dex. Tradicionalmente vista nos games anteriores – com exceção de Ruby & Saphire, que não continham todos os Pokémon -, a Pokédex “completona” era obtida, normalmente, no final da jornada e possibilitava ao jogador transferir seus antigos monstrinhos e/ou capturá-los in-game.

Pela primeira vez, em muito tempo, a Dex não estaria completa no fim do jogo. Mas, cá entre nós? Esta foi uma das novidades que mais me motivaram a explorar o jogo. Saber que não teríamos todos os Pokémon presentes me fez questionar quem estaria de fora e quem estaria disponível nas florestas e rotas do game. Isso sem contar o grande impacto no cenário competitivo – visto que alguns monstros de bolso, tradicionalmente usados nos campeonatos, não estão mais disponíveis. Pois é… os treinadores agora precisam se coçar um pouquinhos e se reciclar. Faz parte, campeão.

Apesar do grande foco nas queixas em relação aos Pokémon antigos, um dos grandes destaques de Sword & Shield fica exatamente por conta dos novos monstrinhos da região de Galar. Com design criativo em sua maioria, habilidades e métodos curiosíssimos de evolução, os estreantes não deixam NADA a desejar. Achei extremamente divertido descobrir, evoluir e capturar cada um dos novos Pokémon de Galar.

O que? Pokémon está evoluindo!

Deixando as polêmicas de lado, Pokémom S&S abraçam seu público de forma calorosa com suas novidades – e com o resgate de ideias incríveis do passado, agora melhoradas.

A Game Freak não poupou esforços para trabalhar em uma gameplay fluida e com pequenos detalhes, que fazem da jogatina algo muito mais agradável. O retorno da bicicleta foi muito bem-vindo e a sacada dela ser adaptável, podendo entrar na água se tornando uma espécie de pedalinho, é incrível. E o melhor: você não precisa apertar nada. É, isso mesmo. Sem botãozinho para invocar montaria, sem HM para surfar ou qualquer outra frescura. É intuitivo e fim.

A personalização de personagem, inovação que fora implementada em Pokémon XY e continuou em Sun & Moon, agora voltou com tudo. São dezenas de opções em cada uma das lojas de roupas e é difícil criar um personagem muito parecido com o do seu amigo – com a única exceção sendo as opções de corte de cabelo, que não são tão vastas, ao menos se você estiver jogando com um protagonista masculino.

Ainda em termos de mecânica, Sword & Shield aproveitaram muito bem a ideia de Pokémon Let’s Go Pikachu & Eevee, mantendo os Pokémon que aparecem, em tamanho real, nas rotas do mapa. A variação de Pokémon “em carne e osso” e os que surgem ocultos na grama traz um clímax interessante, deixando todo o sistema de captura muito atraente – além de difícil. Fora isso, Sword & Shield trouxeram de volta a movimentação cautelosa que marcou o sistema de captura em Pokémon Omega Ruby & Alpha Saphire, o que ajuda ainda mais a lidar com os Pokémon em tamanho real, que notam com mais dificuldade a sua presença.

E por fim, temos as transformações Dynamax e Gigantamax. A Game Freak optou por deixar para trás a Mega-Evolução e os Z-Moves, outrora implementados na franquia, e deram lugar as formas gigantes, que dão todo um ar de Godzilla (ou Megazords de Power Rangers?) às batalhas Pokémon. Dynamax seria a transformação padrão, em que seu Pokémon fica gigante (e mais poderoso) quando a barra de energia está totalmente carregada, enquanto a Gigantamax é uma versão mais rara e poderosa, que nem todo Pokémon possui. Tal como as antigas Mega-Evoluções, a Gigantamax altera a aparência de alguns Pokémon e carrega um tanto mais de criatividade do que a versão gigante padrão – e ao meu ver todas deveriam ser assim. Faltou vontade? Sobrou preguiça? Vai saber, né Dona Game Freak? Apesar disso hoje só consigo achar extremamente divertido – e até visualmente impressionante – toda vez que utilizo as formas gigantes de meus monstrinhos.

Welcome to the jungle, baby

O grande trunfo de Pokémon Sword & Shield fica por conta de um simples nome: a Wild Area. A maior das novidades dos novos games é também o motivo de podermos acreditar que a franquia dará grandes passos no futuro.

Mas do que se trata?

A Wild Area é um espaço que corta quase todo o mapa de Galar, com Pokémon selvagens, treinadores e jogadores reais – se você optar por jogar online. A área é repleta de monstrinhos que você não encontra nas rotas principais do game, além de ser o local onde são realizadas as Raids – novidade totalmente inspirada no fenômeno Pokémon Go. As Raids são batalhas contra Pokémon Dynamax e, com menos frequência, os Gigantamax. Mas isso possui um agravante considerável: nas Raids você consegue se unir aos seus amigos. Montando um time com até quatro treinadores, você e seus parceiros enfrentam esses “chefões” da Wild Área, afim de conseguir capturar os mais poderosos Pokémon do game.

A possibilidade de encontrar amigos, e até mesmo outros jogadores desconhecidos, é a coisa “mais Pokémon” que os novos games poderiam apresentar. Toda a filosofia de interação, amizade e conexão que Pokémon sempre pregou vem com força na Wild Area.

É uma pena que a quantidade grande de jogadores cause uma certa instabilidade no servidor e algumas funções do game sofram ainda para funcionar plenamente. Nada que não possa ser corrigido – se os desenvolvedores escutarem um pouco o feedback da comunidade, coisa que eles não costumam fazer. Mas mantenho a fé.

E vale a nota: Poder girar a câmera na Wild Área é incrível. Uma pena que a função não esteja livre para as cidades e demais pontos do mapa.

Os melhores jogos de Pokémon já feitos?

Calma. Também não é assim.

Eu acho.

Pokémon Sword & Shield são um grande passo para a franquia. Apesar de não se aprofundar em uma grande história, toda a campanha é rodeada de personagens carismáticos e um clima de desafio que há muito não era visto em Pokémon. Os games trazem uma experiência (quase) completa, com gráficos bonitos, personalização de personagem, nostalgia e uma trilha sonora digna de prêmio – a participação de Toby Fox, criador de Undertale, é um baita diferencial.

Deixando de lado os pequenos problemas e as frustrações e reclamações, muitas delas um tanto quanto descabidas, a Game Freak entregou aqueles que são, muito provavelmente, dois dos melhores títulos da franquia e, facilmente, o melhor Pokémon da década.

A jornada vale a pena e é absolutamente imperdível para qualquer fã da série, seja você um veterano ou um novato. Tire as pokébolas da gaveta, vista seu melhor tênis, vire o boné para trás e se prepare. A região de Galar não irá te decepcionar. Isso você pode ter certeza.

Esta análise foi realizada com base na versão Pokémon Sword, gentilmente cedida pela distribuidora.

Os jogos estão disponíveis na Loja Nintendo.

 

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