Análise: One Piece World Seeker

Todo fã de animes e games já sabe que, por mais que suas séries favoritas ganhem adaptações para os jogos, ou eles serão musous genéricos, ou serão jogos de luta em arenas 3D pouco inspirados. Felizmente, a Bandai Namco resolveu investir em outros estilos de games e, com o sucesso de Dragon Ball FighterZ, é chegada a hora de Luffy e seus companheiros ganharem uma nova e merecida chance.

Desenvolvido pela Ganbarion, os Chapéus de Palha retornam no mundo aberto de One Piece World Seeker. Com uma história escrita pelo próprio criador do mangá, Eiichiro Oda, o novo game deixou os fãs com grandes esperanças. Mas será que World Seeker faz jus ao legado de One Piece? Vamos por partes.

Eu serei o rei dos piratas!

Situado em uma ilha conhecida como Ilha Prisão, a história de World Seeker segue a mesma fórmula de vários arcos do mangá. Luffy e cia são ajudados por Jeanne, após a cena de abertura do game, e resolvem auxiliar a garota a solucionar os problemas da ilha.

Alguns anos antes, o local era conhecido como Ilha Joia devido as suas minas de pedras preciosas, minas essas que começaram a atrair piratas em busca de riquezas. Depois de muitos ataques, a Marinha enfim interveio e construiu três prisões na ilha com o intuito de acabar com a ameaça pirata.

Se você conhece One Piece já sabe que nem sempre a Marinha tem as melhores intenções. Liderados por Isaac, a ilha passou a ser governada por mãos de ferro e sua população acabou se dividindo em duas facções, os pró e os anti-marinha.

Essa é apenas a base da história do jogo, e revelar mais do que isso seria considerado spoiler, porém, só por esse pequeno resumo, já é possível sentir a influência de Eiichiro Oda na narrativa. Simples, porém bem emotiva e com algumas mensagens bem fortes, toda a trama apresentada em World Seeker poderia muito bem ser um dos ótimos arcos de história do mangá.

As sidequests cumprem bem o seu papel e acrescentam novas camadas à narrativa, além de trazer personagens conhecidos da franquia para o jogo. Crocodile, Buggy e diversos outros personagens aparecem durante as missões principais e secundárias, mas, apesar de suas presenças até serem justificadas, no fim eles são apenas coadjuvantes de luxo.

Apesar da excelente dublagem japonesa, que conta com as mesmas vozes do anime, o jogo peca por usá-las apenas em cutscenes, deixando todos os outros diálogos sem voz.

Gomugomu no…!

Se na questão do enredo o jogo basicamente não tem problemas, infelizmente na parte da jogabilidade essa excelência não se repete.

One Piece World Seeker deixa o resto da tripulação do Thousand Sunny no banco de reservas e encarrega Luffy de ser o grande protagonista do jogo. Decisão acertada na minha opinião, principalmente por se tratar de um mundo aberto, onde criar maneiras de locomoção práticas para todos eles seria bem difícil.

O mapa do jogo é grande e diverso, minúsculo se comparado a jogos como os da Bethesda ou Rockstar, mas grande o suficiente para a proposta do game.

No início é um tanto quanto sofrido se locomover pela ilha, já que a Gomugomu no Rocket é uma habilidade essencial para se movimentar livremente e começa travada na árvore de habilidades do jogo. Outra escolha bem estranha é a demora absurda para abrir os baús de tesouro (os colecionáveis do game) mas, adivinha só: basta comprar umas habilidades e o tempo caí pela metade. Estranho.

O combate é outro ponto negativo do jogo. Não chega a ser de todo ruim, até é divertido e conta com diversas habilidades famosas do nosso querido Luffy, como as Gomugomu no Gatling Gomugomu no Bazooka, mas não há motivos para usá-las, já que apertar o mesmo botão de ataque já resolve a situação. Infelizmente, nem as batalhas contra chefes escapam desse problema.

World Seeker também tenta acrescentar uma camada de stealth, permitindo que o jogador se esconda em barris e passe despercebido por guardas, mas pra quê? Não há qualquer vantagem em fazer isso e, caso você simplesmente não queira lutar, basta usar os membros elásticos do protagonista para fugir dos inimigos rapidamente.

Infelizmente, as missões do jogo são muito simples e repetitivas, e seguem o já conhecido padrão “pegue esses itens”, “encontre essa pessoa” e “bata nessa galera”.

Conclusão

One Piece World Seeker é um jogo muito bonito que conta com uma boa história, mas que infelizmente não consegue transportar esse capricho para suas missões e combate.

Como um grande fã de One Piece, admito que esse ainda não é o jogo que os Chapéus de Palha merecem. Porém, um grande passo foi dado, e espero que em um possível World Seeker 2 tenhamos enfim um jogo que faça pelos animes aquilo que Arkham fez pelas HQs.

One Piece World Seeker já está disponível em versões para PlayStation 4, Xbox One e PC, localizado com legendas e menus em português.

A análise foi realizada com base na versão digital de PlayStation 4 cedida gentilmente pela distribuidora.
Análise: One Piece World Seeker é um novo começo para Luffy nos games
História digna do mangáMundo aberto diverso
Combate sem profundidadeMissões sem variedade
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