Apesar de trazer diversas inspirações da série Souls, Lords of the Fallen possui elementos únicos e é uma grande pedida para jogadores que procuram um desafio.

Desenvolvido em colaboração entre a Deck13 Interactive e CI Games e distribuído pela Bandai Namco Games, Lords of the Fallen é um jogo de Action-RPG de mundo aberto focado em um combate estratégico, lançado dia 28 de Outubro de 2014 para PlayStation 4, Xbox One e PC.

O jogo foi anunciado oficialmente dia 20 de Agosto de 2013 e, conforme o tempo foi passando e vídeos de gameplay foram sendo revelados, comparações começaram a ser feitas entre Lords of the Fallen e os jogos da série Dark Souls, graças a abordagem que o jogo tem em seu combate e nas penalidades para as mortes.

Apesar das comparações, pouco sabia-se sobre o que esperar do jogo até seu lançamento. A mídia internacional deu notas interessantes para o jogo, que recebeu um Metacritic de 69/100.

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Agradeço à BuyGames pela cópia do jogo cedida para essa análise.

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Um pecador em busca de redenção

Lords of the Fallen se passa em um mundo onde o pecado não é facilmente perdoado. Nós jogamos na pele de Harkyn, um condenado que tem marcado em seu rosto todos os pecados que já cometeu e para redimir-se é retirado de seu confinamento por Kaslo, mentor e responsável por guia-lo em sua jornada, para enfrentar um exército de deuses que invadiram o reino dos humanos.

Nossa missão é acabar com os Rhogar, demônios que vivem em outra dimensão e que são comandados por Adyr, Deus dos demônios e consequentemente responsável por espalhar a maldade entre os humanos. Eventualmente nós somos apresentados a Antanas, principal líder dos humanos e única pessoa capaz de retirar essa maldade dos humanos e que nos pede para derrotar o Deus dos demônios de uma vez por todas.

Lords-of-the-Fallen-Screenshot[quote align=’right’]Harkyn é um condenado que busca redenção dos pecados marcados em seu rosto[/quote]

Nós encontramos diversos NPCs no meio do caminho e podemos escolher ajuda-los ou não, entretanto todos esses NPCs parecem estar lá apenas para contar uma história secundária à do jogo, pois mesmo eles oferecendo quests secundárias, serão raras as vezes que desviar do seu caminho valerá a pena.Resumindo: Nós temos que matar todos os demônios que cruzem nosso caminho tanto no reino dos humanos quanto no reino dos demônios e assim trazer a redenção tão esperada por Harkyn.Lords of the Fallen conta toda essa história por meio de diálogos diretos e CGs, uma forma muito mais direta do que a usada nos jogos da série Souls, onde é necessário pesquisar a lore de itens e de cada NPC do jogo para conseguir compreender bem tudo o que está acontecendo.

Gameplay que bebe na essência de Dark Souls

Lords of the Fallen é um jogo que bebe na essência de Dark Souls, com combate baseado no gerenciamento de energia e alta dificuldade dos inimigos. Então quem é familiarizado com o sistema de gameplay adotado em Dark Souls vai se sentir em casa.

Assim como Souls, há classes em Lords of the Fallen, entretanto não são elas quem determinam o seu estilo de jogo, e sim como você decidir seguir durante o jogo e os equipamentos que preferir usar. Você pode começar como um clérigo, mas colocar pontos em força e terminar o jogo usando uma espada de duas mãos.

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Cada ação de Harkyn gasta um pouco de energia, similar a como Stamina funciona na série Souls. Ou seja, você precisa ter sempre um olho atento à essa barra, pois atacar, rolar, defender, correr e pular gastam energia. Além disso temos magias, e uma barra de “Mana”, que é gasta toda vez que usamos uma magia. Cada classe tem magias diferentes, sendo essa a única diferença e motivo que eu recomendo você decidir qual classe começará a jogar. Essas magias auxiliam muito no gameplay geral do jogo e mesmo eu, jogando como guerreiro, me vi usando-as diversas vezes.É possível defender a ataques com escudo, usar esse escudo para dar parry e deixar o inimigo aberto para um dano crítico frontal, usar ataques normais, ataques fortes, equipar armas com duas mãos ou usar uma arma em cada mão, tudo depende do seu estilo.

Lords of the Fallen não tem arco e flecha, então caso você seja aquele cara que gosta de brincar de Legolas nos jogos acabará sentindo falta disso. Mas temos uma Manopla (Gauntlet). Ela tem três diferentes modos, uma explosão a curta distância, um raio de energia e uma espécie de granada. Cada vez que usar um de seus ataques, um pouco da sua barra de magia será gasta.

Lords-of-the-Fallen-Screenshot-3[quote align=’right’]Para se dar bem no combate é necessário torcer para que a câmera do jogo não decida te atrapalhar[/quote]

Para se dar bem no combate é necessário duas coisas: aprender o padrão do inimigo e atacar quando houver uma abertura e torcer para que a câmera do jogo não decida atrapalhar, pois infelizmente em diversos momentos a câmera parece não ajudar, bloqueando a visão dos inimigos na tela. Apesar de ser um problema relativamente bobo, pode acabar acarretando em algumas mortes desnecessárias.Há diversos equipamentos no jogo e eles podem ou não ter slots para que adicionemos runas. Essas runas tem diversos efeitos caso equipados em diferentes equipamentos. Por exemplo: a runa de fogo pode aumentar seu dano de fogo, caso acoplada em uma arma, aumentar sua defesa contra fogo, caso equipado em sua armadura, ou aumentar o bloqueio de fogo, caso equipado em seu escudo. As runas podem ser trocadas livremente, então não se preocupe caso equipe uma runa e pense “mas se eu encontrar uma melhor?”

Durante a jornada de Harkyn encontraremos checkpoints, eles são os responsáveis por salvar o jogo automaticamente após cada interação, então não saia do jogo sem antes interagir com um. Esses checkpoints são pedras vermelhas que permitem, além de salvar o jogo, recuperar poções e a vida do personagem e gastar a XP acumulada. Uma novidade que Lords of the Fallen trouxe é o fato de podermos usar esse XP acumulado para distribuir, tanto pontos de skill, quanto de atributos, dando uma dinâmica diferenciada ao sistema de progressão.

Com cada inimigo derrotado, 1% a mais de experiência é recebida. Isso vai acumulando e o multiplicador zera quando se ativar um checkpoint. Ou seja, haverá momentos em que nos pegaremos pensando se vale a pena perder o bônus de 50% a mais de experiência que temos, ou recuperar as poções, já que acabaram.Caso continuemos a nos aventurar sem poções por muito tempo, a morte acabará sendo inevitável, e assim como Dark Souls, quando isso acontece toda a experiência que seu personagem levava fica no local da sua morte. Mas ela não fica lá esperando seu retorno. Caso demoremos demais para alcançar esse XP do local de nossa morte, ela some. Mas nem tudo é ruim… Caso consiga alcança-la a tempo, há duas opções: Pega-la de uma vez para ter certeza de que se morrer novamente não perderá toda a XP acumulada, ou ficar próximo dela para ir recuperando vida gradualmente. Mas essa segunda opção não vale a pena, pois a recuperação de vida é muito devagar e não vale a pena o risco de perder todo seu XP por isso.

Lords of the Fallen não seria um bom jogo ao estilo Souls sem bom bosses. O sistema que o jogo implementou é interessante. É possível ver na barra de vida de determinados chefes uma divisão em sua vida, quando atingir essa divisão, ele irá mudar seu gameplay de alguma maneira, como começar a usar uma explosão em área que mata em um hit ou se livrar de um pouco de sua armadura para ficar mais rápido.

Aspectos Técnicos

Lords of the Fallen traz uma ambientação digna de um jogo de RPG/Fantasia. Apesar de serem escassas as vezes em que nos deparamos com ambientes abertos, eles são visualmente lindos. Digo isso pelo fato da proposta do game ser a de explorar castelos e calabouços claustrofóbicos.

Ainda assim é notável a atenção que a equipe de desenvolvimento do jogo colocou no ambiente, como os detalhes em cada ambiente e como o mundo de Lords of the Fallen está imensamente conectado, com diversos atalhos entre uma área e outra e que é possível começar a acessa-los de uma forma mais prática lá para a metade do jogo.

Outro charme que o jogo tem é o bom fato de usar a capacidade da nova geração e fazer um excelente uso das partículas. Após derrotar o primeiro chefe do jogo recebemos a espada com chamas que ele usa e é possível ver aquelas pequenas faíscas saindo da espada e se desvaindo no ar, assim como certas batalhas contra outros chefes que são cheias de faíscas entre cada ataque desferido.

Os personagens do jogo são muito bem modelados, assim como os equipamentos e armas, apesar de sempre ter aquele set meio reciclado. Entretanto, nenhum personagem apresenta vida quando falamos ou interagimos com eles para uma quest ou diálogo. Eles parecem mais com fantoches sendo controlados por ventrilocos.

Lords-of-the-Fallen-Screenshot-6[quote align=’right’]Harkyn é um anti-herói badass, de quem eu não esperava nada além de respostas secas e sem emoção[/quote]

O áudio do jogo é aceitável. Há boas músicas para dar aquele clima de aventura nas horas que são necessárias, mas nada marcante e que faça você pensar “nossa, que música fantástica!”A dublagem de Lords of the Fallen também é aceitável. Não há nenhuma falha em execução, mas, como no caso da trilha sonora do jogo, não há nenhum momento em que dê para reparar um trabalho acima do que é esperado. Harkyn é um anti-herói na dele e extremamente badass e isso é uma das principais características do personagem, e graças a isso eu não esperava nada além de respostas secas e sem emoção do nosso protagonista.

Mais um jogo difícil. Vale a pena?

Lords of the Fallen traz uma mecânica que aparentemente está se tornando tendência: jogos mais difíceis. Apesar do jogo trazer diversas inspirações da série Souls, também traz elementos únicos.

Não espere que o jogo o surpreenda com uma trama profunda, repleta de lore. O game tem seu charme e é uma excelente porta de entrada para quem nunca se aventurou em nenhum jogo da série Souls, e uma grande pedida para todos os que são fãs da série.

Review Lords of the Fallen

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  • Gameplay desafiador
  • Equipamentos diversificados
  • Excelente ambientação

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  • História bem simples
  • Side-quests desnecessárias
  • Câmera não ajuda em certos momentos

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