Análise: Kingdom Hearts 3

Há 18 anos, um trailer inusitado chegou à E3 2001. Algo que misturava um RPG da Square com os personagens da Disney. Com o nome de Kingdom Hearts, esse jogo nos apresentou o jovem Sora que, ao lado de Donald e Pateta, iria explorar os reinos da Disney, participando ativamente das histórias mais famosas para recuperar seus amigos.

Depois de 9 jogos lançados em diversas plataformas e com uma história um tanto quanto complexa (que eu resumi em pouco mais de 10 minutos em um vídeo aqui do canal), Kingdom Hearts 3 foi finalmente anunciado na E3 2013 com um pequeno teaser. Agora, em 29 de Janeiro de 2019, o jogo chegou até nós, com a proposta de encerrar alguns dos principais arcos iniciados ao longo desses anos.

O garoto Sora envelheceu, nós envelhecemos, mas jogar Kingdom Hearts 3 me fez sentir a mesma sensação e alegria que tive com o primeiro jogo da série, lá no começo dos anos 2000.

O último jogo para consoles de mesa foi Kingdom Hearts 2, em 2006, e hoje conseguimos ver todo o potencial da engine explorado para formar um jogo com mundos belíssimos, combate fluido e extremamente dinâmico e uma diversidade de mecânicas adicionais que só contribuem para a sua experiência.

O melhor do combate dos últimos jogos

O combate é rápido e preza para que você tome ações o tempo todo. Seja apenas para atacar continuamente o inimigo, usar as magias ou mesmo fugir quando estiver cercado e encurralado. A mecânica de Flowmotion, presente em Dream Drop Distance está de volta: nela você pode tomar impulso nas paredes e outros objetos para conseguir “momento” e desferir um combo diferente no inimigo.

Uma outra mecânica que retorna de outros jogos é o chamado Shotlock, que permite usar sua barra de foco para disparar pequenos projéteis nos adversários, causando dano e desestabilizando-os. O problema é que raramente eu me lembrava de parar para usar essa habilidade durante o ritmo frenético das principais lutas.

Diversão como em um parque

Há também outras mecânicas novas que podem ser bastante úteis e visualmente impressionantes. Uma delas é uma espécie de Summon, ou habilidade especial, que pode ser desencadeada durante a luta se você acertar um inimigo específico quando o comando aparecer na tela.

Elas são basicamente atrações de um parque de diversões que causam quantidades massivas de dano e podem ser usadas para tirá-lo de alguma situação complicada ou mesmo para finalizar alguma luta mais longa.

O poder do Splash, do Carrossel ou do Navio Pirata é tão grande que se usado constantemente, o desafio do jogo reduz significativamente, então eu apenas deixava-as como último recurso. Ainda sim, toda vez que você usar, será um show de luzes e efeitos especiais de agradar os olhos.

Cada arma, um estilo de jogo diferente

A mecânica mais impressionante e divertida é a transformação das Keyblades. Ao completar um mundo você ganhará acesso a uma nova Keyblade. Durante o combate, ao aumentar seu combo nos inimigos, você pode ativar uma transformação temporária das Keyblades, dando acesso à uma série de golpes com estilos de jogo totalmente diferentes.

Você pode liberar um martelo gigante para acertar os inimigos em área mais facilmente ou mesmo duas pistolas com foco em ataques a distância e magias. Algumas delas ainda conseguem transformar-se em uma segunda forma, ainda mais diferente do que a primeira.

As pistolas, por exemplo, transformam-se em um rifle com disparos poderosos e mais demorados, mas como essas transformações possuem um tempo limite, você pode finalizá-las com o ataque especial da Keyblade, voltando à sua forma original. Cada Keyblade possui um jeito diferente de ser jogada, com transformações únicas e muito, mas muito belas. Eu recomendo que você teste todas elas para ver com qual se identifica mais.

Você também pode combinar os ataques com os membros de seu time, seja com Donald ou Pateta, ou mesmo com o NPC que o acompanhará durante aquele mundo. A Rapunzel por exemplo, usa seu longo cabelo para transformá-lo em uma massa de destruição para, então, arremessá-lo nos inimigos. Já no mundo de Toy Story, você pode pilotar alguns Mechas e usar de seus poderes para derrotar os inimigos mais poderosos.

Uma experiência ainda mais forte para quem conhece a série

A história de Kingdom Hearts 3 continua diretamente de Dream Drop Distance. Sora falhou no Mark of Mastery para tornar-se Keyblade Master, e por quase ter sucumbido à escuridão, perdeu seus poderes. Junto de Donald e Pateta, ele vai viajar através dos mundos da Disney (alguns para encontrar velhos amigos) e outros totalmente novos, para reconectar-se com seus poderes e conseguir o chamado Power of Waking, que será crucial na batalha final contra Xehanort

Se você não jogou os outros jogos da Franquia e pretende começar de Kingdom Hearts 3, recomendo mais uma vez você ver meu vídeo da história, que explica algumas coisinhas básicas que podem melhorar bastante sua experiência.

Agora, se você jogou os outros jogos da série, seja na época do seu lançamento ou mesmo com as recentes coletâneas, é difícil não se emocionar com as primeiras cenas do jogo. A abertura invoca uma mistura de nostalgia e emoção, te transportando para aquela época lá do PS2, quando você estava conhecendo pela primeira vez Sora, Riku, Kairi, Ven, Aqua, Terra e o vilão Xehanort.

A música é outro fator que contribui fortemente para a nostalgia. Algumas das músicas mais famosas são colocadas em alguns momentos para atingir o jogador direto nos seus sentimentos mais profundos, misturando sensações de alegria e até tristeza.

Muito como nos outros jogos, a história é entregue em pequenas porções durante os mundos da Disney, com figuras conhecidas da série, como a Organization XIII reaparecendo para interferir diretamente no trabalho de Sora. Já as últimas horas do jogo oferecem uma sequência de ações tão intensas e significativas que é até difícil de parar para fazer outra coisa.

Sem entrar em spoilers, vários arcos que os fãs aguardam uma conclusão a muitos anos são encerrados, mas o suficiente ainda é deixado para sugerir uma possível continuação (só espero que não seja daqui a 10 anos).

O mundo e sua imersão impressionante

Uma das coisas mais incríveis do jogo está na qualidade gráfica, sobretudo dos mundos da Disney. É possível notar o grau elevadíssimo de detalhes e fidelidade às localidades que você irá visitar. Todos os cenários são compostos de um grande mundo aberto, interconectado sem nenhum tipo de tela de carregamento.

A impressão é que você sempre está dentro de um desenho ou animação moderno. O mundo possui vida em um nível de detalhe nunca antes visto na série.

No Man’s Skingdom Hearts ?

Entre os mundos, a favorita de muitos fãs (ou não) está de volta. A Gummi Ship retorna, mas, dessa vez, com uma proposta mais livre, libertando-se do On-rails dos últimos jogos. Você pode navegar pelo espaço, explorando-o e coletando recursos para melhorá-la e até alguns itens para melhorar suas Keyblades.

Há também pequenos inimigos espalhados pelo mapa que, ao aproximar-se deles, desencadearão uma batalha que deverá ser finalizada antes de voltar à exploração. Assim como em todos os jogos, essa é uma das partes menos interessantes de Kingdom Hearts.

Cortes como em um filme da Sessão da Tarde

Um dos possíveis problemas do jogo está no ritmo de algumas histórias da Disney.  Se você não tiver assistido ou pelo menos conhecer alguns trechos de cada filme, você poderá ficar totalmente perdido pois algumas partes são totalmente cortadas e jogadas para dar continuidade na história.

Eu imagino que deve ser complicado colocar algumas horas de história dentro de uma pequena porção de cutscenes limitada para cada mundo, mas, enquanto algumas delas conseguem estabelecer uma clara linha de raciocínio, outras podem acabar parecendo um filme recortado para a TV aberta.

Resumo

No mais, Kingdom Hearts 3 oferece a melhor experiência da série até agora. Mesmo para os fãs mais recentes, a jogabilidade gostosa combinada com o carisma dos personagens da Disney é uma experiência completa.

Já para os mais antigos, a experiência é recheada de emoções e nostalgia. Depois de 13 anos sem um lançamento para consoles de mesa, Kingdom Hearts 3 veio para provar que todos esses anos de espera valeram a pena.

Análise: Kingdom Hearts 3 é uma jornada recheada de emoções, nostalgia e novidades
História cheia de emoções e intensaMelhor jogabilidade de combate da sérieTrilha sonora fantásticaMundos muito bem construídos e cheios de detalhes
A história de alguns mundos da Disney pode parecer cortada
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