Análise: Code Vein

Code Vein, o novo jogo da Shift distribuído pela Bandai Namco, enfim foi lançado no dia 27 de setembro, depois de ser adiado algumas vezes. Será que a espera valeu a pena?

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Desde seu anúncio, em abril de 2017, o jogo ficou conhecido como o “Dark Souls versão anime”, uma vez que o game se inspira bastante nas mecânicas desenvolvidas pela From Software. Mas, felizmente, Code Vein possui charmes próprios e não é um mero soulslike genérico e esquecível e acaba sendo uma ótima porta de entrada para jogos do gênero.

Sede de sangue

A história de Code Vein é situada em um mundo pós-apocalíptico onde grande parte da população foi transformada em Aparições, criaturas semelhantes a vampiros que precisam se alimentar de sangue para não enlouquecerem e se transformarem em Perdidos, que representam uma grande quantidade dos inimigos enfrentados no game.

Apesar de teoricamente imortais, toda vez que uma Aparição recebe um golpe fatal, seu corpo é desintegrado e, algum tempo depois, suas células se unem novamente para que o indivíduo volte a vida. Apesar de bem conveniente, esse processo causa amnésia e grande parte dos personagens presentes no jogo já não se lembram muito bem de seu passado. O game começa com o protagonista, que é criado e nomeado pelo jogador, acordando de uma dessas “mortes”, sem lembrar muito bem do que aconteceu.

A partir daí a história é apresentada de uma forma tradicional através de cutscenes e diálogos entre os personagens. Apesar de contar com diversos clichês de animes, como o protagonista escolhido e desmemoriado, a trama é bem envolvente e guarda algumas boas surpresas. Além disso, em meio aos cenários, é possível encontrar Vestígios, itens que quando restaurados revelam memórias antigas dos coadjuvantes e que, apesar de serem opcionais, são uma boa adição a narrativa de Code Vein.

You died

No quesito jogabilidade, qualquer veterano dos jogos da From Software vai se sentir em casa. Todos os inimigos são perigosos e drenam a vida do seu personagem rapidamente, já as mortes levam seu personagem ao último Visco, os checkpoints que também fazem os inimigos da área ressurgirem.

Apesar da dificuldade alta, o jogo oferece diversos Códigos de Sangue, que funcionam como classes, alterando os atributos do seu personagem, e habilidades conhecidas como Dádivas, que facilitam a jogatina. A possibilidade de trocar de classe/habilidades sem nenhum tipo de punição incentiva o jogador a tentar novas combinações e ver o que se adéqua mais ao seu estilo de jogo.

Outra ajuda muito bem-vinda é a possibilidade de se aventurar acompanhado por todo o jogo. Seja usando o modo online e jogando em coop com um amigo, ou simplesmente utilizando um dos NPCs controlados pela inteligencia artificial, a aventura se torna menos opressora e mais acessível para quem não esta familiarizado com esse tipo de jogo.

Infelizmente nem tudo é positivo, já que as áreas a serem exploradas em Code Vein são bem genéricas e pouco memoráveis, talvez a única exceção seja a temida Catedral do Sangue Sagrado, um verdadeiro labirinto de pontes e torres com diversos andares. Os inimigos também deixam a desejar uma vez que quase todos são humanoides e possuem padrões de ataque semelhantes.

Vampiro que é vampiro tem que ter estilo!

E eu não podia terminar essa análise sem ao menos citar a criação de personagens de Code Vein. Mesmo não tendo muita paciência para esse tipo de coisa, eu me peguei perdendo algumas horas na criação da minha Aparição gótica.

A quantidade de opções é enorme e basta dar uma olhada em comunidades de fãs, como o reddit por exemplo, para se espantar com a criatividade e dedicação dos jogadores que conseguem recriar diversos personagens famosos de outras franquias.

Ainda falando um pouco sobre o visual do game, vale lembrar que Code Vein é um jogo japonês e, infelizmente, traz consigo um pouco da cultura machista do Japão. Quase todas as personagens femininas do game são hiper-sexualizadas, em especial a personagem Io, que praticamente veste trapos rasgados o jogo inteiro.

Considerações Finais

No fim do dia o saldo de Code Vein é positivo. Mesmo que não apresente nenhuma revolução para o gênero, o novo jogo da Bandai Namco consegue cativar, seja pelo visual que lembra animes como Tokyo Ghoul, ou pelas mecânicas menos punitivas.

Se você é um veterano em jogos soulslike, talvez irá considerar o game fácil demais e pouco desafiador (mas fica aqui o desafio para uma solo run sem level up), mas se você sempre teve vontade de se aventurar pelo gênero, ou simplesmente gostou do estilo anime, não consigo pensar em uma opção mais acertada e divertida.

Code Vein já está disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC.

Essa análise foi escrita com base na versão de PlayStation 4 do jogo, cedida gentilmente pela distribuidora Bandai Namco
Análise: Code Vein é mais do que apenas uma versão anime de Dark Souls
Dificuldade acessível Criação de personagem insanaMecânicas menos punitivas
Cenários e inimigos genéricos Hiper-sexualização feminina
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