Nessa semana, um evento mundial de hands-on (preview) de The Witcher 3: Wild Hunt pipocou e a imprensa pela primeira vez pode colocar as mãos na obra-prima da Projekt RED. Em produção já há alguns anos, a sequência do game baseado nas obras de Andrzej Sapkowski, promete ser um dos maiores action-RPG desse ano.

E claro, toda essa hype me levou a basear algumas razões demonstrativas que ilustram o porquê da empresa polonesa ser um exemplo a seguir na indústria dos jogos.

ciri the witcher 2

Cada coisa em seu tempo

O primeiro jogo dos caras foi o primeiro The Witcher, lançado no final de 2007 exclusivamente para PCs. Embora ainda se tenha muitas discussões acerca de seu gameplay problemático, é um game com qualidades indiscutíveis. O sistema de escolhas carregava um verdadeiro sentimento de que X decisão iria afetar a sua jogatina, assim como o fato dessas escolhas e seus equipamentos serem carregados na sequência do game. Você realmente escolhia, e aquela verdadeiramente afetava as consequências mais para frente.

CD-PROJEKT-RED-Logo

Logo da empresa

Os gráficos para a época eram muito bonitos e representavam que o trabalho da empresa não ficava só por conta da narrativa ou de outros elementos. Todos esses fatores acarretavam em vários outros detalhes que eram importantes na produção do jogo, o que consequentemente acarreta em longas datas de produção. Com o primeiro Witcher sendo lançado em 2007, sua sequência só viu a luz do lançamento em 2011, quatro anos depois.

E não foi diferente: recolhido feedback dos fãs sobre o primeiro game e tendo em mente as melhorias a serem feitas, The Witcher 2: Assassins of Kings foi um dos melhores games daquele ano. Se não fosse Skyrim, o GOTY teria tido outro dono. O que eu quero dizer nesse tópico é enfatizar a decisão da empresa de não lançar um jogo às pressas devido as venda ou decisões de logística por conta da publisher, mas sim trabalhar nos mínimos detalhes para criar uma obra-prima, e o lançar com a certeza que de está entregando um produto completo. E que, novamente quatro anos depois, The Witcher 3: Wild Hunt fará jus a essa colocação.

Sistema de DRM? Não aqui!

Uma das políticas da CD Projekt RED é bem definida: não usar DRM em seus jogos. Caso você esteja se perguntando que diabos é isso, a palavra uPlay te lembra alguma coisa? Ou que tal Games for Windows Live? Se você joga vídeo-game há algum tempo (mais precisamente no PC), já deve ter se frustrado com alguns desses sistemas. Principalmente o Games for Windows Live.

Sendo uma medida pra lá de tosca pra evitar pirataria (e arrecadar algum fundo monetário para a empresa dona do DRM), é uma tecnologia incrivelmente falha e sem sentindo, que serve mais pra te impedir a jogar do que propriamente jogar. Crashes, milhares autenticação de emails e senhas, complicações na hora da compra e mais outros zibilhares de motivos pra falar um pouco mais sobre o quão isso não presta.

The Witcher 3 Wild Hunt (4)

E é justamente nesse outro tópico que a CD Projekt RED brilha em dar um chega pra lá nessa tosquice. Quando The Witcher 2 foi lançado, eles fizeram testes colocando DRM no jogo e viram que o game foi bem mais pirateado do que o relançamento do jogo sem esse sistema. Simples e lógico: resolveram abandonar essa tecnologia e podemos esperar The Witcher 3: Wild Hunt sem qualquer uma dessas preocupações.

DLC só se for de graça

Numa manobra um tanto quanto incomum no cenário gamer de hoje, foi anunciado que The Witcher 3: Wild Hunt contará com 16 DLCs e todos serão de graça. Os conteúdos para download são bastante variados (cortes de cabelo e barba para Geralt, equipamentos novos, armaduras para seu cavalo, quests etc) e vão ser liberados gradualmente após o lançamento do game.

“Você não precisa fazer pré-venda ou comprar uma edição especial para obtê-los — Se você tiver uma cópia de Wild Hunt, as DLCs são suas. Essa é uma maneira de dizer ‘obrigado’ por comprar o nosso jogo”. São algumas das palavras que você pode encontrar na notícia no site oficial do game. Literalmente, não é algo que você vê todo dia acontecendo, principalmente no que tange à empresas multinacionais.

Quem sabe esse tipo de atitude reflita nessa cultura exacerbada de DLCs pagas à rodo que assombram a indústria? Ou, se pelo menos, podemos ter um jogo completo no lançamento e não aos pedaços para ser completado por expansões e DLCs depois? Estou olhando pra você mesmo, Destiny.

Honestidade não faz mal a ninguém

The Witcher 3 já foi adiado três vezes desde o seu lançamento original, que aconteceria no final de 2014. Adiado para fevereiro, os produtores decidiram que precisariam de mais tempo para trabalhar no jogo e entregar o produto no qual eles querem que nós joguemos, e por isso a nova data foi definida para 19 de maio. Por diversos motivos, o terceiro capítulo de The Witcher já provou de ser imensamente enorme, e mais tempo para consertar bugs nunca é demais (pode até ser, mas nesse caso abriremos uma exceção).

“Nós devemos a vocês um pedido de desculpas. Nós divulgamos a data de lançamento com muita pressa. É uma lição difícil, uma para levarmos pro futuro. Nós sabemos que queremos fazer Wild Hunt um dos melhores RPGs que vocês irão jogar na vida. E nós estamos trabalhando duro para alcançar isso. Então nós nos desculpamos e pedimos pela sua confiança.” Foi uma parte da declaração oficial na página da CD Projekt RED. Ao nos mostrar os verdadeiros motivos dos adiamentos, é um crédito a mais para a empresa.

Outro game que se encaixa aqui e no primeiro tópico, é o Cyperpunk 2077, futuro game que aparentemente se passa num futuro distópico que ainda não se sabe praticamente nada. Com a produção de Wild Hunt a todo vapor, declararam que todos os esforços estão focados no bruxão, e que Cyberpunk receberá a devida atenção em breve.


E essa foi alguma das razões que eu, redator desse artigo, acredito que a CD Projekt RED é uma das poucas empresas que realmente respeitam e prestam esclarecimentos devidos aos compradores de seus produtos. E reparem: não é preciso de muito para que uma empresa seja respeitosa com seus consumidores.

Prometer um produto e entregar aquele produto já é um bom caminho andado nesse aspecto. The Witcher 3 pode estar meio distante de ser lançado, mas a Projekt RED já provou no passado que é capaz de ser verdadeiramente uma empresa de respeito, e assim podemos esperar jogos de ótima qualidade.

E vale ressaltar: eles lembram da gente! The Witcher 3 virá totalmente em português do Brasil, com legendas e dublado.

[infobox title=’Nota de rodapé’]

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