E isso não tem só a ver com o jogo da imagem acima.

Há alguns meses, escrevi um texto sobre o quão estagnada a Square Enix estava em relação aos seus lançamentos. Vimos ao longo da geração passada a desenvolvedora apoiar-se sobre a trilogia de Final Fantasy XIII e relançamentos — tanto nos consoles, quanto nos celulares —, o que critiquei muito.

Lineup de invejar

De um tempo pra cá, entretanto, a situação mudou bastante. A Square Enix está (aparentemente) viva e comprovou isso, principalmente durante a E3.

Final Fantasy XV finalmente está mostrando progresso; Kingdom Hearts III foi anunciado, depois de incontáveis side games lançados após KHII; após um lançamento desastroso, Final Fantasy XIV ressurgiu como um dos melhores MMORPGs da atualidade e ainda teve uma expansão muito bem recebida recentemente.

Boas notícias, de fato, mas o que realmente acendeu uma chama de esperança foram os últimos anúncios da distribuidora: o tão aguardado remake de Final Fantasy VII, Dissidia Final Fantasy, Deus Ex: Mankind Divided, Just Cause 3, Dragon Quest Heroes II, um novo Nier e ainda mais jogos.

Talvez ainda seja cedo para elogiar a Square Enix, uma vez que esses projetos ainda estão em andamento e não sabemos muito sobre eles, mas temos que concordar que a variedade de títulos em desenvolvimento é surpreendente, principalmente para uma empresa de games japonesa.

Infelizmente, não podemos – e provavelmente jamais poderemos — compará-la à Squaresoft de anos atrás, que sempre inovava a indústria com um grande fluxo de lançamentos de franquias novas (Chrono Trigger, Secret of Mana, Xenogears, Brave Fencer Musashi, Parasite Eve… A lista vai longe). O que veremos nos anos seguintes são continuações de franquias consagradas e/ou jogos de médio orçamento — basta checar os games que mencionei ali em cima —, o que não é coisa ruim, mas é um sinal claro de quem está na defensiva e não quer arriscar em novas apostas. Simplesmente porque…

O mercado já não é mais o mesmo

A Square Enix está fazendo dos limões uma limonada: em meio a um público nipônico cujo interesse volta-se cada vez menos aos consoles, ela tornou-se uma das poucas distribuidoras de games no Japão com uma lineup bem variada e constante, provavelmente na espera de soprar alguma vida nesse mercado em colapso.

Enquanto isso, no ocidente a história é outra: tanto suas criações (Dragon Quest, Final Fantasy e outras séries icônicas) quanto os games publicados pela SE (Tomb Raider, Hitman etc.) ainda fazem sucesso. Mas será que vale a pena investir em games de médio a alto orçamento pensando apenas em um mercado? Fica aí a reflexão.

Enfim, se (coloque uma grande ênfase nesse “se”) isso não convencer os jogadores japoneses a não abandonar os consoles de mesa, não será difícil imaginar a Square Enix caminhando pela mesma estrada da Konami — e eu não a culparia por tal decisão.

Basta analisar um pouco para perceber por que o mobile torna-se uma opção cada vez mais tentadora — e até sensata, dadas as circunstâncias —, não? Com custos de produção menores, os smartphones não só são mais fáceis de desenvolver como também são uma plataforma com uma base de usuários imensa e apelo praticamente global.


Então sim, é possível que a minha espera tenha terminado. Mas não da forma que eu previ.