Qual jogador nunca teve vontade de fazer um game? Simplesmente reunir uma galera aí, meter as caras, fazer um negócio muito louco e ganhar rios de dinheiro, seja através do Steam (Greenlight) ou qualquer outra plataforma de divulgação de trabalhos independentes. Né não, jão?

Bem, eu já. Mas só de pensar nas tranqueiras de mexer com programação, design e todo aquele lero-lero de gente que é boa em informática, eu desisti da ideia. Até porque tentei me aventurar em um curso de Computação na Universidade aqui de Brasília e o resultado não foi muito interessante. Entretanto, você aí que é bom em exatas e gosta de games, por que não tentar? Custa nada, só algumas dezenas de horas na frente de um computador e três garrafas de café por dia.

Pensando com os meus botões e refletindo nas indagações sobre a vida e o universo, cheguei a uma teoria que envolve cinco (5) ingredientes (chame de algoritmos, receita de bolo, ou do que você quiser) exclusivamente para você, meu jovem, que deseja ingressar nessa indústria do capitalismo selvagem dos vídeo-jogos. E caso alguém fique rico com isso, por favor, lembre-se de seu jovem editor aqui do Jogazera.

1. Sandbox

Liberdade!

Primeiro passo para seu jogo fazer sucesso: mundo aberto. Sandbox. Open world. MURICA, BITCH! Pelo menos pra mim, a felicidade dentro de um jogo só é completa quando você pode fazer o que bem entender. Ter um mundo completamente livre pra se explorar e milhares de atividades pra se entreter.

Side-quests com histórias paralelas e interessantes? Mini-games? Pra quê isso se eu posso ser o próprio Satã dentro do meu jogo? Bitch, please. Isso SIM que é a definição de liberdade.

goat 1

SATANÁS? É VOCÊ, SATANÁÁS?

Por essas e outras que esses grandes desenvolvedores só aprenderão a ser criativos com os indies. Abrir portais para outras dimensões e coisas assim só apenas os verdadeiros sandbox conseguem. E você nem viu ainda as outras fórmulas que vão te deixar rico, famoso e mundialmente reconhecido por revolucionar a indústria.

2.  Slow-motion

Slow-fucking-motion

Já parou pra pensar que nossa vida contemporânea, urbana e ocidental passa rápido demais? Fazendo tudo às pressas, entregando trabalhos e relatórios, estudando oito mil matérias ao mesmo tempo na faculdade, correria para todos os lados e ainda tendo que ter tempo pra agradar namoradx, maridx, esposx, mãe, sobrinho, papagaio e colocar comida pro cachorro pro coitado não morrer de fome.

Baseado nessa experiência terrível de vida, o que você colocaria no seu futuro jogo de sucesso? Slow-motion. Ilimitado. Sempre que quiser. Always. Apertando apenas um botão e o mundo todo ficaria mais lento que conexão discada compartilhada com seu vizinho.

123456789

… What?

É a solução pra qualquer tipo de transtorno de ansiedade.

Ver o mundo mais devagar, ao som de música clássica passando lentamente aos olhos do espectador onipresente que anseia em dialogar no mais sutil dos tons da vida em busca daquela utópica sensação de liberdade presente nos dias de hoje.

Isso tudo com um simples toque de slow-motion, meu caro.

3. Rag doll

Ou qualquer coisa que te deixe parecendo um boneco de posto de gasolina.

Peraí, peraí. Primeiro, que bagulho é esse? Simples. Finja que você não tem ossos e a física a sua volta não existe. Lembra do Primo Desossado do Frango de A Vaca e o Frango? É a mesma lógica. Mas agora você culmina os fatores até aqui: sandbox + slow-motion + efeito rag doll. Essa combinação deveria ser a verdadeira essência por trás da arte.

Ver membros e cabeças no lugar onde originalmente era um tornozelo e todas aquela mistura alucinógena que nem o LSD mais puro conseguiria reproduzir. E não, isso não seria uma nova droga, e sim seu novo jogo indie que vai deslanchar no mercado! E o melhor: mais barato que pedrinhas de crack e com constantes promoções no Steam! Rapaz, é só alegria. E sem efeitos colaterais. No máximo uma perca de uns 2 pontos de Q.I.

goat 2

E essa não é nem minha forma final.

4. Seja o mais imbecil e aleatório possível

Qual o objetivo de seu futuro jogo? Promover insights? Reflexões sobre a vida? Contar uma história triste e/ou emocionante? Esqueça tudo isso. Esqueça tudo o que você aprendeu com Limbo, Braid, Bastion ou qualquer outra tentativa de ser um indie bem sucedido, aqui você precisa só de um ponto: não ter objetivo. Fácil. Quanto mais imbecil e aleatório o protagonista ser (ou seja lá o que for seu personagem, até uma girafa tá valendo), melhor.

Lembre-se do primeiro passo: o game é um sandbox, e sandbox = liberdade. Aqui a liberdade de expressão toma uma proporção nunca vista antes, e você está de mãos soltas pra fazer o que bem quiser. E isso implica em: fazer nada. Porque é isso que as pessoas precisam. Se jogar em carros, pular em trampolins, usar jetpacks, fazer viagens intergaláticas em disco voadores, ir para o espaço, ser atropelado por caminhões e explodir postos de gasolina são apenas alguns exemplos. Não precisa fazer sentido.

5. Easter Eggs e referências à rodo

Todo jogo tem aquelas “surpresas especiais” em referência à alguma coisa. E é disso que seu jogo precisa: referências. Nem precisa ser uma coisa bem feita, só lembrar daquele diretor zoado que é conhecido por explodir tudo.

goat 6

É apenas um exemplo. A ideia por trás do jogo é mantido pelo foco do passo nr. 4: não fazer sentido. Todos os pontos se conectam, e quando não tem sentido, tudo faz sentido (!). E por esse fato, você pode socar referências até não poder mais, e não easter eggzinho meia boca. Tipo, cara, quem colocaria o Raiden numa missão junto com o Big Boss? Pffffffffft. O lance é você ser capaz de imitar o Sonic. Isso mesmo, no seu futuro game, seu protagonista (que é uma cabra) ficaria azul e giraria igual o Sonic e atropelaria todos no seu caminho.

Todos iriam ficar com inveja do tanto que você é original de transformar uma cabra no Sonic. Infalível. E isso com apenas alguns truques de computação que deixariam meio mundo de boca aberta. Você consegue.

[separator type=”thin”]

Se você teve a coragem de ler até aqui: MEUS PARABÉNS! Você vai ser o próximo comprador das ações do Oculus Rift com troco de padaria.

Seguindo meus passos para fazer o jogo perfeito, com baixo custo e cobrar um valor colossal por um game que provavelmente foi feito em algumas semanas, você será um sucesso!  E isso, claro, não precisando ser mais original que colocar cabras para fazerem nada dentro de um sandbox.

Contate-me se sua carreira ficar promissora!

goat 7

Obrigado pela atenção, pessoal.

Obs 1: Sim, isso é uma sátira. Você tem todo o direito de ter dado uma risadinha de canto de boca ou ter achado esse artigo completamente sem graça.

Obs 2: Não, não pretendo ser comediante. Tenho minha faculdade pra pagar.

Obs 3: Qualquer referência e citação de Goat Simulator foi mera coincidência.

Imagens: Comunidade Steam