Os anos 90 foram intensos em muitos aspectos. No Rock and Roll, na Fórmula 1, no futebol… e no mundo dos games, é claro. Grandes títulos figuraram o mercado de jogos no mundo todo, muitos se tornaram clássicos que eternizaram uma geração, alguns atravessaram décadas e até hoje são notórios.

Na época, a Nintendo estava nos holofotes com seu divertido Super Mario Bros, um jogo que não era difícil de agradar a grande massa. Sem um grande concorrente, o “encanador bigodudo” parecia que reinaria por muito tempo solitário.

Salve engano.

Em 1991 a SEGA apresentaria ao mundo aquele que se tornaria o seu principal ícone: Sonic The Hedgehog.

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De Green Hill para o mundo

Criado como um “contra-ataque” para Super Mario, Sonic era tudo que a SEGA precisava para mostrar ao mundo que o Mega Drive vinha com tudo. O ouriço tinha uma personalidade muito definida: era esperto, destemido e – é claro – extremamente veloz. Originalmente, Sonic foi uma espécie de “jogo-teste” feito para mostrar todo o potencial do novo console, provar que era possível criar o efeito de velocidade sem que a imagem fosse distorcida. O recado foi dado – e a promessa foi cumprida.

Com a premissa de ter em mãos “o herói mais rápido do mundo dos games” nascia Sonic The Hedgehog, que chegaria ao mercado em 23 de junho de 1991. Sonic caiu nos braços do mundo. A rivalidade entre a SEGA e a Nintendo se estendeu por toda a década de 90, marcando uma geração com a pergunta: Mario ou Sonic?

Uma verdadeira guerra se instaurou entre os jovens na época e o tema provavelmente foi a tônica das discussões de recreio nas escolas do mundo todo.

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O sucesso foi notório e a ascendente popularidade foi explorada com maestria pela SEGA. A franquia The Hedgehog recebera duas sequências no Mega Drive: Sonic The Hedgehog 2 (1992) e Sonic The Hedgehog 3 (1994). Além de outros títulos secundários, como Sonic Pinball e Sonic 3D Blast, ainda fora lançado Sonic & Knuckles (1994), colocando o herói de vez no posto mais alto dos mascotes da empresa – desbancando de vez Alex Kidd, que seria posto num limbo, perdendo o posto de queridinho da SEGA.

Uma curiosidade impressionante sobre o sucesso de Sonic no início dos anos 90, foi quando a SEGA decidiu patrocinar a Fórmula 1 e expandir sua campanha de marketing com voracidade. No Grande Prêmio da Europa de 1993, a corrida foi toda decorada com o símbolo da SEGA – e, obviamente, com Sonic aparecendo por todas as partes. Naquele momento o ouriço era o principal mascote da empresa. Nessa corrida em questão o troféu era nada mais nada menos que o próprio Sonic! Ayrton Senna venceu o Grande Prêmio em Donington Park, recebeu o troféu e com um ar de “curiosidade” e estranheza encarou o personagem por uns segundos antes de erguer o troféu. Essa cena foi inesquecível e estava claro que Sonic havia se tornado um fenômeno.

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Um passado de glórias e de tropeços

Certas coisas não duram para sempre. Apesar do início brilhante nos anos 90, a SEGA não conseguiu sustentar Sonic como gostaria. Foi a partir de 1998 que as coisas começaram a desandar, moldando um futuro deveras sombrio para o seu mascote.

Com o lançamento do Dreamcast, Sonic teve seu design alterado e o conceito de seus games mudaram. Com o intuito de acompanhar a modernidade, a SEGA abandonaria o estilo cartunesco original, tornando Sonic mais esguio, com um ar mais maduro. Apesar das mudanças, Sonic Adventure foi um sucesso. Muitos fãs abraçaram a idéia de ter um Sonic “evoluído”, e sua sequência Sonic Adventure 2 (lançada em 2001) foi extremamente aguardada.

Enquanto a SEGA lançava diversos títulos menores para outras plataformas nos anos 2000, a imagem do nosso querido herói ficou um tanto desgastada. Títulos questionáveis como Sonic Unleashed e Sonic Heroes fizeram com que a desconfiança ficasse na mente de todo antigo fã, fazendo com que pensássemos duas vezes antes de adquirir um novo game. Os jogos nessa geração foram alvo de severas críticas, o que abalou a imagem da franquia nos tempos modernos.

De lá pra cá, Sonic nunca mais conseguiu emplacar um grande sucesso, ficando sempre como um figurante no mercado de games. Destino triste para o ouriço.

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Afinal, podemos esperar um Sonic melhor?

Apesar dos tropeços e da gradativa queda de qualidade em seus games, Sonic ainda tem muita lenha para queimar – acredite. Entre erros e acertos, na comemoração de 20 anos da franquia, a SEGA acertou a mão ao lançar Sonic Generations. Com um grande apelo a nostalgia, Generations brindou o passado com estilo, entregando uma aventura que soube bem como mesclar a clássica jogabilidade com os elementos que deram certo no Sonic moderno.

Infelizmente o acerto não serviu de herança. Sonic Lost World, apesar de ser um bom jogo, passa longe do que Sonic já foi um dia, até mesmo do ótimo Sonic Generations e Sonic Boom, o mais recente título, é de longe um jogo para ser lembrado por sua qualidade.

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A SEGA já anunciou um novo game para 2017. A expectativa é grande, uma homenagem digna para os 25 anos do ouriço DEVE ser feita. Se o Sonic Team souber aproveitar os elementos certos e mesclar todos eles em um game com doses certas de nostalgia, podemos sim esperar um título bem melhor que os seus antecessores.

Independente das críticas, Sonic continua sendo um dos maiores. Com um histórico incrível e repleto de grandes momentos, Sonic marcou época e jamais deixará de ocupar um alto posto na história. Em  seus 25 anos de vida ele foi o responsável pelo amor de muitos pelo mundo dos games – inclusive o meu, que tinha no ouriço o meu grande herói de infância. Que venham os próximos 25 anos e para os fãs só resta esperar que o presente de comemoração seja para nós.